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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — CESPE / CEBRASPE 2020

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
ce117116
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Ministério da Economia
Ano
2020
Nível
Superior
       Quando eu era criança (e isso aconteceu em outro tempo e em outro espaço), não era incomum ouvir a pergunta “Quão longe é daqui até lá?” respondida por um “Mais ou menos uma hora, ou um pouco menos se você caminhar rápido”. Num tempo ainda anterior à minha infância, suponho que a resposta mais comum teria sido “Se você sair agora, estará lá por volta do meio-dia” ou “Melhor sair agora, se você quiser chegar antes que escureça”. Hoje em dia, pode-se ouvir ocasionalmente essas respostas. Mas serão normalmente precedidas por uma solicitação para ser mais específico: “Você vai de carro ou a pé?”.



      “Longe” e “tarde”, assim como “perto” e “cedo”, significavam quase a mesma coisa: exatamente quanto esforço seria necessário para que um ser humano percorresse uma certa distância — fosse caminhando, semeando ou arando. Se as pessoas fossem instadas a explicar o que entendiam por “espaço” e “tempo”, poderiam ter dito que “espaço” é o que se pode percorrer em certo tempo, e que “tempo” é o que se precisa para percorrê-lo. Se não fossem muito pressionados, porém, não entrariam no jogo da definição. E por que deveriam? A maioria das coisas que fazem parte da vida cotidiana são compreendidas razoavelmente até que se precise defini-las; e, a menos que solicitados, não precisaríamos defini-las. O modo como compreendíamos essas coisas que hoje tendemos a chamar de “espaço” e “tempo” era não apenas satisfatório, mas tão preciso quanto necessário, pois era o wetware — os humanos, os bois e os cavalos — que fazia o esforço e punha os limites. Um par de pernas humanas pode ser diferente de outros, mas a substituição de um par por outro não faria uma diferença suficientemente grande para requerer outras medidas além da capacidade dos músculos humanos.



Zygmunt Bauman. A modernidade como história do tempo. In: Modernidade líquida. Plínio Dentzien (Trad.). Rio de Janeiro: Zahar, 2001 (com adaptações).
A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item seguinte.A próclise observada em “se pode percorrer” e “se precisa”, no segundo período do segundo parágrafo do texto, é opcional, de modo que o emprego da ênclise nesses dois casos também seria correto: pode-se percorrer e precisa-se, respectivamente.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação pronominal: próclise e ênclise em “se pode percorrer” e “se precisa”

Gabarito: E — ERRADO. A afirmação de que a próclise é opcional nesses dois casos está incorreta, pois a próclise é obrigatória diante de pronome relativo (“que”), como ocorre em “que se pode percorrer” e “que se precisa”. A ênclise (“pode-se percorrer”, “precisa-se”) seria inadequada nesse contexto, pois o pronome relativo é palavra atrativa que exige o pronome antes do verbo.

A questão cobra a regra de colocação pronominal aplicada ao texto. O comando pede um julgamento sobre a possibilidade de alternância entre próclise e ênclise. Para resolver, é preciso identificar o fator que determina a posição do pronome átono: a presença de palavra atrativa antes do verbo.

No segundo parágrafo do texto, lê-se:

“poderiam ter dito que “espaço” é o que se pode percorrer em certo tempo, e que “tempo” é o que se precisa para percorrê-lo.”

Nos trechos “que se pode percorrer” e “que se precisa”, o pronome “se” está após o pronome relativo “que”. Segundo a norma culta, o pronome relativo é uma palavra atrativa que obriga a próclise. Portanto, não há opcionalidade: a ênclise (“pode-se percorrer”, “precisa-se”) seria gramaticalmente inadequada nesse contexto, pois quebraria a atração exercida pelo “que”.

Colocação pronominal
  • 1Próclise obrigatória
    • Palavras atrativas
      • Pronome relativo (que)
      • Advérbio
      • Conjunção subordinativa
      • Palavra negativa
  • 2Ênclise
    • Inadequada após palavra atrativa
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Análise da assertiva — ❌ ERRADO

A assertiva afirma que a próclise é opcional e que a ênclise também seria correta. Isso está errado porque:

  • Palavra atrativa: o pronome relativo “que” atrai o pronome átono para antes do verbo, tornando a próclise obrigatória.

  • Consequência: a ênclise (“pode-se percorrer”, “precisa-se”) não é aceitável nesse contexto, pois violaria a regra de atração.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que a próclise é facultativa, mas a presença do pronome relativo “que” a torna obrigatória. A armadilha está em ignorar a palavra atrativa.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar colocação pronominal, identifique se há palavra atrativa antes do verbo (advérbio, pronome relativo, conjunção subordinativa, palavra negativa). Se houver, a próclise é obrigatória.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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