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Questão de Português — Morfologia — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsMorfologia
Código
ce118114
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
AL-CE
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Técnico Legislativo

Texto CG5A1-I


            E de repente aquela dor intolerável no olho esquerdo, este lacrimejando, e o mundo se tornando turvo. E torto: pois fechando um olho, o outro automaticamente se entrefecha. Quatro vezes no decorrer de menos de um ano um objeto estranho entrou no meu olho esquerdo: duas vezes ciscos, uma vez um grão de areia, outra um cílio. Das quatro vezes tive que procurar um oftalmologista de plantão. Da última vez, perguntei ao doutor Murilo Carvalho, cirurgião dos Oculistas Associados, e também um artista em potencial que realiza sua vocação através de cuidar por assim dizer de nossa visão de mundo:

             — Por que sempre o olho esquerdo? É simples coincidência?

             Ele respondeu não; que, por mais normal que seja uma vista, um dos olhos vê mais que o outro e por isso é mais sensível. Chamou-o de “olho diretor”. E, por ser mais sensível, disse ele, prende o corpo estranho, não o expulsa.

             Quer dizer que o melhor olho é aquele que mais sofre. É a um só tempo mais poderoso e mais frágil, atrai problemas que, longe de serem imaginários, não poderiam ser mais reais que a dor insuportável de um cisco ferindo e arranhando uma das partes mais delicadas do corpo.

             Fiquei pensativa.

             Será que é só com os olhos que isso acontece? Será que a pessoa que mais vê, portanto a mais potente, é a que mais sente e sofre. E a que mais se estraçalha com dores tão reais quanto um cisco no olho.

             Fiquei pensativa.

Clarice Lispector. Todas as crônicas. Rio de Janeiro:

Rocco, 2018, p. 36 (com adaptações). 

No primeiro parágrafo do texto CG5A1-I, seria gramaticalmente correto substituir a forma verbal “perguntei”, em “perguntei ao doutor Murilo Carvalho”, por interroguei, desde que o segmento “ao doutor” fosse substituído por
  1. Apelo doutor.
  2. Bdo doutor.
  3. Ccontra o doutor.
  4. Do doutor.
  5. Epara o doutor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — o doutor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência verbal: “perguntar” × “interrogar”

Gabarito: letra D. A substituição de “perguntei” por “interroguei” exige que o complemento deixe de ser indireto (com a preposição a) e passe a ser direto (sem preposição). Assim, “ao doutor” deve ser substituído por “o doutor”, única opção que atende à transitividade direta do verbo “interrogar”.

O verbo perguntar rege objeto indireto introduzido pela preposição a: perguntei ao doutor (a + o). Já o verbo interrogar é transitivo direto: exige objeto direto sem preposição: interroguei o doutor. A questão testa esse contraste de regência. Nenhuma outra alternativa preenche corretamente a lacuna sem preposição.

Verbo

Transitividade

Exemplo

Perguntar

Indireto (preposição a)

perguntei ao doutor

Interrogar

Direto (sem preposição)

interroguei o doutor

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Pelo doutor” (por + o) não é complemento de “interrogar”. O verbo “interrogar” não rege a preposição “por”.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Do doutor” (de + o) também não serve: “interrogar” não rege a preposição “de”.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Contra o doutor” é incompatível com o sentido de “interrogar” (que não pede “contra”).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“O doutor” é o objeto direto exigido por “interrogar”. A ausência de preposição é a única forma gramaticalmente correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Para o doutor” também não se sustenta: “interrogar” não rege “para”.

Conclusão: A questão é pura regência verbal. “Perguntar” pede objeto indireto (preposição a); “interrogar” pede objeto direto (sem preposição). Logo, a troca de “ao” por “o” é a única que preserva a correção.

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