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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce118115
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
AL-CE
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Técnico Legislativo

Texto CG5A1-I


            E de repente aquela dor intolerável no olho esquerdo, este lacrimejando, e o mundo se tornando turvo. E torto: pois fechando um olho, o outro automaticamente se entrefecha. Quatro vezes no decorrer de menos de um ano um objeto estranho entrou no meu olho esquerdo: duas vezes ciscos, uma vez um grão de areia, outra um cílio. Das quatro vezes tive que procurar um oftalmologista de plantão. Da última vez, perguntei ao doutor Murilo Carvalho, cirurgião dos Oculistas Associados, e também um artista em potencial que realiza sua vocação através de cuidar por assim dizer de nossa visão de mundo:

             — Por que sempre o olho esquerdo? É simples coincidência?

             Ele respondeu não; que, por mais normal que seja uma vista, um dos olhos vê mais que o outro e por isso é mais sensível. Chamou-o de “olho diretor”. E, por ser mais sensível, disse ele, prende o corpo estranho, não o expulsa.

             Quer dizer que o melhor olho é aquele que mais sofre. É a um só tempo mais poderoso e mais frágil, atrai problemas que, longe de serem imaginários, não poderiam ser mais reais que a dor insuportável de um cisco ferindo e arranhando uma das partes mais delicadas do corpo.

             Fiquei pensativa.

             Será que é só com os olhos que isso acontece? Será que a pessoa que mais vê, portanto a mais potente, é a que mais sente e sofre. E a que mais se estraçalha com dores tão reais quanto um cisco no olho.

             Fiquei pensativa.

Clarice Lispector. Todas as crônicas. Rio de Janeiro:

Rocco, 2018, p. 36 (com adaptações). 

No texto CG5A1-I, da afirmação de que o melhor olho “atrai problemas que, longe de serem imaginários, não poderiam ser mais reais que a dor insuportável de um cisco ferindo e arranhando uma das partes mais delicadas do corpo” (quarto parágrafo) depreende-se que
  1. Aos problemas atraídos pelo melhor olho são irreais, mas podem provocar sofrimentos tão concretos quanto a dor causada por um cisco.
  2. Bos problemas atraídos pelo melhor olho, mesmo não sendo imaginários, provocam sofrimentos mais concretos que a dor causada por um cisco.
  3. Cos problemas atraídos pelo melhor olho, apesar de serem imaginários, provocam sofrimentos mais concretos que a dor causada por um cisco.
  4. Dos problemas atraídos pelo melhor olho, por serem imaginários, não são comparáveis à dor física causada por um cisco.
  5. Eos problemas atraídos pelo melhor olho não são imaginários, mas não provocam sofrimentos mais concretos que a dor causada por um cisco.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — os problemas atraídos pelo melhor olho não são imaginários, mas não provocam sofrimentos mais concretos que a dor causada por um cisco.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre a realidade dos problemas atraídos pelo melhor olho

Gabarito: letra E. A depreensão correta é que os problemas não são imaginários, mas também não são mais reais/concretos do que a dor causada por um cisco – exatamente o que a alternativa E afirma.

A passagem-chave está no quarto parágrafo:

“atrai problemas que, longe de serem imaginários, não poderiam ser mais reais que a dor insuportável de um cisco”

Isso significa: (1) os problemas são reais (não imaginários); (2) eles são tão reais quanto a dor do cisco, mas não ultrapassam esse grau de realidade. A expressão “não poderiam ser mais reais que” é uma comparação de limite máximo – indica igualdade, não superioridade.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que os problemas são “irreais”, quando o texto diz exatamente o contrário: longe de serem imaginários. Erro: contradiz o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que os problemas, embora reais, provocam sofrimentos mais concretos que a dor do cisco. O texto, porém, afirma que não poderiam ser mais reais – ou seja, não são mais concretos. Erro: troca_termo (inverte a comparação de igualdade para superioridade).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que os problemas são imaginários (falso) e mais concretos (falso). Dois erros: contradiz o texto e troca_termo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Diz que os problemas são imaginários e, por isso, não comparáveis à dor física. O texto nega a premissa (são reais) e a conclusão (a comparação existe – são tão reais quanto). Erro: contradiz o texto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Reflete fielmente o duplo sentido: “não são imaginários” (literal) e “não provocam sofrimentos mais concretos que a dor causada por um cisco” (inferência direta de “não poderiam ser mais reais que”). A conjunção mas expressa a ressalva de que, apesar de reais, eles não superam a concretude da dor física. Inferência legítima, ancorada no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca costuma inverter o grau da comparação. Grife a expressão “não poderiam ser mais reais que” e lembre-se de que ela limita a comparação à igualdade – jamais à superioridade.

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