Questão de Direito Administrativo — Responsabilidade civil do estado — CESPE / CEBRASPE 2021
Direito Administrativo›Responsabilidade civil do estado
Código
ce119660
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
COREN-CE
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Técnico Administrativo - Edital nº 1
A responsabilidade civil do Estado apresenta vários requisitos para que possa ser configurada. Com relação a esse assunto, assinale a opção correta.
AA conduta do agente público é o primeiro requisito para a configuração da responsabilidade civil do Estado.
BÉ necessário ato ilícito do poder público para que seja configurada a responsabilidade civil do Estado.
CO Estado pode ser responsável por ato lícito, sendo necessário nexo causal nesse caso.
DÉ dispensável o nexo causal no caso de ato ilícito do poder público.
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GabaritoC — O Estado pode ser responsável por ato lícito, sendo necessário nexo causal nesse caso.
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Responsabilidade civil do Estado: requisitos e ato lícito
Gabarito: letra C. A responsabilidade civil objetiva do Estado, fundada na teoria do risco administrativo (CF, art. 37, § 6º), prescinde da ilicitude da conduta estatal: o que importa é a ocorrência de dano, a conduta administrativa e o nexo causal entre ambos. Assim, o Estado pode responder por atos lícitos, desde que o dano seja anormal e desproporcional, sendo o nexo causal requisito indispensável em qualquer hipótese.
A responsabilidade civil do Estado é a obrigação de reparar danos patrimoniais ou morais causados a terceiros por seus agentes, nessa qualidade, independentemente de culpa (responsabilidade objetiva). No Brasil, a regra é a teoria do risco administrativo, que exige a presença de três requisitos: conduta administrativa (ação ou omissão de agente público), dano (juridicamente relevante) e nexo causal (ligação entre a conduta e o dano). A culpa do agente é irrelevante para a configuração da responsabilidade do Estado, mas é essencial para o direito de regresso.
A grande distinção que a banca explora é entre ato lícito e ato ilícito. Embora a responsabilidade civil, em regra, decorra de ato ilícito, o ordenamento admite a responsabilização do Estado por atos lícitos em situações excepcionais, como quando há expressa previsão legal (ex.: danos por atentados terroristas contra aeronaves brasileiras) ou quando o ato estatal impõe sacrifício desproporcional ao particular (ex.: fechamento permanente de rua que inviabiliza atividade econômica). Nesses casos, a ilicitude desloca-se da conduta para o resultado: o dano é antijurídico, ainda que a conduta seja lícita.
A pegadinha da questão está em afirmar que o ato ilícito é requisito da responsabilidade civil do Estado ou que o nexo causal é dispensável. O candidato que memoriza apenas a fórmula "dano + conduta + nexo" pode esquecer que a licitude da conduta não afasta a responsabilidade, e que o nexo causal é sempre indispensável — sem ele, não há como imputar o dano ao Estado.
Critério
Ato lícito
Ato ilícito
Responsabilidade do Estado
[+] Cabe (dano antijurídico)
[+] Cabe
Nexo causal
[-] Indispensável
[-] Indispensável
Culpa do agente
Irrelevante
Irrelevante
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a conduta do agente público é o primeiro requisito. Não há hierarquia ou ordem entre os requisitos: conduta, dano e nexo causal são igualmente necessários e devem estar presentes simultaneamente. A conduta não é "primeira" em importância ou em sequência lógica — a responsabilidade só se configura com a presença conjunta de todos os elementos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que é necessário ato ilícito do poder público. Errado: a responsabilidade objetiva do Estado independe de ilicitude da conduta. O Estado pode responder por atos lícitos, como no caso de sacrifício desproporcional de direitos. A ilicitude relevante é a do dano (dano antijurídico), não a da conduta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta ao afirmar que o Estado pode ser responsável por ato lícito, desde que presente o nexo causal. É exatamente o que a doutrina e a jurisprudência reconhecem: a responsabilidade objetiva alcança tanto atos lícitos quanto ilícitos, bastando a comprovação do dano e do nexo causal com a atuação estatal. O nexo causal é o elo que liga a conduta ao dano e é indispensável em qualquer modalidade de responsabilidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que é dispensável o nexo causal no caso de ato ilícito. Errado: o nexo causal é requisito essencial da responsabilidade civil do Estado, seja o ato lícito ou ilícito. Sem nexo causal, não há como atribuir o dano à conduta estatal, e a responsabilidade não se configura. A banca tenta induzir o candidato a pensar que a ilicitude dispensaria o nexo, o que é um equívoco.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre ato ilícito e nexo causal. O candidato pode pensar que, sendo o ato ilícito, a responsabilidade é automática e dispensa o nexo — mas não é assim: o nexo causal é sempre indispensável. E, ao contrário, a licitude do ato não afasta a responsabilidade. Fique atento: a responsabilidade objetiva do Estado não exige culpa, mas exige dano, conduta e nexo causal, sempre.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de responsabilidade civil do Estado, memorize a tríade: conduta + dano + nexo causal. E lembre: a licitude da conduta não exclui a responsabilidade; o que exclui é a ausência de nexo causal ou a presença de excludentes (culpa exclusiva da vítima, fato de terceiro, caso fortuito/força maior). Na dúvida, verifique se a alternativa menciona o nexo causal — se não menciona, desconfie.