Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsSintaxe
Código
ce120883
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-SC
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto - Prova 2
    Estabelecer fronteiras é o fenômeno originário da violência instauradora do direito em geral, segundo Walter Benjamin, autor do ensaio Para uma crítica da violência, de 1921. O ato jurídico-político originário é o estabelecimento de fronteiras que delimitam dentro e fora, incluídos e excluídos, amigos e inimigos da pátria. Em seus primórdios, “todo direito foi um direito de prerrogativa (ou privilégio) dos reis ou dos grandes; em suma: dos poderosos”. O privilégio primordial de apropriar a terra, nomeá-la e ordená-la indica o nexo território-Estado-nascimento que caracteriza o antigo e ainda atual nómos da terra, do qual o fechamento de fronteiras em tempos de pandemia é mero sintoma. Se a figura do refugiado nos é tão inquietante, é porque coloca em questão uma vida humana em terra de ninguém. 
    Em O nómos da terra, o controverso jurista alemão Carl Schmitt, com quem Benjamin trocou correspondências, descreve a origem do termo nómos, palavra grega para “lei”. Nómos indica a ordenação espacial original necessária para o estabelecimento de toda e qualquer ordem jurídica. Nómos indica que o direito está objetivamente enraizado na apropriação da terra. A constituição jurídica de um nómos, ou seja, a apropriação jurídica do espaço, tem por pressuposto a capacidade de nomear. No termo alemão Landnahme, apropriação ou tomada da terra, encontramos o termo nahme, antiga grafia de name, que significa “nome”. Nomear e constituir uma ordem jurídica são atos similares, na medida em que implicam apropriação. Exemplos históricos — incrivelmente ainda frequentes — são a imposição do nome do marido à mulher, que é “tomada em casamento”, ou o patronímico imposto à criança no momento do nascimento. 

Internet: <https://revistacult.uol.com.br> (com adaptações).
Julgue o item que se segue, relativos aos aspectos linguísticos do texto anterior.No trecho “com quem Benjamin trocou correspondências” (segundo parágrafo), o termo “com quem” complementa a forma verbal “trocou”.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise sintática de "com quem" no texto

✅ CERTO. O termo "com quem" é complemento do verbo "trocou", funcionando como objeto indireto. A afirmação está correta.

No trecho citado, a estrutura é "trocou correspondências com quem". O verbo trocar, no sentido de "permutar, dar e receber algo mutuamente", exige dois complementos: um objeto direto (aquilo que se troca) e um objeto indireto (a pessoa com quem se troca). Assim, "correspondências" é o objeto direto, e "com quem" é o objeto indireto (preposicionado, regido pela preposição com).

"com quem Benjamin trocou correspondências"

A banca pergunta se "com quem" complementa o verbo "trocou". Sim, completa o sentido do verbo, indicando o parceiro da troca. Trata-se de um complemento verbal — mais especificamente, objeto indireto —, não de um adjunto adverbial (que seria um termo acessório).

Possível confusão: O aluno pode pensar que "com quem" é adjunto adverbial de companhia, mas a regência do verbo "trocar" exige a preposição com para introduzir o outro agente da troca, caracterizando um objeto indireto. Em "troquei olhares com ela", "com ela" é objeto indireto, não adjunto.

Portanto, o item está Certo.

Gabarito: C

Link permanente: /questoes/ce120883