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Questão de Português — Ortografia — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsOrtografia
Código
ce120887
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-SC
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto - Prova 2
    Estabelecer fronteiras é o fenômeno originário da violência instauradora do direito em geral, segundo Walter Benjamin, autor do ensaio Para uma crítica da violência, de 1921. O ato jurídico-político originário é o estabelecimento de fronteiras que delimitam dentro e fora, incluídos e excluídos, amigos e inimigos da pátria. Em seus primórdios, “todo direito foi um direito de prerrogativa (ou privilégio) dos reis ou dos grandes; em suma: dos poderosos”. O privilégio primordial de apropriar a terra, nomeá-la e ordená-la indica o nexo território-Estado-nascimento que caracteriza o antigo e ainda atual nómos da terra, do qual o fechamento de fronteiras em tempos de pandemia é mero sintoma. Se a figura do refugiado nos é tão inquietante, é porque coloca em questão uma vida humana em terra de ninguém. 
    Em O nómos da terra, o controverso jurista alemão Carl Schmitt, com quem Benjamin trocou correspondências, descreve a origem do termo nómos, palavra grega para “lei”. Nómos indica a ordenação espacial original necessária para o estabelecimento de toda e qualquer ordem jurídica. Nómos indica que o direito está objetivamente enraizado na apropriação da terra. A constituição jurídica de um nómos, ou seja, a apropriação jurídica do espaço, tem por pressuposto a capacidade de nomear. No termo alemão Landnahme, apropriação ou tomada da terra, encontramos o termo nahme, antiga grafia de name, que significa “nome”. Nomear e constituir uma ordem jurídica são atos similares, na medida em que implicam apropriação. Exemplos históricos — incrivelmente ainda frequentes — são a imposição do nome do marido à mulher, que é “tomada em casamento”, ou o patronímico imposto à criança no momento do nascimento. 

Internet: <https://revistacult.uol.com.br> (com adaptações).
Julgue o item que se segue, relativos aos aspectos linguísticos do texto anterior.O termo “prerrogativa” (primeiro parágrafo) também pode ser corretamente grafado como pré-rogativa.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Julgamento sobre a grafia de "prerrogativa"

Gabarito: Errado (E). O item está incorreto porque a palavra "prerrogativa" é grafada sem hífen e sem acento, conforme a norma ortográfica vigente. A forma "pré-rogativa" não é admitida pela gramática normativa, pois o prefixo "pré-" só exige hífen quando a palavra seguinte começa por vogal, "h" ou pela mesma letra final do prefixo (caso de "pré-escolar", "pré-requisito"), e "prerrogativa" já é uma palavra aportuguesada do latim prerrogativa, sem o sentido de prefixo separado.

Explicação da regra

O Acordo Ortográfico de 1990 estabelece que o hífen é usado em palavras formadas por prefixos quando a segunda palavra começa por h ou pela mesma vogal/final do prefixo. O prefixo pré- (com acento agudo, indicando tonicidade) é utilizado em compostos como pré‑história, pré‑requisito, pré‑vestibular. No entanto, "prerrogativa" não é um composto com o prefixo pré-; trata-se de uma palavra única, derivada do latim, e sua grafia correta é prerrogativa, sem qualquer separação ou acento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tentou confundir o candidato com a falsa ideia de que "pré-" poderia ser separado por hífen, mas a palavra não admite essa segmentação.

Conclusão

Como a afirmação de que "prerrogativa" pode ser grafada como "pré-rogativa" contraria a ortografia oficial, o item é Errado (E).

Gabarito: letra E.

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