Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2021
Português›Sintaxe
Código
ce120913
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-SC
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto - Prova 2
Texto 2A1-I
Quando falamos em direito, estamos falando inicialmente
de um enorme conjunto de regras obrigatórias, o chamado direito
positivo. Mas o vocábulo direito é usado também para o curso de
Direito, a assim chamada “ciência do Direito”. Numa terceira
acepção, a palavra designa os direitos de cada um de nós,
chamados de direitos subjetivos, pois somos os sujeitos, os
titulares, desses direitos.
Ninguém ignora que paira sobre nossas cabeças uma
gigantesca teia de normas, que atinge praticamente todas as
nossas atividades. A vida de cada um de nós é regulada de dia e
de noite, desde antes do nascimento e, por incrível que pareça,
até depois da morte.
Muitos pensadores têm destacado que o direito atual
parece ter invadido tudo: há direito em toda parte, para todos,
para tudo. A contrapartida é que, assim como temos que seguir as
normas, os outros também têm de cumpri-las e, desse modo,
respeitar os direitos de cada um de nós, os ditos direitos
subjetivos.
Eduardo Muylaert. Direito no cotidiano: guia de sobrevivência na selva das leis. São Paulo: Editora Contexto, 2020, p.11-12 (com adaptações).
Com relação aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item subsequente.No primeiro período do segundo parágrafo, o sujeito da oração “Ninguém ignora” é simples, embora, do ponto de vista da interpretação, não se refira a uma pessoa determinada, definida.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Sujeito simples em “Ninguém ignora” — análise sintática
Gabarito: C — CERTO. O item está correto porque, na oração “Ninguém ignora”, o sujeito é simples — tem um único núcleo, o pronome indefinido “ninguém” — e, embora semanticamente indeterminado (não aponta uma pessoa específica), sintaticamente é determinado, pois está explícito na oração. A banca explora exatamente a diferença entre estrutura sintática (simples) e interpretação semântica (indeterminado).
A chave da questão
O comando pede um julgamento sobre aspectos linguísticos — mais precisamente, sobre a função sintática do termo “Ninguém” na oração “Ninguém ignora”. Para resolver, é preciso separar dois planos:
Plano sintático (estrutura): o sujeito é simples quando possui um único núcleo. Em “Ninguém ignora”, o núcleo é o pronome indefinido “ninguém”. Não há mais de um núcleo, logo, é sujeito simples.
Plano semântico (sentido): o pronome “ninguém” não se refere a uma pessoa determinada — é um pronome indefinido, que expressa ausência de referência específica. Isso, porém, não altera a classificação sintática.
O item afirma exatamente isso: o sujeito é simples, embora, do ponto de vista da interpretação, não se refira a uma pessoa determinada. A afirmação é verdadeira.
Por que “ninguém” não torna o sujeito indeterminado?
Muita gente confunde “sujeito indeterminado” com “sujeito de sentido vago”. São coisas distintas:
Sujeito indeterminado é um conceito sintático: ocorre quando o sujeito não está expresso na oração, mas existe. Isso acontece em duas situações:
Verbo na 3ª pessoa do plural sem referência explícita (ex.: “Falaram mal de você.”).
Verbo na 3ª pessoa do singular + partícula “se” (índice de indeterminação do sujeito) (ex.: “Precisa-se de empregados.”).
Sujeito simples é um conceito estrutural: tem um núcleo, esteja ele explícito ou não. Quando o núcleo está explícito, o sujeito é determinado — mesmo que o pronome seja indefinido.
No texto, “Ninguém ignora” tem o sujeito explícito (“Ninguém”). Portanto, é sujeito simples e determinado. A indeterminação é apenas semântica — o pronome indefinido não individualiza ninguém.
A pegadinha da banca
A banca arma uma troca de conceito: tenta fazer o candidato achar que “ninguém” (por ser indefinido) torna o sujeito indeterminado. Mas indeterminação sintática exige ausência do sujeito na oração, não um pronome de sentido vago. O item está certo porque reconhece a estrutura simples e, ao mesmo tempo, a vagueza semântica — sem confundir os planos.
Sujeito
1Plano sintático (estrutura)
Simples (1 núcleo)
Composto (2+ núcleos)
Indeterminado (não expresso)
2Plano semântico (sentido)
Determinado (referência específica)
Indeterminado (referência vaga)
3"Ninguém ignora"
Núcleo: "ninguém" (explícito)
Sujeito simples e determinado
Não é indeterminado (sintaticamente)
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NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre sujeito simples (estrutura) e sujeito indeterminado (sentido). O pronome indefinido “ninguém” é o núcleo do sujeito — logo, o sujeito é simples e determinado, ainda que semanticamente vago.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar sujeito, pergunte primeiro: “o sujeito está explícito na oração?”. Se sim, é determinado — a classificação em simples/composto depende do número de núcleos, não do sentido. Indeterminado só existe quando o sujeito não aparece.
Conclusão
O item está correto: “Ninguém ignora” apresenta sujeito simples (um único núcleo: “ninguém”), e a observação sobre a indeterminação semântica é pertinente — mas não altera a classificação sintática. Gabarito: letra C (CERTO).