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Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsCrase
Código
ce130897
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
AL-CE
Ano
2021
Nível
Superior
Texto CG1A1-I

      Ubuntu é uma filosofia moral e humanista africana que se fundamenta nas alianças e no relacionamento mútuo entre as pessoas. Nasce da ideia ancestral (datada de 1.500 anos a.C.) de que a força da comunidade vem do apoio comunitário e de que a dignidade e a identidade são alcançadas por meio do mutualismo, da empatia, da generosidade, do compromisso comunitário e do trabalho colaborativo em prol de si mesmo e dos demais. Nesse sentido, o ubuntu se diferencia da filosofia ocidental derivada do racionalismo iluminista, que coloca o indivíduo no centro da concepção de ser humano.
     Na realidade, ubuntu é a expressão compartida de vivências cotidianas. Consiste em uma forma de conhecimento aplicado que estimula a jornada rumo “ao tornar-se humano” ou “ao que nos torna humanos” ou, em seu sentido coletivo, a uma humanidade que transcende a alteridade em todos os níveis interpessoais.
     A noção fundamental da ética ubuntu é a “filosofia do nós”. Os princípios de partilha, preocupação e cuidado mútuos, além de solidariedade, são seus elementos constitutivos. Claramente, a ética ubuntu está baseada no altruísmo, na fraternidade e na colaboração entre as pessoas, bem como na bondade, na lealdade e na felicidade. Ubuntu e felicidade, inclusive, são ideias profundamente conectadas. No conceito africano, entende-se a felicidade como aquilo que faz bem a toda a coletividade ou ao outro.
      Na filosofia ubuntu, acredita-se que a pessoa só é humana por meio de sua pertença a um coletivo humano, que a humanidade de uma pessoa é definida por meio de sua humanidade para com os outros, que uma pessoa existe por meio da existência dos outros em uma relação indissociável consigo mesma, que o valor da humanidade está diretamente ligado à forma como a pessoa apoia a humanidade e a dignidade dos outros e, ainda, que a humanidade de uma pessoa é definida por seu compromisso ético com os outros, sejam eles quem forem.
       A ideia central de humanidade e colaboração mútua contida no ubuntu permite a aplicação dessa filosofia em qualquer atividade, tal como a política, a educação, os esportes, o direito, a medicina e a gestão de empresas. Na área de negócios, particularmente, o ubuntu está sendo traduzido para o mundo corporativo na forma de gestão participativa.
Internet: < www.rbac.org.br > (com adaptações). 
Mantendo-se a correção gramatical e os sentidos do texto CG1A1-I, poderia ser empregado o sinal indicativo de crase no termo “a” que aparece no trecho
  1. A“a alteridade” (segundo período do segundo parágrafo).
  2. B“a jornada” (segundo período do segundo parágrafo).
  3. C“a toda” (último período do terceiro parágrafo).
  4. D“a um coletivo humano” (quarto parágrafo).
  5. E“a uma humanidade” (segundo período do segundo parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “a alteridade” (segundo período do segundo parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase no texto CG1A1-I

Gabarito: letra A. A crase é possível apenas no trecho "a alteridade", pois o verbo "transcender" admite regência com preposição "a" (VTI), e "alteridade" é palavra feminina com artigo definido. Nas demais alternativas, a crase é impossível por regência ou pela presença de artigo indefinido ou pronome.

Alternativa

Trecho analisado

Verbo/Regência

Palavra após "a"

Crase possível?

Motivo

A

"transcende a alteridade"

VTI (transcender a)

Feminina com artigo definido

✅ Sim

Fusão preposição + artigo

B

"estimula a jornada"

VTD (estimular)

Feminina com artigo definido

❌ Não

Verbo não exige preposição

C

"faz bem a toda a coletividade"

VTI (fazer bem a)

Pronome indefinido "toda"

❌ Não

Preposição antes de pronome

D

"pertença a um coletivo"

VTI (pertencer a)

Masculina ("um")

❌ Não

Palavra masculina

E

"rumo a uma humanidade"

Locução (rumo a)

Feminina com artigo indefinido

❌ Não

Artigo indefinido ("uma")

Crase: regra geral
  • 1Antes de palavra feminina
    • Com artigo definido "a"
    • Antes de "uma" (artigo indefinido)
    • Antes de "toda" (pronome indefinido)
    • Antes de palavra masculina
  • 2Depende da regência
    • VTD (sem preposição) → sem crase
    • VTI (com preposição "a") → crase possível
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Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO No segundo período do segundo parágrafo, lê-se:

"a uma humanidade que transcende a alteridade em todos os níveis interpessoais"

O verbo "transcender" pode ser transitivo indireto (transcender a algo). "Alteridade" é substantivo feminino, e o artigo "a" está presente. Portanto, a fusão da preposição com o artigo é perfeitamente cabível: "à alteridade". Isso mantém o sentido original e a correção gramatical.

Alternativa B — ❌ Incorreta No mesmo período: "que estimula a jornada". O verbo "estimular" é transitivo direto (VTD), ou seja, não exige preposição. "A jornada" é objeto direto, não havendo crase. Erro: confusão entre VTD e VTI.

Alternativa C — ❌ Incorreta No último período do terceiro parágrafo: "que faz bem a toda a coletividade". A preposição "a" (exigida por "faz bem") está imediatamente antes de "toda", não antes do artigo "a" que acompanha "coletividade". Para haver crase, a preposição deveria estar em contato direto com o artigo feminino, o que não ocorre. Erro: desconhecer que antes de pronomes indefinidos como "toda" (quando seguido de artigo) a crase é vedada.

Alternativa D — ❌ Incorreta No quarto parágrafo: "por meio de sua pertença a um coletivo humano". "Um" é artigo indefinido masculino — a crase nunca ocorre antes de palavras masculinas. Erro: ignorar que o gênero do artigo impede a crase.

Alternativa E — ❌ Incorreta No mesmo período de A: "rumo a uma humanidade que transcende...". "Uma" é artigo indefinido feminino — a regra geral é que não há crase antes de artigo indefinido, salvo em locuções consagradas (que não é o caso). Erro: supor que a crase se aplica a qualquer palavra feminina.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a regência verbal (transcender) e a presença de termos que bloqueiam a crase: "toda", "um", "uma". O candidato pode achar que, por serem palavras femininas, a crase é sempre obrigatória — mas é necessário verificar se há artigo definido e se o termo rege preposição.

PEGA ESSA DICA!

Para testar a crase, substitua a expressão feminina por uma masculina equivalente. Se aparecer "ao", a crase é obrigatória; se aparecer "a o" separado, não há crase. Ex.: "transcende a alteridade" → "transcende ao (a o) indivíduo"? Não exatamente, mas note que "transcender a" (VTI) exige preposição, então a substituição por "ao" confirma a possibilidade de crase.

Conclusão: Apenas a alternativa A admite a crase, mantendo sentido e correção.

PEGA ESSA DICA!

Cara a cara não tem crase, isto é fácil de guardar; com palavra repetida não se deve 'crasear'

Em expressões com palavra feminina repetida (cara a cara, gota a gota, frente a frente, dia a dia) NÃO se usa crase.

— Crase — palavras repetidas

Gabarito: letra A

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