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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsSintaxe
Código
ce130899
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
AL-CE
Ano
2021
Nível
Superior
Texto CG1A1-I

      Ubuntu é uma filosofia moral e humanista africana que se fundamenta nas alianças e no relacionamento mútuo entre as pessoas. Nasce da ideia ancestral (datada de 1.500 anos a.C.) de que a força da comunidade vem do apoio comunitário e de que a dignidade e a identidade são alcançadas por meio do mutualismo, da empatia, da generosidade, do compromisso comunitário e do trabalho colaborativo em prol de si mesmo e dos demais. Nesse sentido, o ubuntu se diferencia da filosofia ocidental derivada do racionalismo iluminista, que coloca o indivíduo no centro da concepção de ser humano.
     Na realidade, ubuntu é a expressão compartida de vivências cotidianas. Consiste em uma forma de conhecimento aplicado que estimula a jornada rumo “ao tornar-se humano” ou “ao que nos torna humanos” ou, em seu sentido coletivo, a uma humanidade que transcende a alteridade em todos os níveis interpessoais.
     A noção fundamental da ética ubuntu é a “filosofia do nós”. Os princípios de partilha, preocupação e cuidado mútuos, além de solidariedade, são seus elementos constitutivos. Claramente, a ética ubuntu está baseada no altruísmo, na fraternidade e na colaboração entre as pessoas, bem como na bondade, na lealdade e na felicidade. Ubuntu e felicidade, inclusive, são ideias profundamente conectadas. No conceito africano, entende-se a felicidade como aquilo que faz bem a toda a coletividade ou ao outro.
      Na filosofia ubuntu, acredita-se que a pessoa só é humana por meio de sua pertença a um coletivo humano, que a humanidade de uma pessoa é definida por meio de sua humanidade para com os outros, que uma pessoa existe por meio da existência dos outros em uma relação indissociável consigo mesma, que o valor da humanidade está diretamente ligado à forma como a pessoa apoia a humanidade e a dignidade dos outros e, ainda, que a humanidade de uma pessoa é definida por seu compromisso ético com os outros, sejam eles quem forem.
       A ideia central de humanidade e colaboração mútua contida no ubuntu permite a aplicação dessa filosofia em qualquer atividade, tal como a política, a educação, os esportes, o direito, a medicina e a gestão de empresas. Na área de negócios, particularmente, o ubuntu está sendo traduzido para o mundo corporativo na forma de gestão participativa.
Internet: < www.rbac.org.br > (com adaptações). 
No segundo parágrafo do texto CG1A1-I, o trecho “a uma humanidade que transcende a alteridade em todos os níveis interpessoais” funciona sintaticamente como complemento do termo
  1. A“estimula”.
  2. B“conhecimento”.
  3. C“aplicado”.
  4. D“jornada”.
  5. E“rumo”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “rumo”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sintaxe — complemento do termo “rumo”

Gabarito: letra E. O trecho “a uma humanidade que transcende a alteridade em todos os níveis interpessoais” funciona sintaticamente como complemento do termo “rumo”. A banca cobra a identificação do termo que rege esse complemento preposicionado. A prova está no próprio texto: a frase “que estimula a jornada rumo ‘ao tornar-se humano’ ou ‘ao que nos torna humanos’ ou, em seu sentido coletivo, a uma humanidade que transcende a alteridade...” mostra que a expressão a uma humanidade é o terceiro elemento da série coordenada que completa o sentido de “rumo” (rumo a algo).

“que estimula a jornada rumo “ao tornar-se humano” ou “ao que nos torna humanos” ou, em seu sentido coletivo, a uma humanidade que transcende a alteridade em todos os níveis interpessoais”

A preposição “a” antes de “uma humanidade” é regida pelo substantivo “rumo”, formando o complemento nominal. Nenhuma outra palavra da oração exige essa preposição.

Alternativa A — “estimula” — ❌ Incorreta

O verbo “estimula” tem como complemento direto “a jornada” (objeto direto), não a expressão preposicionada. A frase “a uma humanidade...” não se liga diretamente a “estimula”. Extrapolação: o candidato pode pensar que o verbo rege a preposição “a”, mas “estimula” é transitivo direto (estimula algo).

Alternativa B — “conhecimento” — ❌ Incorreta

“Conhecimento” é o núcleo do objeto de “é” (é uma forma de conhecimento). A ele se liga o adjetivo “aplicado”, mas não há relação de complemento com a expressão “a uma humanidade”. Troca de conceito: confunde-se o termo que recebe complemento nominal.

Alternativa C — “aplicado” — ❌ Incorreta

“Aplicado” é um adjetivo que modifica “conhecimento”. Não rege complemento preposicionado nesse trecho. Fora do escopo: a expressão questionada não se relaciona sintaticamente com “aplicado”.

Alternativa D — “jornada” — ❌ Incorreta

“Jornada” é o objeto direto de “estimula”. Embora “jornada” possa ser seguida de complemento (“jornada rumo a...”), o trecho em destaque não é complemento de “jornada”, mas sim do termo “rumo”. A expressão “a uma humanidade...” está no mesmo nível que “ao tornar-se humano” e “ao que nos torna humanos”, todos complementos de “rumo”. Contradiz o texto: ao afirmar que o complemento é de “jornada”, inverte-se a relação sintática.

Alternativa E — “rumo” — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, a preposição “a” é regida pelo substantivo “rumo”, formando um complemento nominal. A série “ao tornar-se humano”, “ao que nos torna humanos” e “a uma humanidade...” são coordenadas e todas complementam “rumo”. A banca explora a estrutura de paralelismo sintático. Dica: em casos de coordenação, identifique o termo que rege a preposição comum a todos os elementos.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

Gabarito: letra E

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