Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021
Português›Interpretação de Textos
Código
ce130903
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
AL-CE
Ano
2021
Nível
Superior
Texto 13A2-III
Muitos profissionais de jornalismo digital têm norteado
sua produção visando ao atingimento de métricas de audiência.
Entretanto, confundir indicadores de audiência com atributos de
qualidade, confiança e credibilidade é um grande erro que pode
estimular ainda mais a narrativa de desqualificação do jornalismo
profissional. A audiência é imprescindível para o jornalismo,
mas, sem a existência da credibilidade percebida, ela tenderá a
desqualificar a importância da prática jornalística profissional,
trazendo consequências mais graves em longo prazo.
Leonel de Azevedo Aguiar e Luciana Alcantara Roxo. A credibilidade jornalística
como crítica à “cultura da desinformação”: uma contribuição ao debate sobre
fake news. Revista Mídia e Cotidiano, v. 13, n. 3, dez. 2019, p. 182-183 (com adaptações).
No texto 13A2-III, destaca-se uma falha argumentativa, conhecida como
Afalsa causa.
Bafirmação do consequente.
Capelo à quantidade.
Dgeneralização apressada.
Eargumento de autoridade.
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GabaritoC — apelo à quantidade.
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Falácia argumentativa no texto sobre jornalismo digital
Gabarito: letra C. O texto destaca uma falha argumentativa conhecida como apelo à quantidade, pois critica a prática de "nortear a produção visando ao atingimento de métricas de audiência" — ou seja, usar a quantidade (de cliques, visualizações) como critério de qualidade. A passagem que ancora essa leitura é:
"Muitos profissionais de jornalismo digital têm norteado sua produção visando ao atingimento de métricas de audiência. Entretanto, confundir indicadores de audiência com atributos de qualidade, confiança e credibilidade é um grande erro"
O autor aponta que quantidade (audiência) não é qualidade — exatamente a essência do apelo à quantidade: tomar o número como prova de valor. As demais alternativas descrevem outras falácias que não estão presentes no texto.
O que é apelo à quantidade?
O apelo à quantidade (ou argumentum ad populum) é uma falácia em que se considera algo verdadeiro ou bom simplesmente porque muitas pessoas acreditam ou porque há grande adesão. No texto, a crítica é clara: audiência (quantidade) não equivale a qualidade, confiança ou credibilidade. O autor não nega a importância da audiência — ele diz que ela é "imprescindível" —, mas alerta que confundir os dois planos é um erro.
Falácias argumentativas: Apelo à quantidade (gabarito) (Quantidade ≠ qualidade, Audiência ≠ credibilidade); Falsa causa (Sequência temporal ≠ causalidade); Afirmação do consequente ("Se P então Q" + Q ≠ P); Generalização apressada (Amostra insuficiente); Argumento de autoridade (Autoridade como prova)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Falsa causa (ou post hoc ergo propter hoc) é a falácia de supor que, porque um evento segue outro, o primeiro causou o segundo. O texto não estabelece nenhuma relação causal indevida; ele apenas afirma que confundir audiência com qualidade é um erro. Não há sequência temporal sendo tratada como causal. Erro: troca de conceito — a alternativa nomeia uma falácia que não corresponde ao que o texto faz.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirmação do consequente é uma falácia lógica formal: de "se P então Q" e Q, conclui-se P. O texto não apresenta nenhuma estrutura condicional desse tipo. Ele apenas faz uma crítica direta à confusão entre métricas e qualidade. Erro: troca de conceito — a alternativa descreve uma falácia formal que não aparece no texto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como explicado, o texto critica exatamente o apelo à quantidade: usar métricas de audiência como se fossem indicadores de qualidade. A passagem decisiva é:
"confundir indicadores de audiência com atributos de qualidade, confiança e credibilidade é um grande erro"
Aqui está a essência da falácia: quantidade (audiência) tomada como qualidade. O autor não diz que audiência é irrelevante, mas que ela não pode ser confundida com credibilidade. Portanto, a falha argumentativa destacada é o apelo à quantidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Generalização apressada é concluir algo sobre um grupo a partir de uma amostra pequena ou não representativa. O texto não generaliza a partir de casos particulares; ele faz uma afirmação sobre a prática de muitos profissionais, mas sem basear-se em amostra insuficiente. Erro: troca de conceito — a alternativa nomeia outra falácia, que não é a do texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Argumento de autoridade é apelar a uma autoridade (pessoa, instituição) como prova. O texto não cita nenhuma autoridade para sustentar sua tese; ele argumenta com base em raciocínio próprio. Erro: troca de conceito — a alternativa descreve uma falácia que não está presente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece distratores que são falácias conhecidas, mas que não correspondem ao que o texto faz. A chave é identificar qual falácia o texto critica — e o texto critica exatamente o apelo à quantidade, ao dizer que audiência não é qualidade.
NÃO CAIA NESSA!
Ao identificar falácias, pergunte-se: "qual é o raciocínio defeituoso que o autor aponta?" No texto, o defeito é tomar quantidade como qualidade — isso é apelo à quantidade. Não confunda com outras falácias que envolvem causa, lógica formal, generalização ou autoridade.