Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2021
- Código
- ce132017
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TCE-RJ
- Ano
- 2021
- Nível
- Superior

- CCerto
- EErrado

GabaritoE — Errado
Gabarito: E (ERRADO). A expressão “mesmo que” (l.3) tem valor concessivo — introduz uma ressalva, um fato que não impede a realização do que se afirma —, ao passo que “entretanto” é conjunção adversativa, que marca oposição/contraposição entre ideias. Substituir uma pela outra altera o sentido original e, além disso, quebra a estrutura sintática do período, pois “mesmo que” inicia uma oração subordinada adverbial concessiva, enquanto “entretanto” liga orações coordenadas. Como se lê no trecho:
“Por certo, não teria acordado muito mais tarde, mesmo que ninguém o perturbasse, pois se sentia suficientemente descansado e refeito”
Aqui, “mesmo que ninguém o perturbasse” expressa uma condição contrária (concessão): o despertar ocorreria apesar de ninguém o perturbar. Já “entretanto” exigiria uma ideia de contraste com o que foi dito antes, o que não existe nesse ponto do texto. Portanto, a troca não preserva o sentido — o item está errado.
A questão testa o valor semântico dos conectivos e a reescritura sem alteração de sentido. O comando pede que se julgue se a substituição é possível “sem prejuízo do sentido original”. Para acertar, é preciso:
Identificar a relação que o conectivo original estabelece no período.
Conferir se o conectivo proposto estabelece a mesma relação.
Verificar a estrutura sintática: “mesmo que” é locução conjuntiva subordinativa; “entretanto” é conjunção coordenativa adversativa.
No trecho, “mesmo que” introduz uma oração subordinada adverbial concessiva. A concessão expressa um fato que se admite, mas que não impede a ação principal. Veja:
Oração principal: “não teria acordado muito mais tarde”
Oração concessiva: “mesmo que ninguém o perturbasse”
O sentido é: “não teria acordado mais tarde, apesar de ninguém o perturbar”. A ideia é de concessão (fato contrário, porém irrelevante para a conclusão).
“Entretanto” é uma conjunção coordenativa adversativa, usada para ligar duas orações independentes e marcar oposição entre elas. Exemplo: “Estava cansado; entretanto, continuou trabalhando.”
No texto, não há duas orações coordenadas com ideias opostas; há uma oração principal e uma subordinada concessiva. Trocar “mesmo que” por “entretanto”:
Altera o sentido: de concessão para adversidade.
Quebra a sintaxe: “entretanto” não pode introduzir uma oração subordinada; exigiria reestruturação do período.
Portanto, a substituição não é possível sem prejuízo do sentido.
A afirmativa de que a substituição seria possível sem prejuízo do sentido é falsa. Como demonstrado, “mesmo que” (concessivo) e “entretanto” (adversativo) têm valores semânticos distintos e funções sintáticas diferentes. A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que ambos são conectivos de “oposição”, mas a concessão não é o mesmo que adversidade: na concessão, admite-se um fato contrário sem que ele impeça a conclusão; na adversidade, há uma contraposição direta entre duas ideias.
A banca explora a confusão entre concessão e adversidade. Embora ambos os conectivos possam aparecer em contextos de “oposição”, eles têm naturezas diferentes: “mesmo que” é subordinativo (concessivo), “entretanto” é coordenativo (adversativo). A troca altera o sentido e a estrutura do período.
Ao julgar substituições de conectivos, pergunte-se: qual relação lógica o conectivo original estabelece? (causa, concessão, condição, oposição, conclusão...). Depois, verifique se o conectivo proposto estabelece a mesma relação. Se não, a troca altera o sentido.
Conclusão: como a banca pediu para julgar se a substituição é possível “sem prejuízo do sentido”, e a troca altera o sentido (concessão → adversidade) e quebra a estrutura sintática, o item está ERRADO.
Gabarito: letra E
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