Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021
Português›Interpretação de Textos
Código
ce132075
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TJ-RJ
Ano
2021
Nível
Superior
Texto CG1A1-II
Rejeito as doutrinas do arbítrio; abomino as ditaduras de
todo gênero, militares, ou científicas, coroadas, ou populares;
detesto os estados de sítio, as suspensões de garantias, as razões
de estado, as leis de salvação pública; odeio as combinações
hipócritas do absolutismo dissimulado sob as formas
democráticas e republicanas; oponho-me aos governos de seitas,
aos governos de facção, aos governos de ignorância; e, quando
esta se traduz pela abolição geral das grandes instituições
docentes, isto é, pela hostilidade radical à inteligência do país nos
focos mais altos de sua cultura, a estúpida selvageria dessa
fórmula administrativa impressiona-me como o bramir de um
oceano de barbaria ameaçando as fronteiras de nossa
nacionalidade.
Rui Barbosa. Discursos, Orações e Conferências.
Livraria e Editora Iracema: São Paulo, p. 95-96.
No texto CG1A1-II, os termos “Rejeito”, “abomino”, “detesto”, “odeio” e “oponho-me” (que iniciam as cinco primeiras orações, respectivamente)
Aconstituem orações que estabelecem, entre si, relação de subordinação.
Bexpressam um tipo de ordem.
Cassumem as formas Rejeitamos, abominamos, detestamos, odiamos e opomos-nos, respectivamente, se flexionados na primeira pessoa do plural.
Dexpressam a opinião do narrador, mediante referência à primeira pessoa do singular na flexão do verbo.
Eassumem as formas Rejeitarei, abominei, detestarei, odiarei e opor-me-ei, respectivamente, se flexionadas no tempo futuro.
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GabaritoD — expressam a opinião do narrador, mediante referência à primeira pessoa do singular na flexão do verbo.
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Flexão verbal de pessoa e a voz do enunciador no texto de Rui Barbosa
Gabarito: letra D. Os verbos "Rejeito", "abomino", "detesto", "odeio" e "oponho-me" estão flexionados na primeira pessoa do singular (eu), e é exatamente essa flexão que marca a opinião do narrador/enunciador — como se lê no texto: "Rejeito as doutrinas do arbítrio; abomino as ditaduras...; detesto os estados de sítio...; odeio as combinações hipócritas...; oponho-me aos governos de seitas". A desinência número-pessoal -o (e o pronome átono -me) remete ao sujeito implícito "eu", revelando um discurso em primeira pessoa que expõe juízos de valor do autor.
A questão é de morfologia verbal (flexão de pessoa) aplicada ao texto: o comando pergunta o que os termos "fazem" no enunciado. A chave está em reconhecer que todos os verbos estão no presente do indicativo, 1ª pessoa do singular, e que essa escolha gramatical é o veículo da subjetividade — o autor não relata fatos impessoais, mas manifesta suas convicções.
Verbos: Rejeito, abomino, detesto, odeio, oponho-me: Flexão (1ª pessoa do singular (eu), Presente do indicativo, Desinência -o / pronome -me); Função no texto (Marcam opinião do narrador, Discurso subjetivo (juízos de valor)); Orações (Coordenadas assindéticas, Independentes entre si)
Alternativa A — ❌ Incorreta
As orações iniciadas por esses verbos são coordenadas assindéticas (ligadas por vírgula e ponto e vírgula, sem conjunção), ou seja, sintaticamente independentes entre si. Não há relação de subordinação — nenhuma oração exerce função sintática dentro da outra. O texto não traz conectivo subordinativo (como "que", "se", "embora") ligando essas cinco orações. A alternativa troca o conceito: confunde coordenação com subordinação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os verbos estão no modo indicativo, que expressa certeza, fato, e não no imperativo, que é o modo da ordem/pedido. "Rejeito", "abomino" etc. são formas do presente do indicativo (eu rejeito, eu abomino...), não do imperativo (rejeite você, abomine você...). Não há, no texto, qualquer valor de comando ou exortação ao interlocutor. A alternativa contradiz o texto ao atribuir aos verbos um valor modal que eles não têm.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A flexão na primeira pessoa do plural (nós) seria: rejeitamos, abominamos, detestamos, odiamos e opomo-nos (ou "nos opomos"). A forma "opomos-nos" está incorreta quanto à colocação pronominal: com verbo no futuro do presente ou no particípio, admite-se ênclise (opor-nos-emos), mas no presente do indicativo a forma pronominal correta é "opomo-nos" (ênclise) — e a alternativa escreve "opomos-nos", que é a forma errada (o pronome "nos" não pode ficar depois de forma verbal terminada em -s sem hífen? Na verdade, "opomos-nos" é a forma correta com ênclise; o erro da alternativa está em "opomos-nos"? Vamos analisar: o verbo "opor" na 1ª pessoa do plural é "opomos"; com pronome átono, a ênclise exige hífen: "opomo-nos" (pois o verbo perde o -s antes do pronome "nos": opomos + nos = opomo-nos). A alternativa escreve "opomos-nos", mantendo o -s, o que é incorreto — o certo é "opomo-nos". Portanto, a forma "opomos-nos" está errada; a forma correta seria "opomo-nos". Além disso, a alternativa não é o que o texto pede: ela apenas propõe uma flexão, mas o texto está na 1ª pessoa do singular. A alternativa erra a forma verbal (troca de desinência) e foge ao foco da questão.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Todos os verbos estão na primeira pessoa do singular do presente do indicativo: "Rejeito", "abomino", "detesto", "odeio" e "oponho-me". A desinência -o (e o pronome -me em "oponho-me") indica o sujeito "eu". Esse sujeito é o narrador/enunciador do texto, que expressa suas opiniões — rejeitar, abominar, detestar, odiar e opor-se são verbos de atitude valorativa. O texto é um discurso de primeira pessoa que manifesta juízos do autor, e a flexão verbal é o mecanismo gramatical que materializa essa subjetividade. A alternativa parafraseia fielmente o que o texto e a gramática autorizam.
Alternativa E — ❌ Incorreta
As formas no futuro do presente seriam: rejeitarei, abominarei, detestarei, odiarei e opor-me-ei. A alternativa apresenta "abominei" (que é pretérito perfeito: eu abominei) e "detestarei" (futuro, correto), mas "abominei" está no pretérito, não no futuro. Além disso, "oponho-me" no futuro é "opor-me-ei" (correto), mas a alternativa mistura tempos: "Rejeitarei" (futuro), "abominei" (pretérito), "detestarei" (futuro), "odiarei" (futuro), "opor-me-ei" (futuro). A presença de "abominei" torna a alternativa incorreta — ela não apresenta todas as formas no futuro. A alternativa erra a flexão de tempo de um dos verbos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a troca de tempo verbal na alternativa E ("abominei" no lugar de "abominarei") e a forma pronominal errada na C ("opomos-nos" em vez de "opomo-nos"). Fique atento às desinências: a 1ª pessoa do singular do presente termina em -o; o futuro do presente, em -ei; o pretérito perfeito, em -ei (para verbos de 1ª conjugação) ou -i (para os demais).
PEGA ESSA DICA!
Ao ver verbos no início de orações, identifique pessoa, número, tempo e modo antes de ler as alternativas. A desinência número-pessoal é a pista decisiva: -o = eu (presente), -mos = nós, -ei = eu (futuro), -ei (pretérito) = eu (1ª conj.).