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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce132077
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TJ-RJ
Ano
2021
Nível
Superior
Texto CG1A1-II

   Rejeito as doutrinas do arbítrio; abomino as ditaduras de todo gênero, militares, ou científicas, coroadas, ou populares; detesto os estados de sítio, as suspensões de garantias, as razões de estado, as leis de salvação pública; odeio as combinações hipócritas do absolutismo dissimulado sob as formas democráticas e republicanas; oponho-me aos governos de seitas, aos governos de facção, aos governos de ignorância; e, quando esta se traduz pela abolição geral das grandes instituições docentes, isto é, pela hostilidade radical à inteligência do país nos focos mais altos de sua cultura, a estúpida selvageria dessa fórmula administrativa impressiona-me como o bramir de um oceano de barbaria ameaçando as fronteiras de nossa nacionalidade. 

Rui Barbosa. Discursos, Orações e Conferências.
Livraria e Editora Iracema: São Paulo, p. 95-96.
Do trecho “e, quando esta se traduz pela abolição geral das grandes instituições docentes, isto é, pela hostilidade radical à inteligência do país nos focos mais altos de sua cultura, a estúpida selvageria dessa fórmula administrativa impressiona-me como o bramir de um oceano de barbaria ameaçando as fronteiras de nossa nacionalidade”, do texto CG1A1-II, infere-se que
  1. Aos bárbaros atravessam os oceanos para bramir suas ameaças às fronteiras da nacionalidade.
  2. Ba selvageria da fórmula administrativa que hostiliza as instituições docentes é uma barbaridade que ameaça as fronteiras da nacionalidade.
  3. Co bramir do oceano ameaça as fronteiras nacionais tanto quanto a selvageria estúpida das fórmulas administrativas que hostilizam a cultura nacional.
  4. Das instituições docentes são ameaçadas quando a selvageria da fórmula administrativa hostiliza as fronteiras da nacionalidade, admitindo a invasão estrangeira.
  5. Ea hostilidade da fórmula administrativa aos focos mais elevados da cultura nacional é uma selvageria que ameaça a inteligência dos docentes do país, tal como a ameaça às fronteiras da nacionalidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — a selvageria da fórmula administrativa que hostiliza as instituições docentes é uma barbaridade que ameaça as fronteiras da nacionalidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre a metáfora do "oceano de barbaria" — Gabarito: B

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que parafraseia fielmente o trecho: a "selvageria da fórmula administrativa" (a abolição das instituições docentes) é comparada a um "bramir de um oceano de barbaria" que ameaça as fronteiras da nacionalidade. O texto diz literalmente: "a estúpida selvageria dessa fórmula administrativa impressiona-me como o bramir de um oceano de barbaria ameaçando as fronteiras de nossa nacionalidade". A banca pede uma inferência ("infere-se"), mas a resposta correta é, na verdade, uma paráfrase direta — reescrita com outras palavras, sem acrescentar nada. As demais alternativas extrapolam ou invertem a relação metafórica.

A chave de resolução

O comando "infere-se" pede uma conclusão ancorada em pistas do texto, não uma invenção. Aqui, a metáfora central é: a fórmula administrativa (abolir as grandes instituições docentes) é como um oceano de barbaria que ameaça a nacionalidade. A comparação é explícita pelo conectivo "como". Toda alternativa que tratar "oceano" ou "bárbaros" como elementos literais (pessoas atravessando oceanos) erra por extrapolação — o texto usa linguagem figurada.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (literalidade indevida). A alternativa lê a metáfora ao pé da letra: "os bárbaros atravessam os oceanos para bramir suas ameaças". O texto não fala de bárbaros reais nem de travessia de oceanos. O "oceano de barbaria" é comparação (metáfora) para a selvageria da fórmula administrativa. Não há qualquer sujeito "bárbaros" agindo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. Paráfrase exata do trecho: a "selvageria da fórmula administrativa" (que hostiliza as instituições docentes) é uma "barbaridade" que ameaça as fronteiras da nacionalidade. O texto: "a estúpida selvageria dessa fórmula administrativa impressiona-me como o bramir de um oceano de barbaria ameaçando as fronteiras de nossa nacionalidade". A alternativa apenas troca "bramir de um oceano de barbaria" por "barbaridade" — sinônimo contextual — e mantém a relação de ameaça. Nada é acrescentado ou suprimido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (inverte a comparação). A alternativa diz que "o bramir do oceano ameaça as fronteiras nacionais tanto quanto a selvageria". No texto, não há dois elementos ameaçadores: há um só — a selvageria da fórmula administrativa — que é comparada ao bramir do oceano. O oceano é termo de comparação, não agente real. A alternativa cria uma relação de igualdade entre dois elementos que o texto não estabelece.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto (inverte a relação de ameaça). A alternativa afirma que "as instituições docentes são ameaçadas quando a selvageria da fórmula administrativa hostiliza as fronteiras". No texto, quem é ameaçado são as "fronteiras de nossa nacionalidade", não as instituições docentes. As instituições docentes são o objeto da abolição ("abolição geral das grandes instituições docentes"), não o alvo da ameaça. Além disso, a alternativa introduz "invasão estrangeira", que não existe no texto — pura extrapolação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de referente (desloca o alvo da ameaça). A alternativa diz que a selvageria "ameaça a inteligência dos docentes do país". O texto fala em "hostilidade radical à inteligência do país" — ou seja, a inteligência do país (a cultura nacional), não a "inteligência dos docentes". A alternativa restringe o alcance: troca "inteligência do país" por "inteligência dos docentes", mudando o referente. Além disso, o texto não diz que a ameaça é "tal como a ameaça às fronteiras" — a ameaça é única e atinge as fronteiras da nacionalidade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a metáfora do "oceano de barbaria" para induzir o candidato a ler literalmente (alternativa A) ou a inverter a relação de comparação (alternativas C e D). A correta é a que mantém a paráfrase sem deslocar o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "como" em uma comparação, identifique quem é comparado a quê. Aqui: a fórmula administrativa é comparada ao oceano de barbaria. Toda alternativa que tratar o oceano como agente real ou que deslocar o alvo da ameaça está errada.

Gabarito: letra B.

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