Questão de Direitos Humanos — Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos: Instituições — CESPE / CEBRASPE 2022
Direitos Humanos›Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos: Instituições
Código
ce135194
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
DPE-TO
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Defensor Público Substituto
Acerca da Corte Interamericana de Direitos Humanos, assinale a opção correta.
AAs supostas vítimas, seus familiares ou seus representantes não possuem capacidade postulatória, assim, não podem apresentar petições, argumentos e provas de forma autônoma, sempre dependendo da participação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
BUma petição somente será aceita, se forem interpostos e esgotados os recursos da jurisdição interna, regra que não comporta exceção.
CA partir dos chamados Casos Hondurenhos, a Corte Interamericana passou a flexibilizar a regra para casos envolvendo o desaparecimento forçado, em uma presunção a favor das vítimas.
DNo Caso Povo Indígena Xucuru, a Corte entendeu que o ônus da demonstração do esgotamento dos recursos internos é de quem alega, assim desincumbiu o Estado brasileiro de tal demonstração, sob o fundamento de que a inversão do ônus acarretaria a chamada "prova diabólica".
EEm casos de extrema gravidade e urgência, além de ser medida necessária para evitar prejuízos irreparáveis, poderão ser ordenadas medidas provisórias, somente a pedido das partes.
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GabaritoC — A partir dos chamados Casos Hondurenhos, a Corte Interamericana passou a flexibilizar a regra para casos envolvendo o desaparecimento forçado, em uma presunção a favor das vítimas.
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Corte Interamericana de Direitos Humanos
Gabarito: letra C. A flexibilização da regra de esgotamento dos recursos internos para casos de desaparecimento forçado, a partir dos Casos Hondurenhos (Velásquez Rodríguez e Godínez Cruz), é um marco jurisprudencial da Corte Interamericana, que passou a adotar uma presunção favorável às vítimas. As demais alternativas contêm erros quanto à capacidade postulatória das vítimas, à inexistência de exceções ao esgotamento, ao ônus da prova no caso Xucuru e à possibilidade de medidas provisórias de ofício.
Corte Interamericana de Direitos Humanos
1Esgotamento dos recursos internos
Regra geral (art. 46 CADH)
Exceções
Demora injustificada
Impossibilidade de esgotar
Violação ao devido processo
Flexibilização (Casos Hondurenhos)
Desaparecimento forçado
Presunção favorável às vítimas
Ônus da prova: Estado
2Capacidade postulatória
Vítimas, familiares ou representantes
Autonomia (reforma 2009)
Não dependem da Comissão
3Medidas provisórias
Extrema gravidade e urgência
Prejuízo irreparável
Podem ser de ofício
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as supostas vítimas não possuem capacidade postulatória autônoma, dependendo sempre da Comissão. Isso é incorreto: a partir da reforma do Regulamento da Corte em 2009, as vítimas, seus familiares ou representantes podem apresentar petições, argumentos e provas de forma autônoma, sem necessidade de intermediação da Comissão. A alternativa contraria o direito de participação direta das vítimas no processo perante a Corte.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sustenta que a petição só será aceita se esgotados os recursos internos, regra que não comporta exceção. A Convenção Americana sobre Direitos Humanos (art. 46) prevê exceções, como a demora injustificada na decisão interna, a impossibilidade de esgotar os recursos e a violação ao devido processo legal. A regra não é absoluta; a própria Corte já reconheceu hipóteses de dispensa do esgotamento.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os chamados Casos Hondurenhos (Corte IDH, 1988) estabeleceram que, em situações de desaparecimento forçado, inverte-se o ônus probatório quanto ao esgotamento dos recursos internos, em presunção favorável às vítimas. A Corte entendeu que o Estado, ao negar a detenção, dificulta a comprovação do esgotamento, cabendo a ele demonstrar que os recursos internos eram efetivos e disponíveis. Essa flexibilização é pacífica na jurisprudência interamericana.
Alternativa D — ❌ Incorreta
No Caso Povo Indígena Xucuru vs. Brasil (2018), a Corte entendeu que o ônus da demonstração do esgotamento dos recursos internos recai sobre quem alega a exceção, ou seja, o Estado. Não houve "desincumbência" do Estado brasileiro, nem fundamentação baseada em "prova diabólica". A decisão reafirmou que, uma vez alegado o esgotamento pela vítima, é o Estado quem deve provar que os recursos não foram esgotados. A alternativa inverte o ônus.
Alternativa E — ❌ Incorreta
As medidas provisórias, previstas no art. 63, §2º, da Convenção Americana, podem ser ordenadas de ofício pela Corte, independentemente de pedido das partes, em casos de extrema gravidade e urgência para evitar danos irreparáveis. A alternativa restringe indevidamente a iniciativa à solicitação das partes.
Gabarito: letra C — correta apenas a alternativa C.