Disfonias: sintomas, classificação e etiologia
Gabarito: letra D. A alternativa D define corretamente os sintomas vocais como queixas subjetivas relatadas pelo paciente, que podem decorrer de diversos fatores etiológicos (alergias, hábitos nocivos, tabagismo, etc.), alinhando-se à definição clássica de disfonia na literatura fonoaudiológica (Behlau, 2001; Boone & McFarlane, 2000). As demais alternativas apresentam imprecisões ou afirmações falsas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os sintomas vocais são classificados apenas como auditivos e proprioceptivos, incluindo exemplos como rouquidão, voz fraca, tremor e dificuldade de atingir agudos. Embora essa classificação exista, ela é incompleta: a literatura também considera sintomas orgânicos e funcionais. Além disso, a mistura de exemplos (rouquidão é auditivo; dificuldade de atingir agudos pode ser proprioceptivo) não é o erro principal, e sim o fato de a alternativa não abranger outras classificações aceitas (ex.: perceptivo-auditivas, autoavaliação). Contudo, o maior problema é que a alternativa é muito genérica e não reflete a classificação mais precisa utilizada em provas. A banca considera que os sintomas vocais são queixas subjetivas (como na D), e não apenas uma lista de exemplos. Portanto, está incorreta por ser menos abrangente e por não definir o conceito de sintoma vocal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“Os sintomas vocais são incomensuráveis devido à falta de especificidade e sensibilidade para discriminar os pacientes disfônicos dos vocalmente saudáveis.” Essa afirmação é falsa. Existem instrumentos validados para mensurar sintomas vocais, como o Índice de Desvantagem Vocal (IDV), o Questionário de Qualidade de Vida em Voz (QVV), e a análise perceptivo-auditiva (escala GRBASI). Tais ferramentas demonstram especificidade e sensibilidade para diferenciar grupos disfônicos de não disfônicos. Portanto, os sintomas são mensuráveis e a afirmativa está errada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“O sintoma de rouquidão é o mais comum nos quadros de disfonia, não decorre do abuso vocal ou do uso inadequado da voz, além de não estar associado às alterações de vias aéreas superiores.” A rouquidão é de fato o sintoma mais prevalente na disfonia (Behlau, 2005). No entanto, ela frequentemente decorre de abuso vocal (ex.: nódulos, edemas de Reinke) e está associada a alterações de vias aéreas superiores, como laringites, gripes e resfriados. A alternativa erra ao negar essas relações, contrariando a literatura clássica.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa define os sintomas vocais como queixas relacionadas à voz, descritas e relatadas pelo próprio indivíduo, e aponta fatores etiológicos como distúrbios alérgicos, hábitos nocivos, fumo e álcool. Essa definição está de acordo com a literatura: disfonia é qualquer dificuldade na produção vocal, e os sintomas são expressões subjetivas do paciente (Colton & Casper, 1996). Além disso, os fatores listados são reconhecidos como causas comuns de disfonia (Murry & Rosen, 2002). Portanto, a alternativa está correta e completa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“Os fatores etiológicos que ocasionam os distúrbios vocais não influenciam a autopercepção do paciente, pois ele percebe que, muitas vezes, realiza a emissão vocal com esforço e tensão.” A premissa é contraditória: se o paciente percebe esforço e tensão, isso é influenciado pelos fatores etiológicos (ex.: nódulo vocal causa esforço; refluxo causa rouquidão). A autopercepção do esforço/tensão é justamente um reflexo da etiologia subjacente. Logo, a afirmação de que os fatores etiológicos “não influenciam” é falsa.
Gabarito: letra D.