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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsSintaxe
Código
ce146036
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEE-PE
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Assistente Administrativo Educacional

Texto CG3A1-I


        Antes de mais nada, há a liberdade suspensiva oferecida pela caminhada, mesmo que seja um simples passeio: livrar-se da carga das preocupações, esquecer por algum tempo os afazeres. Optamos por não levar o escritório conosco: saímos, flanamos, pensamos em outras coisas. Com as excursões de vários dias, acentua-se o movimento de desapego: escapamos das obrigações do trabalho, libertamo-nos do jugo dos hábitos. Mas em que aspecto caminhar nos faria sentir essa liberdade mais do que numa longa viagem? Afinal, surgem outras limitações não menos penosas: o peso da mochila, a duração das etapas, a incerteza do tempo (ameaças de chuva ou de tempestade, calor sufocante), a rusticidade dos albergues, algumas dores... Mas só a caminhada consegue nos libertar das ilusões do indispensável. Como tal, ela permanece o reino de poderosas necessidades. Para chegar a determinada etapa, é preciso caminhar tantas horas, que correspondem a tantos passos; a improvisação é limitada, pois não estamos percorrendo caminhos de jardim e não podemos nos enganar nos entroncamentos, sob pena de pagar um preço muito alto. Quando a neblina invade a montanha ou uma chuva torrencial começa a cair, é preciso seguir, continuar. A comida e a água são objeto de cálculos precisos, em função do percurso e dos mananciais. Sem falar no desconforto. Ora, o milagre não é ficarmos felizes apesar disso, mas graças a isso. Quero dizer que não dispor de múltiplas opções de comida ou de bebida, estar submetido à grande fatalidade das condições climáticas, contar somente com a regularidade do próprio passo, tudo isso faz, de pronto, que a profusão da oferta (de mercadorias, de transportes, de conexões) e a multiplicação das facilidades (de comunicar, de comprar, de circular) nos pareçam outras tantas formas de dependência. Todas essas microlibertações não passam de acelerações do sistema, que me aprisiona com mais força. Tudo o que me liberta do tempo e do espaço me afasta da velocidade.

Frédéric Gros. Caminhar: uma filosofia.

São Paulo:Ubu Editora, 2021, p. 13-14 (com adaptações).

No que se refere a aspectos morfossintáticos do texto CG3A1-I, julgue o item subsecutivo.Se o vocábulo “objeto” (décimo período) fosse flexionado no plural — objetos —, a correção gramatical do texto seria prejudicada.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Flexão de número de “objeto” — a concordância nominal permanece íntegra

Gabarito: Errado (E). A flexão de “objeto” para o plural não prejudica a correção gramatical do texto, pois o termo é núcleo de um adjunto adnominal que concorda com o substantivo “cálculos” — e “cálculos precisos” admite, sem qualquer vício, o plural “objetos”. A passagem que ancora o veredito é: “A comida e a água são objeto de cálculos precisos”.

A questão é de morfossintaxe: pede que se avalie o efeito de uma flexão de número sobre a estrutura da oração. O comando é de julgamento (Certo/Errado) — não se trata de interpretação de sentido, mas de correção gramatical diante da concordância nominal.

O trecho em análise

“A comida e a água são objeto de cálculos precisos, em função do percurso e dos mananciais.”

Aqui, “objeto” é um substantivo que funciona como predicativo do sujeito (o sujeito composto “A comida e a água” é “objeto de cálculos precisos”). O adjunto adnominal “de cálculos precisos” qualifica esse predicativo. A concordância nominal exige que o adjetivo “precisos” concorde com “cálculos” (plural), e que o núcleo “objeto” concorde com o sujeito — mas o sujeito é composto, e o predicativo pode ficar no singular ou no plural, conforme a norma culta.

Flexionar “objeto” para “objetos” — o que muda?

Se escrevêssemos “A comida e a água são objetos de cálculos precisos”, teríamos:

  • Sujeito composto (plural) → predicativo no plural: concordância facultativa e perfeitamente aceita.

  • O adjunto “de cálculos precisos” permanece intacto, pois “cálculos” já está no plural.

Não há qualquer quebra de regência, de concordância ou de paralelismo. A frase continua gramatical.

Por que a afirmativa está errada

A banca afirma que a flexão prejudicaria a correção gramatical. Isso é falso: a norma padrão admite tanto o singular quanto o plural nesse contexto. A afirmativa generaliza indevidamente, tratando como obrigatória uma concordância que é facultativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que a mudança de número “quebraria” a concordância com “cálculos precisos”. Mas o adjunto não é afetado: “cálculos” permanece plural, e o predicativo pode acompanhar o sujeito composto no plural sem erro.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de concordância, desconfie de afirmações que impõem uma única forma quando a norma oferece mais de uma possibilidade. Teste a reescrita mentalmente: se a frase continua clara e sem vício, a flexão é aceitável.

Conclusão: como a banca pediu o julgamento da afirmativa, e ela é falsa, o gabarito é Errado (E).

Gabarito: letra E

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