Questão de Biologia — Origem e evolução da vida — CESPE / CEBRASPE 2022
- Código
- ce146128
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- SEE-PE
- Ano
- 2022
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor - Biologia

- CCerto
- EErrado

GabaritoC — Certo
Gabarito: ✅ CERTO. A diferenciação dos tentilhões em variadas espécies nas ilhas Galápagos foi, de fato, influenciada pelo isolamento geográfico — este é o mecanismo central da especiação alopátrica, em que uma população ancestral se divide em subpopulações geograficamente separadas que, ao acumularem diferenças genéticas, tornam-se espécies distintas. O próprio texto-base confirma que os tentilhões "espalharam-se para as diferentes ilhas e formaram populações locais que divergiram umas das outras e eventualmente formaram diferentes espécies".
A especiação alopátrica (do grego allos, "outro", + patrā, "pátria") é o processo evolutivo em que o isolamento geográfico é o gatilho para a formação de novas espécies. No caso de Galápagos, um arquipélago vulcânico isolado no Oceano Pacífico, a cerca de 1.000 km do continente sul-americano, uma única espécie ancestral de tentilhão colonizou as ilhas e, a partir dela, irradiaram-se as 13 (ou 14, conforme a fonte) espécies atuais. O isolamento entre as ilhas impediu o fluxo gênico entre as populações, permitindo que mutações e seleção natural atuassem de forma independente em cada uma, moldando bicos adaptados a diferentes nichos alimentares.
A distinção que importa aqui é entre os modos de especiação: na alopátrica, o isolamento é geográfico (barreira física); na simpátrica, a divergência ocorre sem separação geográfica, dentro da mesma área; na parapátrica, populações vizinhas divergem com fluxo gênico reduzido; e na peripátrica, uma pequena população na periferia da distribuição original se isola. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode achar que a diferenciação se deu apenas por seleção natural ligada à alimentação, esquecendo que o isolamento geográfico foi o pré-requisito que permitiu a atuação da seleção em cada ilha.
O porquê da regra: sem o isolamento geográfico, o fluxo gênico contínuo entre as populações tenderia a homogeneizar o pool genético, impedindo a divergência acumulativa que leva ao isolamento reprodutivo e, consequentemente, à formação de novas espécies. O isolamento é, portanto, o passo inicial que viabiliza a especiação alopátrica.
A afirmação está correta. O texto-base descreve exatamente o cenário de especiação alopátrica: "Os descendentes dos colonizadores originais espalharam-se para as diferentes ilhas e formaram populações locais que divergiram umas das outras e eventualmente formaram diferentes espécies". O isolamento geográfico entre as ilhas de Galápagos foi o fator que permitiu que cada população evoluísse de forma independente, acumulando adaptações ao seu nicho ecológico específico (diferentes tipos de bico para diferentes alimentos) até se tornarem espécies distintas. O material de apoio reforça: "Indiscutivelmente, o isolamento das ilhas fornece o cenário mais favorável para as populações divergirem em espécies diferentes".
A banca pode tentar confundir o candidato ao sugerir que a diferenciação dos tentilhões se deu apenas por seleção natural ligada à alimentação, sem o isolamento geográfico. Mas a seleção natural atua dentro de cada população isolada — o isolamento geográfico é o pré-requisito que permite a divergência. Fique atento: em especiação alopátrica, a barreira geográfica vem antes da adaptação.
Para identificar o modo de especiação na prova, pergunte-se: houve separação geográfica? Se sim, é alopátrica (ou peripátrica, se a população isolada for muito pequena). Se não, é simpátrica ou parapátrica. Nos tentilhões de Galápagos, a separação entre ilhas é o sinal clássico de especiação alopátrica.
Gabarito: ✅ CERTO.
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