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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsSintaxe
Código
ce146511
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEE-PE
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Professor - Língua Portuguesa
Texto 10A1-I

    A discussão sobre um gênero neutro na linguagem deriva do uso do gênero gramatical masculino para denotar homens e mulheres (Todos nessa sala de aula devem entregar o trabalho.) e do feminino específico (Clarice Lispector é incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século 20.).
     Na gramática, o uso do masculino genérico é visto como gênero não marcado, ou seja, usá-lo não dá a entender que todos os sujeitos sejam homens ou mulheres — ele é inespecífico. Por ser algo cotidiano, é difícil pensar nas implicações políticas de empregar o masculino genérico, mas o tema foi amplamente discutido por especialistas como uma forma de marcar a hierarquização de gêneros na sociedade, priorizando o homem e invisibilizando a mulher. O masculino genérico é chamado, inclusive, de falso neutro.
    Entretanto, essa abordagem não é unânime no campo da linguística. Para muitos estudiosos, a interpretação sexista do masculino genérico ignora as origens latinas da língua portuguesa.
     No latim havia três designações: feminina, masculina e neutra. As formas neutras de adjetivos e substantivos no latim acabaram absorvidas por palavras de gênero masculino. A única marcação de gênero no português é o feminino. O neutro estaria, portanto, junto ao masculino.
    O Brasil não é o único país onde a linguagem neutra é discutida. Alguns setores acadêmicos, instituições de ensino e ativistas estadunidenses já consideram usar pronome neutro para se referir a todos, em vez de recorrer à demarcação de gênero binário.
    Especialistas avaliam que a modificação gramatical em línguas latinas pode ser muito mais complexa e custosa do que no inglês ou no alemão, em que já está em uso o gênero neutro, porque as línguas anglo-saxônicas em si já oferecem essa opção.
     Segundo especialistas, esse tipo de inovação é mais fácil de ocorrer no inglês, em que, com exceção daquelas palavras herdadas do latim, como actor (ator) e actress (atriz), a flexão de gênero não altera os substantivos e adjetivos. No caso do português, essa transformação não depende apenas da alteração de um pronome, porque a flexão de gênero afeta todo o sintagma nominal. Assim, a flexão de gênero é demarcada pela vogal temática a ou o (como em pesquisadoras brasileiras) e(ou) por meio do artigo a ou o (como em a intérprete).
     Mesmo com os desafios morfológicos, linguistas afirmam que não é impossível pensar em proposições mais inclusivas, e que isso não necessariamente significa que haja uma tentativa de destruição do português. Segundo explicam esses especialistas, a história de uma língua sempre conta muito sobre a história de seus falantes, de modo que as coisas que falamos hoje em dia não brotaram da terra nem vieram prontas, mas dependem da nossa história como humanidade. Nesse sentido, as propostas já existentes seriam os primeiros passos nesse movimento, e não uma forma final a ser imposta a todos os falantes.  

 Internet: <https://tab.uol.com.br> (com adaptações).
No que se refere à concordância e à morfossintaxe de períodos simples e compostos no texto 10A1-I, julgue o item subsequente.No primeiro período do último parágrafo, que é composto por coordenação e subordinação, as três orações introduzidas por “que” são coordenadas entre si e classificadas, em relação à oração principal, como orações subordinadas substantivas objetivas diretas.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise sintática do primeiro período do último parágrafo

Gabarito: Errado (E). A afirmação está incorreta porque, no primeiro período do último parágrafo, não há três orações introduzidas por “que” coordenadas entre si — há apenas duas orações introduzidas por “que” que são coordenadas entre si, e uma terceira oração com “que” que é subordinada a uma delas, não coordenada. O trecho é: “linguistas afirmam que não é impossível pensar em proposições mais inclusivas, e que isso não necessariamente significa que haja uma tentativa de destruição do português”. As duas primeiras orações com “que” são objetivas diretas coordenadas entre si (ambas complementam “afirmam”), mas a terceira ocorrência de “que” (“que haja”) é uma subordinada substantiva subjetiva, que funciona como sujeito de “significa” — não é coordenada das anteriores.

Desenvolvimento: o que o período realmente contém

O primeiro período do último parágrafo é:

“Mesmo com os desafios morfológicos, linguistas afirmam que não é impossível pensar em proposições mais inclusivas, e que isso não necessariamente significa que haja uma tentativa de destruição do português.”

Vamos identificar as orações:

  1. Oração principal: “linguistas afirmam” — verbo transitivo direto “afirmam”.

  2. 1ª oração subordinada substantiva objetiva direta: “que não é impossível pensar em proposições mais inclusivas” — complementa “afirmam” (afirmam isso).

  3. 2ª oração subordinada substantiva objetiva direta: “que isso não necessariamente significa que haja uma tentativa de destruição do português” — também complementa “afirmam” (afirmam isso também).

  4. 3ª oração subordinada substantiva subjetiva: “que haja uma tentativa de destruição do português” — funciona como sujeito do verbo “significa” (significa isso).

As orações 2 e 3 estão coordenadas entre si pela conjunção aditiva “e”, e ambas são subordinadas à oração principal (1). Já a oração 4 é subordinada à oração 3, funcionando como sujeito dela — não há coordenação entre as três orações com “que”.

Por que a afirmação está errada

A afirmação diz que “as três orações introduzidas por ‘que’ são coordenadas entre si”. Isso é falso por dois motivos:

  • Não são três orações coordenadas entre si: apenas as duas primeiras são coordenadas entre si (unidas por “e”); a terceira é subordinada à segunda.

  • A classificação da terceira está errada: a terceira oração (“que haja...”) é subjetiva, não objetiva direta.

Portanto, a assertiva está errada.

Período
  • 1"linguistas afirmam que... e que... significa que..."
  • 2Oração principal
    • "linguistas afirmam"
  • 31ª subordinada objetiva direta
    • "que não é impossível pensar..."
  • 42ª subordinada objetiva direta
    • "que isso não necessariamente significa..."
    • 3ª subordinada subjetiva
      • "que haja uma tentativa..."
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Item — ❌ Errado

A assertiva falha ao afirmar que as três orações com “que” são coordenadas entre si e todas objetivas diretas. Na verdade:

  • As duas primeiras são objetivas diretas coordenadas entre si (correto até aqui).

  • A terceira é subjetiva, pois exerce a função de sujeito do verbo “significa”.

PEGA ESSA DICA!

Para classificar uma oração subordinada substantiva, substitua-a por “isso” e veja a função que “isso” exerce na oração principal. Em “significa que haja...”, “isso” é o sujeito de “significa” — logo, subjetiva.

Conclusão

Como a banca pediu para julgar o item, e a afirmação está incorreta, o gabarito é Errado (E).

Gabarito: letra E.

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