Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2022
- Código
- ce146525
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- SEE-PE
- Ano
- 2022
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor - Língua Portuguesa
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). A retirada da preposição em da contração “nas” — deixando apenas o artigo definido feminino plural “as” — mantém a coerência e a correção gramatical do texto, porque o verbo “pensar”, na acepção de “refletir, considerar”, admite tanto a regência transitiva indireta (pensar em algo) quanto a transitiva direta (pensar algo). No trecho, a mudança não altera o sentido essencial nem quebra a estrutura sintática.
O enunciado pede que você julgue se a supressão da preposição em “nas implicações políticas” (segundo período do segundo parágrafo) preservaria a coerência e a correção. Para decidir, é preciso analisar a regência do verbo “pensar” no contexto.
No texto, lê-se:
“é difícil pensar nas implicações políticas de empregar o masculino genérico”
O verbo “pensar” está empregado com o sentido de “refletir, considerar, ter em mente”. Nessa acepção, a norma culta admite duas construções:
Transitivo indireto: pensar em algo — “pensar nas implicações”.
Transitivo direto: pensar algo — “pensar as implicações”.
Ambas são corretas e equivalentes em sentido. Portanto, retirar a preposição “em” e manter o artigo “as” (que passaria a ser o núcleo do objeto direto) não gera erro gramatical nem compromete a coerência.
A banca afirma que a retirada da preposição é possível. Isso é verdadeiro porque o verbo “pensar”, no sentido de “refletir”, é bitransitivo — aceita tanto objeto direto quanto indireto. A norma padrão registra:
“Pensar em alguma coisa” (VTI) — uso mais comum.
“Pensar alguma coisa” (VTD) — uso também consagrado, especialmente com o sentido de “considerar, avaliar”.
Assim, a frase reescrita ficaria:
“é difícil pensar as implicações políticas”
A construção é gramatical e mantém o sentido. Não há prejuízo à coerência, pois o complemento continua claro.
A questão explora a regência verbal e a possibilidade de variação sem alteração de sentido. É uma pegadinha clássica: o candidato pode achar que a preposição é obrigatória, mas o verbo “pensar” admite as duas regências.
A banca explora a falsa ideia de que “pensar” exige sempre a preposição “em”. Na verdade, no sentido de “refletir”, o verbo aceita objeto direto, o que torna a retirada da preposição perfeitamente válida.
Ao julgar itens de reescrita, verifique se o verbo admite mais de uma regência. Verbos como “pensar”, “esquecer”, “lembrar” e “aspirar” têm usos variáveis conforme o sentido.
Conclusão: o item está CERTO, pois a retirada da preposição “em” de “nas” mantém a correção gramatical e a coerência, já que “pensar” também se constrói como transitivo direto.
Gabarito: letra C
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