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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce146865
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SERES-PE
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Policial Penal do Estado

Texto CG1A1-I


   Uma das coisas mais difíceis, tanto para uma pessoa quanto para um país, é manter sempre presentes diante dos olhos os três elementos do tempo: passado, presente e futuro. Ter em mente esses três elementos é atribuir uma grande importância à espera, à esperança, ao futuro; é saber que nossos atos de ontem podem ter consequências em dez anos e que, por isso, pode ser necessário justificá-los; daí a necessidade da memória, para realizar essa união de passado, presente e futuro.

   Contudo, a memória não deve ser predominante na pessoa. A memória é, com frequência, a mãe da tradição. Ora, se é bom ter uma tradição, também é bom superar essa tradição para inventar um novo modo de vida. Quem considera que o presente não tem valor e que somente o passado deve nos interessar é, em certo sentido, uma pessoa a quem faltam duas dimensões e com a qual não se pode contar. Quem acha que é preciso viver o agora com todo o ímpeto e que não devemos nos preocupar com o amanhã nem com o ontem pode ser perigoso, pois crê que cada minuto é separado dos minutos vindouros ou dos que o precederam e que não existe nada além dele mesmo no planeta. Quem se desvia do passado e do presente, quem sonha com um futuro longínquo, desejável e desejado, também se vê privado do terreno contrário cotidiano sobre o qual é preciso agir para realizar o futuro desejado. Como se pode ver, uma pessoa deve sempre ter em conta o presente, o passado e o futuro.

Frantz Fanon. Alienação e liberdade. São Paulo: Ubu, 2020, p. 264-265 (com adaptações). 

Os sentidos e a correção gramatical do texto CG1A1-I seriam preservados caso se deslocasse
  1. Aa expressão “em dez anos” para imediatamente depois de “saber”, no segundo período do primeiro parágrafo.
  2. Ba expressão “no planeta” para imediatamente antes de “não existe”, no final do quinto período do segundo parágrafo.
  3. Co vocábulo “não” para imediatamente depois de “Quem”, no início do quarto período do segundo parágrafo.
  4. Da expressão “com todo o ímpeto” para imediatamente depois de “acha”, no quinto período do segundo parágrafo.
  5. Eo vocábulo “mesmo” para imediatamente antes de “nada”, no final do quinto período do segundo parágrafo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — a expressão “no planeta” para imediatamente antes de “não existe”, no final do quinto período do segundo parágrafo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Deslocamento de expressões e preservação de sentido

Gabarito: letra B. A única alternativa que mantém o sentido original e a correção gramatical ao deslocar uma expressão é a B: mover "no planeta" para imediatamente antes de "não existe". No original, a locução adverbial "no planeta" modifica o verbo "existe", indicando o lugar onde nada além de si mesmo existe. Antecedê-lo não altera essa relação – a frase continua significando que, no planeta, não há nada além dele mesmo. A correção gramatical é mantida, pois "no planeta" funciona como adjunto adverbial deslocado, ainda dentro da oração subordinada.

As demais alternativas alteram o sentido ou a estrutura, como se demonstra a seguir.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A expressão "em dez anos" modifica o verbo "podem ter consequências", indicando quando as consequências ocorrem. Deslocá-la para depois de "saber" faria com que ela modificasse "justificá-los", alterando o sentido para "justificá-los em dez anos". O texto original afirma que os atos de ontem podem ter consequências em dez anos, não que a justificativa ocorreria nesse prazo. Há troca de escopo semântico.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como explicado, o deslocamento preserva o sentido e a gramática.

Alternativa C — ❌ Incorreta

No quarto período: "Quem considera que o presente não tem valor". Mover "não" para depois de "Quem" resultaria em "Quem não considera que o presente tem valor", o que inverte a negação: originalmente nega-se o valor do presente; na nova redação, nega-se a consideração. A alteração modifica radicalmente o sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Viver o agora com todo o ímpeto": o adjunto adverbial "com todo o ímpeto" modifica o verbo "viver", indicando a maneira de viver. Deslocá-lo para após "acha" ("Quem acha com todo o ímpeto que é preciso viver o agora") altera o escopo, passando a modificar "acha" (acreditar com ímpeto). O sentido deixa de ser sobre a intensidade do viver e passa a ser sobre a intensidade da crença. Há mudança de significado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Original: "não existe nada além dele mesmo". O termo "mesmo" reforça "dele" (pronome reflexivo). Deslocá-lo para antes de "nada" ("não existe mesmo nada além dele") altera o advérbio "mesmo" para um reforço de negação ("mesmo nada" = nada absolutamente), perdendo a noção de identidade ("ele mesmo"). O sentido original é de que não há nada além da própria pessoa; a nova redação enfatiza a inexistência de qualquer coisa, o que é diferente.

PEGA ESSA DICA!

Ao deslocar termos, verifique sempre qual palavra ou expressão é modificada (escopo). Adjuntos adverbiais de tempo, modo e lugar têm escopo flexível, mas a mudança de posição pode alterar a quem se referem. Teste a paráfrase mental para confirmar se o sentido se mantém.

Gabarito: letra B.

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