Questão de Português — Morfologia - Pronomes — CESPE / CEBRASPE 2022
- Código
- ce147184
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TCE-RJ
- Ano
- 2022
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista de Controle Externo
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: Errado (E). A afirmação de que se manteria a correção gramatical ao escrever "difere-se" ou "se difere" é falsa. A forma "difere" (do verbo diferir, no sentido de "ser diferente") é um verbo transitivo indireto, exigindo complemento com a preposição "de". O pronome "se" não pode ser acrescentado sem quebrar a regência ou a sintaxe do período.
Passagem do texto: "A pseudociência difere da ciência errônea."
O verbo diferir (quando significa "distinguir-se, ser diferente") rege complemento preposicionado ("da ciência errônea"). Trata-se de um verbo transitivo indireto. Nesse contexto, o acréscimo do pronome "se" — seja como partícula apassivadora, reflexiva ou como índice de indeterminação do sujeito — comprometeria a estrutura:
Partícula apassivadora: só é possível com verbos transitivos diretos (VTD). Diferir não é VTD, portanto não cabe "difere-se" no sentido passivo.
Pronome reflexivo/recíproco: exigiria que o sujeito praticasse e sofresse a ação, o que não faz sentido para a noção de diferença.
Índice de indeterminação do sujeito: usado com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação na 3ª pessoa do singular. Contudo, o sujeito "A pseudociência" está explícito, e o verbo está no singular; a inserção do "se" indeterminaria o sujeito, o que alteraria o sentido e tornaria a construção anômala ("A pseudociência difere-se" → sujeito indeterminado? Não se sustenta).
Assim, a forma "difere-se" ou "se difere" não mantém a correção gramatical do texto original. A alternativa está, portanto, Errada.
Antes de julgar a possibilidade de acrescentar o pronome "se", verifique a transitividade do verbo. Verbos transitivos indiretos (como diferir, gostar, obedecer) não aceitam partícula apassivadora. Além disso, confira se o sujeito já está determinado — caso esteja, o "se" como índice de indeterminação é descabido.
A banca tenta fazer o candidato pensar que o "se" é mero enfeite, que poderia ser inserido sem prejuízo. Na verdade, qualquer pronome átono altera a regência ou a voz verbal; não se trata de colocação opcional.
Conclusão: A afirmativa é falsa. O gabarito é E (Errado).
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