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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
ce147184
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-RJ
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Analista de Controle Externo
Texto CB1A2-II

    A pseudociência difere da ciência errônea. A ciência prospera com seus erros, eliminando-os um a um. Conclusões falsas são tiradas todo o tempo, mas elas constituem tentativas. As hipóteses são formuladas de modo a poderem ser refutadas. Uma sequência de hipóteses alternativas é confrontada com os experimentos e a observação. A ciência tateia e cambaleia em busca de melhor compreensão. Alguns sentimentos de propriedade individual são certamente ofendidos quando uma hipótese científica não é aprovada, mas essas refutações são reconhecidas como centrais para o empreendimento científico.
    A pseudociência é exatamente o oposto. As hipóteses são formuladas de modo a se tornar invulneráveis a qualquer experimento que ofereça uma perspectiva de refutação, para que em princípio não possam ser invalidadas.
     Talvez a distinção mais clara entre a ciência e a pseudociência seja o fato de que a primeira sabe avaliar com mais perspicácia as imperfeições e a falibilidade humanas do que a segunda. Se nos recusamos radicalmente a reconhecer em que pontos somos propensos a cair em erro, podemos ter quase certeza de que o erro nos acompanhará para sempre. Mas, se somos capazes de uma pequena autoavaliação corajosa, quaisquer que sejam as reflexões tristes que isso possa provocar, as nossas chances melhoram muito.

Carl Sagan. O mundo assombrado pelos demônios.Tradução de Rosaura Eichemberg.
São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 39-40 (com adaptações).

A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB1A2-II, julgue o item que se segue.


Estaria mantida a correção gramatical do texto caso a forma verbal “difere” (primeiro período do primeiro parágrafo) estivesse acompanhada do pronome se — escrevendo-se difere-se ou se difere.  

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do item sobre a inserção do pronome "se" no verbo "difere"

Gabarito: Errado (E). A afirmação de que se manteria a correção gramatical ao escrever "difere-se" ou "se difere" é falsa. A forma "difere" (do verbo diferir, no sentido de "ser diferente") é um verbo transitivo indireto, exigindo complemento com a preposição "de". O pronome "se" não pode ser acrescentado sem quebrar a regência ou a sintaxe do período.

CERTO? NÃO — a banca afirma que a correção se manteria, e isso é ERRADO.

Passagem do texto: "A pseudociência difere da ciência errônea."

O verbo diferir (quando significa "distinguir-se, ser diferente") rege complemento preposicionado ("da ciência errônea"). Trata-se de um verbo transitivo indireto. Nesse contexto, o acréscimo do pronome "se" — seja como partícula apassivadora, reflexiva ou como índice de indeterminação do sujeito — comprometeria a estrutura:

  • Partícula apassivadora: só é possível com verbos transitivos diretos (VTD). Diferir não é VTD, portanto não cabe "difere-se" no sentido passivo.

  • Pronome reflexivo/recíproco: exigiria que o sujeito praticasse e sofresse a ação, o que não faz sentido para a noção de diferença.

  • Índice de indeterminação do sujeito: usado com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação na 3ª pessoa do singular. Contudo, o sujeito "A pseudociência" está explícito, e o verbo está no singular; a inserção do "se" indeterminaria o sujeito, o que alteraria o sentido e tornaria a construção anômala ("A pseudociência difere-se" → sujeito indeterminado? Não se sustenta).

Assim, a forma "difere-se" ou "se difere" não mantém a correção gramatical do texto original. A alternativa está, portanto, Errada.

PEGA ESSA DICA!

Antes de julgar a possibilidade de acrescentar o pronome "se", verifique a transitividade do verbo. Verbos transitivos indiretos (como diferir, gostar, obedecer) não aceitam partícula apassivadora. Além disso, confira se o sujeito já está determinado — caso esteja, o "se" como índice de indeterminação é descabido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato pensar que o "se" é mero enfeite, que poderia ser inserido sem prejuízo. Na verdade, qualquer pronome átono altera a regência ou a voz verbal; não se trata de colocação opcional.

Conclusão: A afirmativa é falsa. O gabarito é E (Errado).

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