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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce147479
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-RJ
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Técnico de Controle Externo

          A atividade política, para os antigos, estava associada à prática das virtudes e à busca por uma ordem moral duradoura. A corrupção, por sua vez, era identificada com vícios como a ambição, a ganância pelo poder, a covardia etc., ou seja, tudo aquilo que causa caos social, desordem e violência.

         Essa noção de corrupção associada ao desvirtuamento e à falta de cuidado com o bem comum atravessaria a Idade Média e chegaria até o início da modernidade com os teóricos políticos do Renascimento. Contudo, com a ampliação das relações comerciais decorrentes das grandes navegações, o crescimento urbano, o advento da indústria, a ascensão da burguesia como classe política — por meio de revoluções como a inglesa (1640-1668) e a francesa (1789-1799) —, o sistema político começou a ser pensado de forma diferente.

          A concepção antiga das virtudes como guias da política não funcionava mais na modernidade. Era necessária uma concepção de política que levasse em conta os interesses individuais e as ambições, que faziam parte do mundo moderno. Mas como fazer isso sem deixar que tais interesses e ambições degenerassem o sistema político? Montesquieu foi quem ofereceu o melhor modelo, que, em grande parte, ainda se faz presente até hoje nos regimes democráticos.

         Segundo Montesquieu, para que os interesses pessoais dos governantes não triunfassem sobre o bem público e para que o corpo político não se corrompesse, seriam necessárias as leis positivas, isto é, um conjunto de medidas jurídicas que se ajustassem à realidade dos interesses de determinada sociedade e impusesse controle sobre ela, sendo capaz de intermediar os homens e suas necessidades.

          Esse modelo foi seguido pelas democracias liberais do século XIX. No entanto, desde a transição do século XIX para o século XXI, o mundo ficou cada vez mais integrado, tanto econômica quanto politicamente, sobretudo após as guerras mundiais. Essa integração, apesar de ter trazido inúmeros benefícios, também trouxe grandes dificuldades.

Internet:<https://brasilescola.uol.com.br> (com adaptações)


Julgue o item que se segue, relativos às ideias e a aspectos linguísticos do texto anterior.No quarto parágrafo, o trecho “para que os interesses pessoais dos governantes não triunfassem sobre o bem público e para que o corpo político não se corrompesse” (primeiro período) expressa a causa da necessidade das leis positivas.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação lógica no trecho do 4º parágrafo

ERRADO.

O trecho citado não expressa a causa da necessidade das leis positivas, mas sim a finalidade (o objetivo) que justifica essa necessidade. O texto afirma:

"para que os interesses pessoais dos governantes não triunfassem sobre o bem público e para que o corpo político não se corrompesse, seriam necessárias as leis positivas"

A locução "para que" introduz orações subordinadas adverbiais finais, indicando o propósito que se deseja alcançar. A necessidade das leis é apresentada como o meio para atingir esse fim, e não como consequência (causa). A causa seria algo como "porque os interesses pessoais triunfavam" — mas o texto diz justamente o contrário: as leis são necessárias para evitar que isso aconteça.

✅ Comprovação no texto

O período completo mostra a estrutura de finalidade + necessidade:

  • Finalidade (o que se quer evitar): para que os interesses... não triunfassem e para que o corpo político não se corrompesse.

  • Necessidade: seriam necessárias as leis positivas.

Portanto, há uma relação de meio e fim, e não de causa e efeito.

❌ Distratora – erro típico

A banca tenta confundir o candidato trocando a noção de finalidade por causa. Embora ambos os conceitos envolvam explicação, o conectivo "para que" é inequívoco: marca finalidade. Causa seria introduzida por "porque", "já que", "visto que", etc.

NÃO CAIA NESSA!

Trocar finalidade por causa. O trecho com "para que" indica o objetivo da medida, e não a razão que a originou.

Gabarito: Errado.

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