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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce147483
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-RJ
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Técnico de Controle Externo

          A atividade política, para os antigos, estava associada à prática das virtudes e à busca por uma ordem moral duradoura. A corrupção, por sua vez, era identificada com vícios como a ambição, a ganância pelo poder, a covardia etc., ou seja, tudo aquilo que causa caos social, desordem e violência.

         Essa noção de corrupção associada ao desvirtuamento e à falta de cuidado com o bem comum atravessaria a Idade Média e chegaria até o início da modernidade com os teóricos políticos do Renascimento. Contudo, com a ampliação das relações comerciais decorrentes das grandes navegações, o crescimento urbano, o advento da indústria, a ascensão da burguesia como classe política — por meio de revoluções como a inglesa (1640-1668) e a francesa (1789-1799) —, o sistema político começou a ser pensado de forma diferente.

          A concepção antiga das virtudes como guias da política não funcionava mais na modernidade. Era necessária uma concepção de política que levasse em conta os interesses individuais e as ambições, que faziam parte do mundo moderno. Mas como fazer isso sem deixar que tais interesses e ambições degenerassem o sistema político? Montesquieu foi quem ofereceu o melhor modelo, que, em grande parte, ainda se faz presente até hoje nos regimes democráticos.

         Segundo Montesquieu, para que os interesses pessoais dos governantes não triunfassem sobre o bem público e para que o corpo político não se corrompesse, seriam necessárias as leis positivas, isto é, um conjunto de medidas jurídicas que se ajustassem à realidade dos interesses de determinada sociedade e impusesse controle sobre ela, sendo capaz de intermediar os homens e suas necessidades.

          Esse modelo foi seguido pelas democracias liberais do século XIX. No entanto, desde a transição do século XIX para o século XXI, o mundo ficou cada vez mais integrado, tanto econômica quanto politicamente, sobretudo após as guerras mundiais. Essa integração, apesar de ter trazido inúmeros benefícios, também trouxe grandes dificuldades.

Internet:<https://brasilescola.uol.com.br> (com adaptações)


Julgue o item que se segue, relativos às ideias e a aspectos linguísticos do texto anterior.A correção gramatical e a coerência do texto não seriam prejudicadas caso as formas verbais “atravessaria” e “chegaria”, no primeiro período do segundo parágrafo, fossem substituídas, respectivamente, por atravessou e chegou.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de 'atravessaria' e 'chegaria' por 'atravessou' e 'chegou'

CERTO. A substituição das formas "atravessaria" e "chegaria" (futuro do pretérito) por "atravessou" e "chegou" (pretérito perfeito do indicativo) não prejudica a correção gramatical nem a coerência do texto. Ambas as flexões são gramaticalmente adequadas e o sentido histórico permanece preservado.

Por que a troca é válida?

No trecho original: "Essa noção de corrupção associada ao desvirtuamento e à falta de cuidado com o bem comum atravessaria a Idade Média e chegaria até o início da modernidade...", o autor emprega o futuro do pretérito para indicar uma ação que se estenderia no tempo a partir de um ponto de referência passado (a Antiguidade). Essa é uma escolha estilística comum em textos históricos, mas o pretérito perfeito ("atravessou", "chegou") também é perfeitamente aceitável para narrar fatos consumados, mantendo a coerência cronológica.

  • Correção gramatical: "Atravessou" e "chegou" estão no pretérito perfeito do indicativo, tempo verbal adequado para ações concluídas no passado. A substituição não viola nenhuma regra de concordância ou regência.

  • Coerência textual: O texto continua a afirmar que a noção de corrupção percorreu a Idade Média e alcançou o início da modernidade — exatamente o mesmo conteúdo factual. A única diferença é que o original sugere uma continuidade projetada, enquanto a nova redação apresenta os eventos como já realizados; ambos são coerentes com a linha argumentativa do parágrafo.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de substituição de tempos verbais, verifique se o novo tempo mantém a relação lógico-temporal exigida pelo contexto. O futuro do pretérito pode transmitir hipótese ou continuidade, mas o pretérito perfeito, ao relatar fatos históricos, é igualmente funcional.

Conclusão: A afirmação do item está correta. A troca não compromete a gramática nem a coerência. ✅ CERTO

Gabarito: C

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