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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce147492
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-RJ
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Técnico de Controle Externo
          A preocupação com o desenvolvimento das indústrias criativas ocorre de forma não intuitiva e direcionada há muitos anos. Em 1918, o presidente dos Estados Unidos da América, Woodrow Wilson, promoveu a nascente indústria cinematográfica, considerando que “o comércio vai atrás dos filmes”, uma afirmação clássica sobre o fato de que as indústrias criativas têm um significado que vai muito além do seu impacto econômico imediato. O governo australiano publicou, em 1994, um documento chamado Creative Nation, no qual já apresentava alguns posicionamentos oficiais sobre a pauta. Nele, afirmava que “uma política cultural também é uma política econômica” e que “o nível de nossa criatividade determina substancialmente nossa capacidade de adaptação aos novos imperativos econômicos”.

         Após as eleições para primeiro-ministro do Reino Unido, em 1997, foi realizado o primeiro mapeamento concreto e aprofundado sobre a economia criativa em uma nação. Esse mapeamento causou polêmica quanto à conceituação de indústria criativa. De acordo com a definição do governo inglês, as indústrias criativas são aquelas atividades que têm origem na criatividade, na habilidade e no talento individual e que potencializam a geração de riqueza e empregos por meio da geração e da exploração da propriedade intelectual. Os críticos que analisaram o projeto de Tony Blair/DCMS consideraram que as colocações deixaram o contexto muito aberto, pois poderia englobar áreas como engenharia e indústria farmacêutica, que não têm conexão com a economia criativa.

       Como em qualquer área de pesquisa, alguns cientistas apresentam visões bem controversas. O pesquisador estadunidense Richard Florida, por exemplo, trouxe o conceito de classe criativa. Segundo Florida, regiões metropolitanas com alta concentração de trabalhadores ligados a tecnologia, artistas, músicos, lésbicas e gays e o grupo definido por high bohemians são áreas com alto potencial de crescimento neste milênio. Na visão de Florida, as cidades devem posicionar-se de forma diferente no novo milênio e virar todos os holofotes para a economia criativa.

Vinnie de Oliveira. Economia criativa 4.0: o mundo não gira ao contrário.
Edição do Kindle (com adaptações)
Julgue o item seguinte, no que diz respeito às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.Infere-se do texto a existência de uma relação estreita entre a economia criativa e o modelo econômico adotado a partir do século XX.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre economia criativa e modelo econômico do século XX

Gabarito: ✅ CERTO (C). O texto permite inferir a existência de uma relação estreita entre a economia criativa e o modelo econômico adotado a partir do século XX, conforme evidenciado por passagens que vinculam a criatividade a imperativos econômicos, comércio e geração de riqueza ao longo do período (1918, 1994, 1997).

O enunciado pede uma inferência – conclusão baseada em pistas do texto, não em afirmação literal. O texto fornece várias pistas que sustentam a relação:

  • Em 1918, o presidente dos EUA Woodrow Wilson afirmou que “o comércio vai atrás dos filmes”, indicando que a indústria cinematográfica (criativa) impulsiona o comércio (atividade econômica).

  • O governo australiano, em 1994, declarou que “uma política cultural também é uma política econômica” e que “o nível de nossa criatividade determina substancialmente nossa capacidade de adaptação aos novos imperativos econômicos”.

  • O mapeamento de 1997 no Reino Unido definiu as indústrias criativas como atividades que “potencializam a geração de riqueza e empregos”.

Essas passagens mostram que, já no século XX, as indústrias criativas eram vistas como parte integrante e impulsionadora da economia, ou seja, do modelo econômico vigente (capitalista, pós-industrial). A referência a “novos imperativos econômicos” e à geração de riqueza e empregos reforça a vinculação com o modelo econômico adotado a partir do século XX.

A alternativa E (Errado) contradiz o texto, pois as pistas textuais obrigam à conclusão de que a relação existe. A inferência é legítima: não extrapola, não acrescenta opinião, apenas conecta as evidências deixadas pelo autor.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, procure pistas como causas, consequências, comparações e declarações de autoridades. Aqui, as frases de Wilson, do governo australiano e a definição do DCMS são pistas decisivas.

Portanto, o item está ✅ CERTO.

Gabarito: C.

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