Questão de Português — Morfologia - Verbos — CESPE / CEBRASPE 2022
- Código
- ce149657
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- ANP
- Ano
- 2022
- Nível
- Médio
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: Errado (E). A substituição de “podem” (presente do indicativo) por “possam” (presente do subjuntivo) alteraria o sentido do trecho e prejudicaria a coerência do texto, pois o autor apresenta uma certeza (fato) e não uma possibilidade (hipótese). Como se lê no primeiro parágrafo: “pequenas mudanças num fator subjacente a um sistema complexo podem engendrar mudanças radicais e qualitativas”. O modo indicativo expressa certeza; o subjuntivo expressa dúvida/hipótese — e essa mudança de modalidade rompe a linha argumentativa do texto, que afirma categoricamente a tese da não linearidade.
A questão é de gramática aplicada ao texto: não basta saber que “podem” e “possam” são formas do verbo poder; é preciso avaliar o efeito de sentido da troca no contexto. O comando pede que se julgue se a substituição manteria “a correção gramatical e a coerência do texto”.
Correção gramatical: a troca é gramaticalmente válida — “possam” é forma correta do presente do subjuntivo, e a concordância com “mudanças” (3ª pessoa do plural) se mantém.
Coerência: aqui está o problema. O texto afirma, com certeza, que pequenas mudanças podem (fato) engendrar mudanças radicais. Se trocarmos por “possam”, passamos a dizer que elas talvez possam (hipótese), o que enfraquece a tese e contradiz o tom assertivo do parágrafo.
“pequenas mudanças num fator subjacente a um sistema complexo podem engendrar mudanças radicais e qualitativas em outros fatores que dele dependem.”
O verbo “podem” está no presente do indicativo, modo que expressa certeza — o autor apresenta a capacidade de pequenas mudanças provocarem transformações radicais como um fato. Já “possam”, presente do subjuntivo, expressa dúvida, possibilidade ou hipótese — o que transformaria a afirmação categórica em mera conjectura. Essa mudança de modalidade quebra a coerência com o restante do texto, que desenvolve a tese da não linearidade com exemplos concretos (o bloco de gelo) e tom assertivo.
A banca testa se o candidato percebe que a troca de modo verbal altera o sentido e, consequentemente, prejudica a coerência. A substituição é gramaticalmente possível, mas não mantém a coerência — e o item pede que ambas sejam mantidas. Portanto, a afirmação é falsa.
A banca explora a confusão entre correção gramatical e coerência. A troca é gramaticalmente válida, mas o candidato que só verifica a gramática marca “Certo” — esquecendo que o modo verbal carrega sentido e que a mudança de indicativo para subjuntivo enfraquece a tese.
Em questões de substituição, pergunte-se: “a troca mantém o sentido e a coerência?”. Modo verbal não é só forma — é modalidade: indicativo = certeza; subjuntivo = dúvida/hipótese. Se o texto afirma um fato, trocar por subjuntivo altera o sentido.
Gabarito: letra E (Errado).
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