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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce149659
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ANP
Ano
2022
Nível
Médio
Texto CG1A1-I

       É uma falácia comum supor que mudanças graduais, pequenas, só podem engendrar resultados graduais, incrementais. Mas esse é um raciocínio linear, que parece ser nosso modo padrão de pensar a respeito do mundo. Isso pode decorrer do simples fato de que a maior parte dos fenômenos perceptíveis para os seres humanos, em escalas de tempo e de magnitude habituais e dentro do escopo limitado de nossos sentidos, tende a seguir direções lineares — duas pedras parecem duas vezes mais pesadas que uma; é necessária uma quantidade de comida três vezes maior para alimentar um número três vezes maior de pessoas, e assim por diante. No entanto, fora da esfera das ocupações humanas práticas, a natureza está cheia de fenômenos não lineares. Processos de extrema complexidade podem emergir de regras ou partes enganosamente simples, e pequenas mudanças num fator subjacente a um sistema complexo podem engendrar mudanças radicais e qualitativas em outros fatores que dele dependem.
       Pense neste exemplo muito simples: imagine que você tenha um bloco de gelo na sua frente e esteja aquecendo-o pouco a pouco. Na maior parte do tempo, o aquecimento por um grau a mais não causa nenhum efeito interessante: a única coisa que você tem e que não tinha um minuto atrás é um bloco de gelo ligeiramente menos gelado. Mas, então, chega-se a 0 °C e, assim que essa temperatura crítica é atingida, você vê uma mudança abrupta, espetacular. A estrutura cristalina do gelo desagrega-se, e, de repente, as moléculas de água começam a escorregar e a fluir livremente umas em torno das outras. Sua água congelada torna-se líquida, graças a um grau crítico de energia térmica. Nesse ponto-chave, mudanças incrementais cessaram de ter efeitos incrementais e precipitaram uma súbita mudança qualitativa chamada transição de fase.

Vilayanur Subramanian Ramachadran. O que o cérebro tem para contar:
desvendando os mistérios a natureza humana. Rio de Janeiro:
Zahar, 2014, p. 32-3 (com adaptações). 
Em relação a aspectos linguísticos do texto CG1A1-I, julgue o item subsecutivo.O modo verbal empregado em “imagine” (primeiro período do segundo parágrafo) expressa um desejo do autor do texto em relação ao leitor.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Modo verbal de “imagine”: imperativo de convite, não desejo

Gabarito: Errado (E). A forma “imagine” está no modo imperativo (flexão de 2ª pessoa do singular do imperativo afirmativo), e não no subjuntivo com valor de desejo. O imperativo aqui tem função apelativa/diretiva: o autor convida o leitor a realizar um experimento mental — “Pense neste exemplo muito simples: imagine que você tenha um bloco de gelo…” —, e não expressa um desejo subjetivo. A banca tenta confundir o candidato ao rotular o imperativo como “desejo”, mas o contexto é de instrução/exortação, não de volição.

A chave da resolução

O comando pede julgamento sobre aspectos linguísticos — especificamente, o modo verbal. Para resolver, é preciso identificar a flexão de modo de “imagine” e, em seguida, avaliar o efeito de sentido que ela produz no texto.

  • Modo indicativo: fatos, certezas.

  • Modo subjuntivo: dúvida, hipótese, desejo (ex.: “tomara que você imagine”).

  • Modo imperativo: ordem, pedido, convite, exortação (ex.: “imagine você…”).

No texto, “imagine” está claramente no imperativo afirmativo, 2ª pessoa do singular (tu). A prova está na estrutura paralela do período: “Pense neste exemplo muito simples: imagine que você tenha um bloco de gelo…”. Tanto “pense” quanto “imagine” são imperativos que convidam o leitor a participar do raciocínio — típico de texto expositivo-argumentativo que busca engajar o interlocutor.

“Pense neste exemplo muito simples: imagine que você tenha um bloco de gelo na sua frente e esteja aquecendo-o pouco a pouco.”

O verbo “tenha”, logo em seguida, está no subjuntivo (porque introduz uma hipótese), mas “imagine” não: é imperativo. A função é apelativa (conativa), pois o autor se dirige diretamente ao leitor para conduzi-lo a uma simulação mental.

Por que a afirmativa está errada

A afirmativa diz que o modo verbal de “imagine” expressa um desejo do autor em relação ao leitor. Isso é falso por dois motivos:

  1. O modo é imperativo, não subjuntivo. Desejo, em português, é tipicamente veiculado pelo subjuntivo (ex.: “que você imagine”, “tomara que imagine”). O imperativo expressa ordem, pedido ou convite.

  2. O sentido contextual é de convite/instrução, não de desejo. O autor não está desejando que o leitor imagine; está solicitando que ele realize o exercício mental para compreender o argumento. O desejo seria algo como “gostaria que você imaginasse”, o que não ocorre.

Portanto, a afirmativa contradiz o texto e a gramática: troca o valor do imperativo por um valor de subjuntivo.

Conclusão

Como o modo de “imagine” é imperativo e sua função é apelativa (convite ao leitor), e não expressão de desejo, o item está ERRADO.

1Indicativo
Fatos, certezas
2Subjuntivo
Dúvida, hipótese, desejo
3Imperativo
Ordem, pedido, convite
Função apelativa/diretiva
"imagine" → convite ao leitor
Modos verbais
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Modos verbais: Indicativo (Fatos, certezas); Subjuntivo (Dúvida, hipótese, desejo); Imperativo (Ordem, pedido, convite, Função apelativa/diretiva, "imagine" → convite ao leitor)

Gabarito: letra E (Errado).

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