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Questão de Português — Ortografia — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsOrtografia
Código
ce149854
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
DPE-DF
Ano
2022
Nível
Superior
      Em O processo, a antevisão do inferno em que se transformaria a burocracia moderna, das culpas imputadas, da tortura anônima e da morte que caracterizam os regimes totalitários do século vinte já é um lugar-comum. O trucidamento (literal) de que K. tornou-se um ícone do homicídio político. “A colônia penal” de Kafka transformou-se em realidade pouco depois de sua morte, quando também os temas da aniquilação e dos “vermes”, de sua Metamorfose, adquiriram macabra realidade. A realização concreta de suas premonições, com pormenores de clarividência, está indissociavelmente relacionada às suas fantasias aparentemente desvairadas. Haveria algum sentido em pensar que, de alguma forma, as previsões claramente formuladas na ficção de Kafka, em O processo principalmente, teriam contribuído para que de fato ocorressem? Seria possível que uma profecia articulada de maneira tão impiedosa tivesse outro destino que não a sua realização? As três irmãs de K. e sua Milena morreram em campos de concentração. O judeu da Europa Central que Kafka ironizou e celebrou foi extinto de maneira abominável. Em termos espirituais, existe a possibilidade de Franz Kafka ter sentido seus dons proféticos como uma visitação de culpa, de que a capacidade de antever o tivesse exposto demais às suas emoções. K. torna-se o cúmplice, perplexo, porém quase impaciente, do crime perpetrado contra ele. Coexistem, em todos os suicídios, a apologia e a aquiescência. Como diz o sacerdote, em triste zombaria (seria mesmo zombaria?): “A justiça nada quer de ti. Acolhe-te quando vens e te deixa ir quando partes”. Essa formulação está muito próxima de ser uma definição da vida humana, da liberdade de ser culpado, que é a liberdade concedida ao homem expulso do Paraíso. Quem, senão Kafka, teria sido capaz de dizer isso em tão poucas palavras? Ou se saber condenado por ter sido capaz de fazê-lo?


George Steiner. Um comentário sobre O processo de Kafka. In: Nenhuma paixão desperdiçada. Tradução de Maria Alice Máximo. Rio de Janeiro: Record, 2001 (com adaptações). 
Acerca dos sentidos, das ideias e dos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item a seguir.


Conforme as regras oficiais de grafia, “Coexistem” poderia ser grafado alternativamente como Co-existem.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ortografia – Emprego do hífen com o prefixo co-

Resposta: ❌ ERRADO. A afirmação de que 'Coexistem' poderia ser grafado como 'Co-existem' contraria as regras oficiais de ortografia. Segundo o Acordo Ortográfico, o prefixo 'co-' é grafado sem hífen, mesmo antes de vogal, com exceção apenas quando o segundo elemento começa por 'h'. Como 'existem' inicia com 'e', não cabe hífen. Portanto, a grafia 'Co-existem' é incorreta.

Desenvolvimento

A regra para o prefixo "co-" é específica e difere da maioria dos outros prefixos. Enquanto prefixos como "anti-", "auto-", "contra-" exigem hífen quando o segundo elemento começa com a mesma vogal (ex.: anti-inflacionário, auto-observação), o prefixo "co-" aglutina-se sem hífen em todos os casos, exceto diante de "h" (co-herdeiro, co-habitar). Assim, palavras como "coautor", "coedição" e "coexistir" são escritas sem hífen.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão com a regra geral de hifenização. O candidato pode lembrar que, em geral, prefixos terminados em vogal exigem hífen antes de vogal igual, e aplicar essa regra a "co- + existem". No entanto, "co-" é uma exceção: não se usa hífen antes de vogal diferente.

Prefixo "co-"
  • 1Regra geral
    • Sem hífen (aglutinação)
    • Exceção: hífen só antes de "h"
      • co-herdeiro
      • co-habitar
  • 2Exemplos
    • coautor
    • coedição
    • coexistir
  • 3Comparação com outros prefixos
    • anti-inflacionário (hífen)
    • auto-observação (hífen)
    • co-existem (❌ errado)
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Item — ❌ ERRADO

A assertiva é falsa porque a ortografia oficial não admite "Co-existem". A forma correta é "coexistem", sem hífen. O erro do candidato seria generalizar indevidamente a regra dos prefixos, desconsiderando a particularidade do prefixo "co-".

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