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Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsCrase
Código
ce149875
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
DPE-DF
Ano
2022
Nível
Superior
      As forças da natureza são obviamente indiferentes a modos de produção, tempo e espaço. Mas são as estruturas sociais que determinam as consequências, o grau de sofrimento e quem morre mais. Em 1989, o terremoto de São Francisco, de intensidade 7,1 na escala Richter, causou a morte de 63 pessoas e deixou cerca de 3.700 feridos. Em 2010, o terremoto em Porto Príncipe, no Haiti, de magnitude 7,0 na escala Richter, matou mais de 300 mil pessoas e deixou 300 mil feridos. Dez meses depois, uma epidemia de cólera matou 9 mil pessoas. 

      Quando a natureza atinge a existência humana, o impulso primário é buscar o culpado mais à mão no imaginário. Pode ser Deus, a cruel natureza ou o enigmático ente a que se denomina destino. Mas muito frequentemente destino é uma expressão que encobre com um véu de irracionalidade o que é apenas obra humana. 

      O vírus atinge o planeta. O vírus ameaça a humanidade. Planeta ou humanidade designam tanto os habitantes de Manhattan, da Avenue Foch, em Paris, do Leblon, no Rio de Janeiro, ou dos Jardins, em São Paulo, como também designam os 800 milhões de pessoas que passam fome no mundo, segundo dados da Organização das Nações Unidas (2017). No planeta vive o 1% das pessoas que detém renda maior que os restantes 99% da população mundial. Vivem 42 pessoas cuja riqueza é igual à de 3,7 bilhões dos mais pobres que lutam para sobreviver, para suprir necessidades básicas. Vivem os que têm renda para ficar em casa e fazer suas compras de alimentos pela Internet, os que não vão comer hoje por causa da pandemia e os que já não comiam antes da pandemia. Vivem os que podem se isolar e os que moram em aglomerados miseráveis, em um cômodo apenas, para os quais as palavras “confinamento”, “isolamento” ou “quarentena” são piadas de mau gosto. Vivem 4,5 bilhões de pessoas que não têm saneamento nem água encanada, desprovidas das condições mínimas de higiene.


Internet:<revistacult.uol.com.br> (com adaptações).
No que se refere às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.A supressão do sinal indicativo de crase na expressão “à mão” (primeiro período do segundo parágrafo) alteraria o sentido do texto e prejudicaria sua coerência.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em locução adverbial e alteração de sentido

Gabarito: C (CERTO). A supressão do acento grave em “à mão” alteraria o sentido do texto e prejudicaria sua coerência, pois a expressão “à mão” é uma locução adverbial feminina que indica o modo como se busca o culpado (buscar “de imediato”, “facilmente”). Sem a crase, “a mão” passaria a ser lida como artigo + substantivo, quebrando a locução e o sentido de modo, comprometendo a coerência do trecho.

Análise do trecho

No segundo parágrafo, lê-se:

“Quando a natureza atinge a existência humana, o impulso primário é buscar o culpado mais à mão no imaginário.”

A expressão “à mão” é uma locução adverbial de modo (equivale a “de imediato”, “facilmente”, “ao alcance”). A crase é obrigatória nesse tipo de locução formada por palavra feminina, conforme a regra das locuções adverbiais (à toa, à deriva, à noite, à mão, etc.).

Se retirássemos o acento grave, teríamos “buscar o culpado mais a mão no imaginário”. Nessa nova leitura, “a” seria apenas artigo definido feminino e “mão” um substantivo comum, sem valor de locução. A frase perderia o sentido de “buscar de imediato” e passaria a sugerir algo como “buscar a mão” (parte do corpo), o que não se sustenta no contexto. Haveria, portanto, alteração de sentido e prejuízo à coerência.

Por que a banca considerou CERTO

A questão testa dois conhecimentos integrados:

  1. Crase em locuções adverbiais femininas – é obrigatória, pois há fusão da preposição “a” com o artigo “a” (ou com o “a” inicial de pronomes demonstrativos).

  2. Relação entre forma e sentido – a supressão do acento não é mera questão ortográfica; ela muda a estrutura sintática e, consequentemente, o significado.

A banca não pergunta se a crase é obrigatória ou facultativa, mas se a supressão alteraria o sentido e a coerência. Como a locução “à mão” tem valor adverbial fixo, a retirada do acento desfaz essa locução e compromete a leitura.

Conclusão

O item está CERTO. A crase em “à mão” é essencial para manter o sentido de modo (“de imediato”) e a coerência do trecho. Sua supressão alteraria o sentido e prejudicaria a compreensão.

1Locução adverbial feminina
Sentido de modo
“de imediato”, “facilmente”
2Crase obrigatória
Preposição “a” + artigo “a”
3Sem o acento
“a” = artigo + “mão” = substantivo
Perde o sentido de modo
Prejuízo à coerência
Crase em “à mão”
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Crase em “à mão”: Locução adverbial feminina (Sentido de modo, “de imediato”, “facilmente”); Crase obrigatória (Preposição “a” + artigo “a”); Sem o acento (“a” = artigo + “mão” = substantivo, Perde o sentido de modo, Prejuízo à coerência)

Gabarito: C (CERTO).

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