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Questão de Português — Morfologia - Verbos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
ce150355
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPC-SC
Ano
2022
Nível
Superior

Texto CB1A1-II 


  A palavra “corrupção” tem origem nas palavras latinas corruptio e corrumpere, que indicam algo que foi corrompido, deturpado. Por ela ser um termo polissêmico, entendemos que a sua história conceitual é incerta. É usual o tratamento da corrupção sob uma perspectiva moralista, como algo resultante da falta de caráter dos indivíduos. Contudo, tal abordagem não apresenta validade científica, já que moral é um atributo individual, dotado de subjetividade e culturalmente circunscrito.

  A manifestação de práticas corruptas pode-se dar em ambientes públicos ou privados, a partir de numerosos tipos de ação e em variada magnitude. Em todos os casos, a corrupção sempre se materializa a partir de trocas entre os agentes. Em relação a quem participa da troca corrupta, em situações nas quais há participação de agentes públicos, distinguem-se três tipos de corrupção: a grande corrupção, a corrupção burocrática (a pequena corrupção) e a corrupção legislativa. A primeira normalmente se refere a atos da elite política que cria políticas econômicas que a beneficiem. A segunda tem a ver com atos da burocracia em relação aos superiores hierárquicos ou ao público. A terceira se relaciona à compra de votos dos legisladores.  

  Nas três formas, encontramos algum tipo de pagamento. Isso nos leva a concluir que a corrupção tem uma natureza essencialmente econômica: ela é uma troca socialmente indesejada. Com isso, queremos dizer que, apesar de não se configurar necessariamente como ilegal em todos os seus tipos, ela se configura como um jogo de soma zero entre a sociedade e os participantes do ato corrupto.

Luiz Fernando Vasconcellos de Miranda. Corrupção: debate conceitual. In: Cláudio André de Souza (org). Dicionário das eleições. Curitiba: Juruá, 2020, p. 209-210 (com adaptações).

Em relação a aspectos linguísticos do texto CB1A1-II, julgue o item subsequente.No último período do texto, o predomínio de verbos flexionados no presente do modo indicativo evidencia a intenção do autor de exprimir hipóteses, conjecturas, estimativas.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Presente do indicativo e valor de certeza no texto CB1A1-II

Gabarito: letra E (ERRADO). O item afirma que o predomínio de verbos no presente do indicativo, no último período, evidencia intenção de exprimir hipóteses, conjecturas, estimativas — mas isso é o oposto do que o modo indicativo faz. O presente do indicativo é o tempo/modo da certeza, da factualidade, e no trecho final o autor conclui e afirma uma tese, não especula. A passagem que ancora o veredito é:

"Isso nos leva a concluir que a corrupção tem uma natureza essencialmente econômica: ela é uma troca socialmente indesejada."

Os verbos "leva", "tem" e "é" estão no presente do indicativo e expressam constatação/conclusão, não hipótese. A banca inverteu o valor semântico do modo verbal — armadilha clássica de troca de conceito.

O que o item afirma × o que o texto mostra

O item diz que o presente do indicativo "evidencia a intenção do autor de exprimir hipóteses, conjecturas, estimativas". No entanto, o modo indicativo, por definição, expressa certeza, fatos, realidades — é o modo da asserção. O modo da hipótese/dúvida é o subjuntivo (ex.: "se houvesse", "talvez seja") ou, em certos usos, o futuro do pretérito (ex.: "seria", "poderia").

No último período, o autor não está especulando: ele está concluindo um raciocínio desenvolvido ao longo do texto. Veja os verbos:

  • "leva" — presente do indicativo, indica uma relação de causalidade/conclusão (o que foi dito antes conduz a esta conclusão).

  • "tem" — presente do indicativo, afirma uma característica da corrupção (natureza econômica).

  • "é" — presente do indicativo, define a corrupção como "troca socialmente indesejada".

Nenhum desses verbos está em contexto de dúvida, condição ou estimativa. Pelo contrário, o trecho "Isso nos leva a concluir" é uma marca textual de conclusão assertiva.

Por que a alternativa está errada

A alternativa contradiz o texto e, mais especificamente, troca o conceito de valor do modo indicativo. Ela atribui ao presente do indicativo um valor que ele não tem nesse contexto. Se o autor quisesse exprimir hipóteses, usaria o subjuntivo ("talvez a corrupção seja...") ou o futuro do pretérito ("a corrupção seria..."). O uso do presente do indicativo, ao contrário, reforça a tese como fato.

1Valor semântico
Certeza
Fato
Conclusão
2Modo da hipótese
Subjuntivo (talvez seja)
Futuro do pretérito (seria)
3No texto
"leva" — conclusão
"tem" — afirmação
"é" — definição
Presente do indicativo
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Presente do indicativo: Valor semântico (Certeza, Fato, Conclusão); Modo da hipótese (Subjuntivo (talvez seja), Futuro do pretérito (seria)); No texto ("leva" — conclusão, "tem" — afirmação, "é" — definição)
NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre "presente" e "hipótese" — mas o que marca hipótese é o modo (subjuntivo) ou o tempo (futuro do pretérito), não o presente do indicativo. O presente do indicativo é o tempo da certeza.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre tempo/modo verbal, pergunte: o verbo está em contexto de fato (indicativo) ou de dúvida/condição (subjuntivo)? Grife os verbos do trecho e veja se há marcas de hipótese ("talvez", "se...", "seria").

Conclusão: o item está ERRADO, pois o presente do indicativo no último período expressa certeza e conclusão, não hipóteses ou conjecturas. Gabarito: letra E.

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