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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
ce150358
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPC-SC
Ano
2022
Nível
Superior

Texto CB1A1-II 


  A palavra “corrupção” tem origem nas palavras latinas corruptio e corrumpere, que indicam algo que foi corrompido, deturpado. Por ela ser um termo polissêmico, entendemos que a sua história conceitual é incerta. É usual o tratamento da corrupção sob uma perspectiva moralista, como algo resultante da falta de caráter dos indivíduos. Contudo, tal abordagem não apresenta validade científica, já que moral é um atributo individual, dotado de subjetividade e culturalmente circunscrito.

  A manifestação de práticas corruptas pode-se dar em ambientes públicos ou privados, a partir de numerosos tipos de ação e em variada magnitude. Em todos os casos, a corrupção sempre se materializa a partir de trocas entre os agentes. Em relação a quem participa da troca corrupta, em situações nas quais há participação de agentes públicos, distinguem-se três tipos de corrupção: a grande corrupção, a corrupção burocrática (a pequena corrupção) e a corrupção legislativa. A primeira normalmente se refere a atos da elite política que cria políticas econômicas que a beneficiem. A segunda tem a ver com atos da burocracia em relação aos superiores hierárquicos ou ao público. A terceira se relaciona à compra de votos dos legisladores.  

  Nas três formas, encontramos algum tipo de pagamento. Isso nos leva a concluir que a corrupção tem uma natureza essencialmente econômica: ela é uma troca socialmente indesejada. Com isso, queremos dizer que, apesar de não se configurar necessariamente como ilegal em todos os seus tipos, ela se configura como um jogo de soma zero entre a sociedade e os participantes do ato corrupto.

Luiz Fernando Vasconcellos de Miranda. Corrupção: debate conceitual. In: Cláudio André de Souza (org). Dicionário das eleições. Curitiba: Juruá, 2020, p. 209-210 (com adaptações).

Em relação a aspectos linguísticos do texto CB1A1-II, julgue o item subsequente.Sem prejuízo da correção gramatical do texto, o pronome “se”, em “pode-se dar” (primeiro período do segundo parágrafo), poderia ser colocado em seguida ao verbo “dar”, reescrevendo-se o trecho da seguinte forma: pode dar-se.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação pronominal em “pode-se dar” — Gabarito: letra C (CERTO).

O pronome átono “se” em “pode-se dar” pode ser deslocado para depois do verbo principal, resultando em “pode dar-se”, sem prejuízo da correção gramatical. Isso é possível porque, em locuções verbais com o verbo principal no infinitivo, a norma culta admite tanto a próclise ao verbo auxiliar quanto a ênclise ao infinitivo. No texto, o trecho é: “A manifestação de práticas corruptas pode-se dar em ambientes públicos ou privados” — a reescrita “pode dar-se” mantém o sentido e a gramaticalidade.

A regra que decide a questão

Em locuções verbais formadas por verbo auxiliar + infinitivo, o pronome oblíquo átono pode ficar:

  • Antes do auxiliar (próclise): pode-se dar — quando há palavra atrativa, como o advérbio “não” (não se pode dar);

  • Depois do auxiliar (ênclise ao auxiliar): pode-se dar — forma mais comum na escrita formal;

  • Depois do infinitivo (ênclise ao verbo principal): pode dar-seigualmente correta, pois o infinitivo admite ênclise.

Essa flexibilidade é reconhecida pela gramática normativa: com o infinitivo, a colocação do pronome é facultativa quando não há fator obrigatório de próclise. No caso, não há palavra atrativa antes de “pode”, então tanto pode-se dar quanto pode dar-se são aceitas.

Análise do item

Colocação pronominal em locução verbal
  • 1auxiliar + infinitivo
  • 2Sem palavra atrativa
    • Ênclise ao auxiliar (pode-se dar)
    • Ênclise ao infinitivo (pode dar-se)
  • 3Com palavra atrativa (não, que, quem)
    • Próclise obrigatória (não se pode dar)
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Item — ✅ CERTOGABARITO

A afirmação está correta. O trecho original do texto é:

“A manifestação de práticas corruptas pode-se dar em ambientes públicos ou privados”

A reescrita proposta, “pode dar-se”, é gramaticalmente válida. Vejamos o porquê:

  1. Locução verbal com infinitivo: “pode” é o verbo auxiliar e “dar” é o verbo principal no infinitivo. Em locuções verbais, o pronome átono pode ser enclítico ao auxiliar (pode-se dar) ou ao infinitivo (pode dar-se).

  2. Ausência de palavra atrativa: não há advérbio, pronome relativo, conjunção subordinativa etc. antes de “pode” que force a próclise. Portanto, a ênclise ao infinitivo é permitida.

  3. Preservação do sentido: a partícula “se” continua com a mesma função — partícula apassivadora (voz passiva sintética) — e o sentido de “a manifestação pode ocorrer” permanece intacto.

PEGA ESSA DICA!

Em locuções verbais com infinitivo, a colocação do pronome é facultativa quando não há palavra atrativa. Teste: se a frase começa com palavra atrativa (não, que, quem, etc.), a próclise é obrigatória; caso contrário, pode-se usar ênclise no auxiliar ou no infinitivo.

Conclusão

Como a reescrita “pode dar-se” é gramaticalmente correta e mantém o sentido original, o item está CERTO.

Gabarito: letra C (CERTO).

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