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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce151121
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEE-PE
Ano
2022
Nível
Superior

Texto CG1A1-II


  Muito se tem pesquisado sobre os impactos positivos da educação, que valeram inclusive um prêmio Nobel de economia a James Heckman, em 2000, por ele ter evidenciado, em um estudo longitudinal, as inegáveis vantagens de pré-escolas de qualidade para a obtenção futura de emprego e salários e para a redução de encarceramento. 

  Mas uma nova pesquisa, feita aqui no Brasil, sobre uma política pública de visível efeito na aprendizagem, o ensino médio integral, um programa realizado por Pernambuco ao longo de 16 anos, trouxe evidências que também transcendem a educação.

  O estudo, feito por pesquisadores da USP e do INSPER, mostrou que, com o aumento da carga horária e um currículo que incorpora ideias de Antonio Carlos Gomes da Costa, que concebeu a proposta para a escola piloto, o Ginásio Pernambucano, no qual há tempo para se trabalhar o projeto de vida do aluno e o protagonismo juvenil, reduz-se em 50% a taxa de homicídio de homens jovens.  

  Não se trata do primeiro estudo sobre os efeitos da escola em tempo integral. Outros analisaram salários dos formados e empregabilidade de mulheres, mas a melhora nos índices de criminalidade foi capturada apenas nessa interessante pesquisa.  

 Visitei muitas escolas de ensino médio em Pernambuco, em áreas de grande vulnerabilidade. O resultado de uma política que se construiu ao longo de anos, tendo passado por diferentes governos e se fortalecido, é visível não só pelas melhores condições de trabalho dos professores, com dedicação exclusiva a uma única escola, como também pelo clima escolar. Não é por acaso que tantos estados, com governadores de partidos diferentes, têm-se inspirado no exemplo pernambucano, como Paraíba, Ceará, Maranhão e Goiás.

  O país pode aprender com nações com bons sistemas educacionais, nenhum deles com quatro horas de aula por dia, e, ainda, com o que dá certo por aqui. 


 Claudia Costin. Os impactos da educação em tempo integral.

Internet:<www1.folha.uol.com.br>  (com adaptações).

Julgue o item subsequente, relativo a aspectos linguísticos do texto CG1A1-II.Estariam mantidos os sentidos e a correção gramatical do texto caso a oração “reduz-se em 50% a taxa de homicídio de homens jovens” (terceiro parágrafo) fosse assim reescrita: a taxa de homicídio de homens jovens é reduzida em 50%.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

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Reescrita de voz passiva sintética para analítica — manutenção de sentido e correção

Gabarito: letra C (CERTO). A reescrita de “reduz-se em 50% a taxa de homicídio de homens jovens” para “a taxa de homicídio de homens jovens é reduzida em 50%” mantém os sentidos e a correção gramatical, pois ambas as construções expressam a mesma ideia de que a taxa sofre a ação de ser reduzida, apenas com estruturas sintáticas diferentes: a primeira é voz passiva sintética (com o pronome apassivador “se”) e a segunda é voz passiva analítica (com locução verbal “é reduzida”). Como se vê no terceiro parágrafo do texto, a oração original já apresenta o sentido passivo, e a reescrita apenas o torna explícito com o particípio.

A questão é de reescritura de frases — o comando pede que se julgue se a nova redação preserva sentido e gramática. A chave está em reconhecer que “reduz-se” é uma voz passiva sintética: o “se” é partícula apassivadora, e o sujeito paciente é “a taxa de homicídio de homens jovens”. Na reescrita, temos a voz passiva analítica, formada pelo verbo auxiliar “ser” (no presente do indicativo, “é”) + particípio do verbo principal (“reduzida”). Ambas as vozes passivas são equivalentes em sentido e ambas são gramaticalmente corretas.

Análise da reescrita

  • Original: “reduz-se em 50% a taxa de homicídio de homens jovens”

    • Estrutura: verbo “reduzir” na 3ª pessoa do singular + pronome “se” (partícula apassivadora) + adjunto adverbial “em 50%” + sujeito paciente “a taxa de homicídio de homens jovens”.

    • Sentido: a taxa é reduzida (alguém/algo a reduz) — voz passiva.

  • Reescrita: “a taxa de homicídio de homens jovens é reduzida em 50%”

    • Estrutura: sujeito paciente “a taxa de homicídio de homens jovens” + locução verbal “é reduzida” (auxiliar “ser” + particípio) + adjunto adverbial “em 50%”.

    • Sentido: idêntico — a taxa sofre a ação de ser reduzida.

A concordância verbal está correta: o sujeito “a taxa” (singular) exige verbo no singular, tanto em “reduz-se” quanto em “é reduzida”. Não há mudança de tempo verbal (presente do indicativo), nem de modo, nem de aspecto. A única diferença é sintática: a passiva sintética usa o pronome “se” e a analítica usa locução verbal.

Por que as demais possibilidades não se aplicam

Como a questão é de Certo/Errado, não há alternativas distratoras. O item é CERTO porque a reescrita é uma paráfrase gramaticalmente válida e semanticamente equivalente.

1Sintética
Verbo + "se" (partícula apassivadora)
Ex.: reduz-se a taxa
2Analítica
Verbo ser + particípio
Ex.: a taxa é reduzida
3Equivalência
Mesmo sentido
Mesmo tempo/modo
Concordância preservada
Voz passiva
LEVELsoulevel.com.br
Voz passiva: Sintética (Verbo + "se" (partícula apassivadora), Ex.: reduz-se a taxa); Analítica (Verbo ser + particípio, Ex.: a taxa é reduzida); Equivalência (Mesmo sentido, Mesmo tempo/modo, Concordância preservada)
PEGA ESSA DICA!

Ao julgar reescritas, verifique três pontos: (1) o sentido é o mesmo? (2) a concordância e a regência estão corretas? (3) o tempo e o modo verbais foram preservados? Se sim, a reescrita é válida. Aqui, a passiva sintética e a analítica são equivalentes.

Gabarito: letra C (CERTO).

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