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Questão de Direito Administrativo — Atos administrativos — CESPE / CEBRASPE 2023

Direito AdministrativoAtos administrativos
Código
ce151991
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
AGU
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Procurador da Fazenda Nacional
Determinada banca de jornal foi instalada regularmente em uma esquina de pouco movimento, Passados dez anos, um hospital público foi construído na região, e um grande número de pessoas e veículos começou a circular no local, de forma que a atividade da banca de jornal passou a dificultar a passagem de pedestres e o trânsito local de veículos.Nessa situação hipotética, é correto que a administração pública
  1. Ainvalide a permissão de uso de bem público concedida ao proprietário da banca de jornal, por razões de conveniência e oportunidade da administração.
  2. Bmantenha a banca de jornal no local onde ela se encontra, haja vista o direito adquirido do proprietário decorrente do lapso temporal transcorrido.
  3. Crevogue a permissão de uso de bem público concedida ao proprietário da banca de jornal, por razões de conveniência e oportunidade da administração.
  4. Dinvalide a permissão de uso de bem público concedida ao proprietário da banca de jornal, em virtude da ilegalidade superveniente do ato.
  5. Econvalide a permissão de uso de bem público concedida ao proprietário da banca de jornal, dada a nova situação consolidada com a construção do hospital público.
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GabaritoC — revogue a permissão de uso de bem público concedida ao proprietário da banca de jornal, por razões de conveniência e oportunidade da administração.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Permissão de uso de bem público – Revogação por conveniência e oportunidade

Gabarito: letra C. A permissão de uso de bem público é ato administrativo precário e discricionário, podendo ser revogada a qualquer tempo por razões de interesse público, sem que se configure direito adquirido. No caso, a alteração do fluxo local após a construção do hospital tornou a atividade da banca um obstáculo ao trânsito e à passagem de pedestres, autorizando a revogação por conveniência e oportunidade.

A permissão de uso é um dos instrumentos de utilização privativa de bem público, caracterizando-se pela precariedade: não gera direito adquirido à permanência e pode ser revogada unilateralmente pela Administração quando o interesse público assim exigir (súmula 473 STF – não há texto canônico, mas o conceito é pacífico). Diferencia-se da autorização (também precária) e da concessão de uso (contrato, prazo determinado, direito à indenização). No enunciado, a banca foi instalada regularmente (ato válido) e dez anos depois, com a construção do hospital, a atividade passou a dificultar o trânsito – fato superveniente que altera o interesse público. A Administração pode, então, extinguir o ato por revogação (ato discricionário, baseado no mérito), e não por anulação (que pressupõe ilegalidade). Não há direito adquirido (precariedade impede). Convalidação não se aplica porque o ato é válido.

Instituto

Natureza Jurídica

Extinção por Mérito

Direito Adquirido

Exemplo no Caso

Permissão de uso

Ato administrativo precário e discricionário

Revogação por conveniência e oportunidade

Não há

Banca de jornal que se tornou obstáculo ao trânsito

Autorização de uso

Ato administrativo precário e discricionário

Revogação por conveniência e oportunidade

Não há

Concessão de uso

Contrato administrativo com prazo determinado

Rescisão contratual (indenização)

Há (durante o prazo)

Permissão de uso de bem público
  • 1Natureza
    • Ato precário
    • Ato discricionário
  • 2Extinção
    • Revogação (mérito)
      • Conveniência e oportunidade
      • Fato superveniente
    • Anulação (ilegalidade)
  • 3Direitos do permissionário
    • Direito adquirido
    • Indenização (regra)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A invalidação (anulação) ocorre por ilegalidade, não por conveniência e oportunidade. O ato foi válido na origem, então não cabe anulação. Além disso, o termo "invalide" é inadequado para o caso, pois a extinção por razões de mérito é revogação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não há direito adquirido em permissão de uso precária, pois o instituto é regido pela precariedade. O lapso temporal não consolida direito à permanência frente à alteração do interesse público.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta porque a permissão de uso é ato discricionário e precário, revogável por conveniência e oportunidade da Administração quando o interesse público superveniente justificar. No caso, a construção do hospital alterou a situação fática, tornando a banca um obstáculo ao trânsito, o que fundamenta a revogação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Não há ilegalidade superveniente. O ato continua válido; a mudança das circunstâncias fáticas não torna o ato ilegal. Se houvesse ilegalidade (ex.: alvará vencido), caberia anulação, mas não foi o caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Convalidação é ato que sana vício sanável de ato inválido, tornando-o válido retroativamente. Aqui o ato é válido, não há vício a sanar. A nova situação não "consolida" nada; ao contrário, autoriza a revogação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir invalidação (anulação) com revogação. Lembre: anulação = ilegalidade; revogação = mérito (conveniência e oportunidade). A permissão de uso é precária, sem direito adquirido.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, identifique se o ato é válido ou não. Se válido e houver mudança de interesse público, a extinção é por revogação (ato discricionário). Se inválido, anulação. Decore a diferença entre permissão (precária) e concessão de uso (contratual, com prazo e garantias).

MNEMÔNICO
FOCO / O FIM
FOFormaCOCompetência. O FIM (elementos que NÃO podem ser convalidados): O = ObjetoFIFinalidadeMMotivo
Convalidação dos atos administrativos

Gabarito: letra C.

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