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Questão de Direito Penal — Legislação Penal Especial — CESPE / CEBRASPE 2023

Direito PenalLegislação Penal Especial
Código
ce155762
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-AM
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto
Marcos e Sueli foram presos em flagrante delito em frente à residência onde moravam porque portavam consigo 50 g de maconha para comercialização, conforme consta do relatório do inquérito policial. A droga apreendida estava acondicionada em 10 embalagens, cada qual com 5 g da droga. O casal não possuía passagens pelo sistema de justiça criminal.Considerando essa situação hipotética e a jurisprudência do STJ, assinale a opção correta.
  1. ACaso o casal tenha sido flagrado antes de efetuar a primeira venda da droga, é cabível a configuração do crime de associação para o tráfico na modalidade tentada.
  2. BA colaboração criminosa de dois agentes para fins de tráfico de drogas implica a associação, independentemente de estabilidade e permanência.
  3. CCaso o casal seja condenado pelo crime de associação para o tráfico, será inviável a aplicação da minorante do tráfico privilegiado.
  4. DTendo ocorrido o flagrante em bairro notoriamente conhecido como dominado por facção criminosa, será adequada a tipificação dos envolvidos no crime de associação para o tráfico.
  5. EA estabilidade da relação conjugal é suficiente para a adequação típica da conduta em associação para o tráfico.
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GabaritoC — Caso o casal seja condenado pelo crime de associação para o tráfico, será inviável a aplicação da minorante do tráfico privilegiado.

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Associação para o tráfico e tráfico privilegiado

Gabarito: letra C. Segundo jurisprudência consolidada do STJ, o crime de associação para o tráfico (art. 35 da Lei 11.343/2006) exige estabilidade e permanência, e sua condenação afasta a aplicação da minorante do tráfico privilegiado (art. 33, §4º), pois os requisitos são incompatíveis.

A questão exige conhecimento do entendimento do STJ sobre o conflito entre os crimes de tráfico e associação para o tráfico, especialmente quanto à possibilidade de aplicação da causa de diminuição de pena prevista no §4º do art. 33 quando há condenação também pelo art. 35.

Aspecto

Associação para o Tráfico (art. 35)

Tráfico Privilegiado (art. 33, §4º)

Consequência Jurídica

Natureza

Crime autônomo e permanente

Causa de diminuição de pena (minorante)

Incompatibilidade entre os institutos

Requisito principal

Estabilidade e permanência na associação criminosa

Primariedade, bons antecedentes, não dedicação a atividades criminosas

A associação demonstra dedicação estável ao crime

Efeito da condenação

Condenação pelo art. 35

Afasta a aplicação do §4º do art. 33

Inviável aplicar a minorante (STJ, REsp 1.110.106)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma ser cabível a tentativa no crime de associação para o tráfico. O crime de associação para o tráfico é crime permanente, que se consuma com a formação da associação estável e permanente. Na hipótese, os agentes foram flagrados com a droga, mas o crime de associação exige mais: estabilidade e permanência. Além disso, crimes permanentes não admitem tentativa, pois a consumação se prolonga no tempo. Caso não houvesse associação estável, a conduta seria apenas tráfico, não associação. A tentativa é incabível.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que a colaboração criminosa de dois agentes para fins de tráfico implica associação, independentemente de estabilidade e permanência. Isso contraria o entendimento do STJ. A associação para o tráfico (art. 35) exige o elemento subjetivo de associar-se de forma estável e permanente para praticar o tráfico. A mera coautoria em um delito de tráfico (concurso eventual) não configura o crime de associação. O STJ, inclusive na Súmula 711, exige estabilidade e permanência.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Segundo o STJ, a condenação pelo crime de associação para o tráfico (art. 35) inviabiliza a aplicação da minorante do tráfico privilegiado (art. 33, §4º). O tráfico privilegiado exige que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique a atividades criminosas nem integre organização criminosa. A associação para o tráfico demonstra justamente o contrário: dedicação estável ao crime, incompatível com o privilégio. O STJ firmou o entendimento no REsp 1.110.106/PR e no AgRg no AREsp 1.468.755/SP.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O fato de o flagrante ocorrer em bairro dominado por facção criminosa não é suficiente para tipificar a associação para o tráfico. A associação exige vínculo associativo estável e permanente entre os agentes para a prática reiterada de tráfico. A localização do crime, por si só, não preenche o tipo penal. A conduta dos agentes no caso concreto (flagrante com 50g de maconha) demonstra tráfico, mas não associação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A estabilidade da relação conjugal não é suficiente para a adequação típica da associação para o tráfico. A estabilidade exigida é a do vínculo criminoso (associação estável e permanente para o tráfico), não a estabilidade familiar. O STJ afasta a configuração do art. 35 quando o vínculo entre os agentes é meramente pessoal ou afetivo, sem prova de estabilidade na atividade criminosa. Exemplo: REsp 1.478.291/SP.

Gabarito: letra C.

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