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Questão de Direitos Humanos — Sistema Global de Proteção dos Direitos Humanos: Instrumentos Normativos — CESPE / CEBRASPE 2023

Direitos HumanosSistema Global de Proteção dos Direitos Humanos: Instrumentos Normativos
Código
ce155796
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-AM
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto
Em 2019, o quadro Orixás, da pintora brasileira Djanira da Motta e Silva, até então a principal obra de decoração do Salão Nobre do Palácio do Planalto, foi injustificadamente retirado do local e enviado para o arquivo do Planalto, deixando de ser exibido ao público. No que se refere a esse episódio e aspectos a ele relacionados, assinale a opção correta
  1. AO MP pode averiguar se há fundamento jurídico para a abertura de investigação das circunstâncias que motivaram a retirada dessa obra do Salão Nobre do Palácio do Planalto, o que pode ser objeto de eventual inquérito civil público relativo a suspeita de racismo religioso contra as religiões de matriz africana no Brasil.
  2. BComo a administração pública deve ser neutra com relação à religião, o fato de repartições públicas do país ostentarem símbolos de qualquer grupo religioso constitui afronta ao princípio legal do estado laico e desrespeito à diversidade religiosa brasileira.
  3. CA expansão das religiões cristãs, especialmente das igrejas neopentecostais, foi determinante para eliminar a força das religiões de matriz africana nos legados culturais africanos ao longo do tempo e, assim, estas religiões deixaram de existir e influenciar as práticas culturais da sociedade brasileira.
  4. DO candomblé, a umbanda, o batuque, o xangô, o xambá, o tambor de mina e a jurema (ou catimbó) são expressões da diversidade religiosa brasileira, razão pela qual não são hostilizados tampouco considerados como expressões do mal, mas, sim, como prova da pluralidade cultural e religiosa louvada e respeitada por todos no Brasil.
  5. EAs agressões isoladas perpetradas contra terreiros e templos de religiões de matriz africana ao longo da história brasileira não são prova do racismo institucional encontrado nos órgãos de Estado, mas refletem a necessidade de atuação firme do Estado para inibir as práticas dos adeptos das religiões de matriz africana, uma vez que os rituais dessas religiões degradam o meio ambiente.
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GabaritoA — O MP pode averiguar se há fundamento jurídico para a abertura de investigação das circunstâncias que motivaram a retirada dessa obra do Salão Nobre do Palácio do Planalto, o que pode ser objeto de eventual inquérito civil público relativo a suspeita de racismo religioso contra as religiões de matriz africana no Brasil.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Direitos Humanos e Intolerância Religiosa

Gabarito: letra A. O Ministério Público possui atribuição para investigar atos de racismo religioso, podendo instaurar inquérito civil público para apurar a retirada injustificada de obra que retrata orixás, símbolo de religiões de matriz africana. A alternativa está amparada no art. 24, inciso VIII, da Lei nº 12.288/2010 (Estatuto da Igualdade Racial), que assegura o direito de comunicação ao MP para abertura de ação penal em face de intolerância religiosa.

A questão aborda o episódio da retirada do quadro "Orixás" do Palácio do Planalto, relacionando-o à proteção das religiões de matriz africana e ao combate ao racismo religioso. O examinador testa o conhecimento sobre o papel do Ministério Público e os limites da laicidade estatal.

Alternativa

Descrição

Fundamento Legal/Conceitual

Correta?

A

O MP pode investigar a retirada da obra como suspeita de racismo religioso, instaurando inquérito civil público.

Art. 24, VIII, da Lei 12.288/2010 (Estatuto da Igualdade Racial) – comunicação ao MP para apurar intolerância religiosa.

Gabarito

B

A ostentação de símbolos religiosos em repartições públicas afronta o princípio do estado laico.

Laicidade não exige neutralidade absoluta; símbolos culturais/históricos são permitidos.

❌ Incorreta

C

A expansão das igrejas neopentecostais eliminou as religiões de matriz africana e seus legados culturais.

Fato histórico falso; as religiões de matriz africana persistem e influenciam a cultura brasileira.

❌ Incorreta

D

Candomblé, umbanda, etc., são expressões da diversidade religiosa, não hostilizadas e respeitadas por todos.

Afirmação irreal; há hostilidade e racismo religioso contra essas religiões no Brasil.

❌ Incorreta

E

Agressões a terreiros não são racismo institucional; o Estado deve inibir práticas que degradam o meio ambiente.

As agressões refletem racismo institucional; rituais não degradam o meio ambiente de forma generalizada.

❌ Incorreta

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O Ministério Público, como guardião dos direitos difusos e coletivos, pode investigar eventuais atos de intolerância religiosa. O art. 24, VIII, da Lei 12.288/2010 (Estatuto da Igualdade Racial) prevê expressamente o direito de comunicação ao MP "para abertura de ação penal em face de atitudes e práticas de intolerância religiosa nos meios de comunicação e em quaisquer outros locais". A retirada da obra, que retrata orixás, pode configurar discriminação contra religiões de matriz africana, sendo legítima a atuação do MP para apurar o caso e, se cabível, propor inquérito civil público ou ação civil pública.

Art. 24Lei-12288

Art. 24 — O direito à liberdade de consciência e de crença e ao livre exercício dos cultos religiosos de matriz africana compreende: ... VIII — a comunicação ao Ministério Público para abertura de ação penal em face de atitudes e práticas de intolerância religiosa nos meios de comunicação e em quaisquer outros locais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A assertiva parte de uma premissa equivocada de que o estado laico impede qualquer ostentação de símbolos religiosos em repartições públicas. Na verdade, o princípio da laicidade não impõe uma neutralidade absoluta; permite a presença de símbolos religiosos quando representam manifestações culturais ou históricas, desde que não haja favorecimento oficial de uma religião. O STF, no RE 611.874, por exemplo, admitiu crucifixos em tribunais. Portanto, afirmar que a mera ostentação de símbolos constitui afronta ao estado laico é uma generalização indevida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação é factualmente incorreta. As religiões de matriz africana (candomblé, umbanda, etc.) continuam existindo e influenciando a cultura brasileira, apesar de serem historicamente marginalizadas. A expansão das igrejas neopentecostais não eliminou essas religiões; ao contrário, há resistência e luta por reconhecimento.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Embora liste corretamente algumas denominações de religiões de matriz africana, a assertiva erra ao afirmar que "não são hostilizados tampouco considerados como expressões do mal" e que são "louvadas e respeitadas por todos". Dados empíricos e relatórios de direitos humanos mostram que essas religiões sofrem preconceito e ataques no Brasil. A frase é idealizada e não condiz com a realidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa contém dois erros graves. Primeiro, nega a existência de racismo institucional, classificando as agressões como "isoladas", o que desconsidera a sistematicidade da discriminação. Segundo, sugere que o Estado deve inibir as práticas religiosas porque "degradam o meio ambiente", estereótipo preconceituoso contra os rituais de matriz africana. O Estado deve, ao contrário, proteger essas manifestações culturais e religiosas.

Gabarito: letra A.

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