Questão de Direito Administrativo — Responsabilidade civil do estado — CESPE / CEBRASPE 2023
Direito Administrativo›Responsabilidade civil do estado
Código
ce155987
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-PA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto
Considerando o disposto na Constituição Federal de 1988 (CF) e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), julgue os itens a seguir, a respeito da responsabilidade civil do Estado.I No tocante às atividades perigosas, é possível, por meio de lei específica, ampliar a responsabilidade civil do Estado para adotar a teoria do risco integral.II O Estado responde objetivamente por acidentes ocasionados em decorrência do comércio de fogos de artifício exercido clandestinamente, dada a omissão estatal relativa ao dever de fiscalização e vigilância.III É possível a responsabilização civil do Estado por danos ocasionados aos particulares em decorrência da implementação de política diretiva de fixação de preços para determinado setor, desde que haja comprovação de efetivo prejuízo econômico, mediante perícia técnica.Assinale a opção correta.
AApenas o item I está certo.
BApenas o item III está certo.
CApenas os itens I e III estão certos.
DApenas os itens II e III estão certos.
ETodos os itens estão certos.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Apenas o item III está certo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Responsabilidade Civil do Estado
Gabarito: letra B. Apenas o item III está correto. O item I erra ao admitir que lei ordinária ampliaria a teoria do risco integral para atividades perigosas, pois este regime excepcional aplica-se apenas a danos nucleares, ambientais e terroristas (fonte constitucional e legal). O item II erra ao afirmar responsabilidade objetiva por omissão genérica de fiscalização, já que a jurisprudência do STF exige comprovação de culpa (teoria da culpa administrativa). O item III está correto: o Estado pode ser responsabilizado por atos lícitos que acarretem prejuízo específico e anormal, desde que comprovado por perícia técnica.
A questão exige conhecimento da distinção entre as teorias de responsabilidade civil estatal e das posições firmadas pelo STF. Vamos analisar cada item e, em seguida, cada alternativa.
Responsabilidade civil do Estado
1Teoria do risco administrativo (regra)
Admite excludentes
Culpa exclusiva da vítima
Caso fortuito
Força maior
2Teoria do risco integral (exceção)
Danos nucleares
Danos ambientais
Atos terroristas (aeronaves brasileiras)
Não ampliável por lei ordinária
3Omissão estatal
Genérica (fiscalização)
Responsabilidade subjetiva
Culpa administrativa
Específica
Responsabilidade objetiva
4Ato lícito
Prejuízo específico e anormal
Responsabilidade do Estado
Exige perícia técnica
LEVEL · soulevel.com.br
Item I — ❌ Incorreto
O item afirma que, por meio de lei específica, seria possível adotar o risco integral para atividades perigosas. No Brasil, a regra constitucional (art. 37, §6º da CF) é a teoria do risco administrativo, que admite excludentes (culpa exclusiva da vítima, caso fortuito, força maior). A teoria do risco integral, em que nenhuma excludente é admitida, aplica-se apenas em hipóteses taxativas: danos nucleares, ambientais e atos terroristas contra aeronaves brasileiras (Lei 6.453/77, Lei 6.938/81, Lei 10.309/2001). Não cabe ao legislador ordinário ampliar esse rol para atividades perigosas. A banca tenta confundir com a responsabilidade objetiva já existente para atividades de risco (art. 927, parágrafo único, CC), que é de direito privado, não aplicável ao Estado na esfera extracontratual. Portanto, o item está errado.
Item II — ❌ Incorreto
O item sustenta que o Estado responde objetivamente por acidentes decorrentes de comércio clandestino de fogos de artifício, devido à omissão genérica de fiscalização. A jurisprudência do STF (RE 841.526/RS, Tema 362) firma que, em caso de omissão estatal genérica (falta de fiscalização, vigilância), a responsabilidade é subjetiva, baseada na teoria da culpa administrativa (culpa do serviço). Exige-se a comprovação de dolo ou culpa do agente, além do nexo causal. A responsabilidade objetiva por omissão só ocorre quando há um dever específico de agir (ex: proteção de detentos sob custódia). No caso de fiscalização de comércio clandestino, a omissão é genérica, logo não há responsabilidade objetiva. Portanto, o item está incorreto.
Item III — ✅ Correto ⟵ GABARITO
O item trata da responsabilidade do Estado por atos lícitos (política de fixação de preços). A jurisprudência do STF (RE 382.254, RE 158.954) reconhece que, quando um ato estatal lícito causa prejuízo específico e anormal a um particular, rompendo o princípio da igualdade (ônus desproporcional), o Estado deve indenizar. Exige-se a comprovação do prejuízo econômico efetivo, mediante perícia técnica, conforme o item. Isso é correto. O item reflete a responsabilidade por atos lícitos (responsabilidade extracontratual por sacrifício de direitos), que independe de ilicitude, mas exige o dano qualificado.
Agora, analisando cada alternativa:
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que apenas o item I está certo. Como vimos, o item I é falso. Portanto, alternativa incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que apenas o item III está certo. Correto, conforme análise acima. É a resposta correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que apenas os itens I e III estão certos. O item I é falso, logo alternativa incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que apenas os itens II e III estão certos. O item II é falso, logo alternativa incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que todos os itens estão certos. Como itens I e II são falsos, alternativa incorreta.
PEGA ESSA DICA!
Na hora da prova, lembre-se: o risco integral é excepcional e só se aplica a danos nucleares, ambientais e terroristas. Para omissão genérica do Estado, a responsabilidade é subjetiva (culpa administrativa). Atos lícitos que causem prejuízo específico e anormal geram indenização, com ônus de prova do dano. Esses três pontos são recorrentes nas questões de responsabilidade civil do Estado.