Ironia na crônica de Machado de Assis
Gabarito: E. O cronista está ironizando a sede de fama e as crises ministeriais, como se comprova pelo tom jocoso e pelas declarações que revelam que seu pedido é apenas um capricho, sem ambição real.
O texto é uma crônica em que o narrador pede para ser incluído nas listas ministeriais, mas deixa claro que o faz apenas pelo prazer de ver seu nome impresso ("Quero só o gosto") e pela importância que isso lhe daria perante parentes e amigos. O tom é exagerado e irônico, especialmente quando ele sugere que o imperador poderia realmente nomeá-lo ("não digo que aconteça assim mesmo; mas suponhamos que o imperador..."). Portanto, a conclusão correta é que ele está ironizando a sede de fama e as crises ministeriais (alternativa E).
Alternativa A — ❌ Incorreta
"gostaria de ser reconhecido como porta-voz da oposição ao governo"
O texto não menciona oposição ao governo nem qualquer desejo de ser porta-voz. O narrador quer ser lembrado como ministro, mas não assume posição política. Erro: extrapolação (fora do escopo).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"implora para ser nomeado no cargo de ministro"
O narrador explicitamente minimiza a importância do cargo: "contanto que o meu nome figure, importa pouco a designação." Ele diz "Não cobiço tanto, contento-me com ser lembrado." Logo, não implora. Erro: contradiz o texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"está em campanha política por causa de uma crise ministerial iminente"
Ele sugere que, com a iminente crise, seria bom ter seu nome nas listas, mas não faz campanha. O texto é um pedido humorístico, não uma campanha. Erro: extrapolação (fora do escopo).
Alternativa D — ❌ Incorreta
"está apenas sedento de fama"
Embora ele busque reconhecimento, a palavra "apenas" reduz a intenção a pura sede de fama, ignorando a ironia. O narrador brinca com a situação, não está genuinamente sedento. Erro: afirmativa incompleta (desconsidera o tom irônico).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"está ironizando a sede de fama e as crises ministeriais"
O tom exagerado e as ressalvas ("Pelo amor de Deus, não me atribuam a afirmação de um tal caso") revelam ironia. Ele critica a vaidade humana e o sistema político ao simular ambição. Confirmado pelo texto.
Gabarito: E.