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Questão de Estatística — Amostragem — CESPE / CEBRASPE 2023

EstatísticaAmostragem
Código
ce160003
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEFIN de Fortaleza - CE
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Fazendário Municipal - Área de Conhecimento: Ciências Econômicas/Finanças
A fim de testar a efetividade de um programa de combate ao assédio no ambiente de trabalho, um pesquisador decidiu realizar uma análise contrafactual. Para tanto, separou duas amostras dentre as empresas da região atingida pelo programa, sendo uma composta por empresas que participaram do programa de combate ao assédio (grupo de teste), e a outra composta por empresas que não participaram (grupo de controle). Tendo como referência a situação hipotética precedente, julgue o item a seguir, considerando que um aspecto importante na avaliação de políticas públicas é a verificação de que os resultados observados tenham sido efetivamente causados pela intervenção avaliada. Para obter melhores resultados, é aconselhável que o grupo de controle seja composto por empresas que escolheram não participar do programa.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise contrafactual e seleção do grupo de controle

Gabarito: letra E (ERRADO). Para uma análise contrafactual válida, o grupo de controle deve ser o mais semelhante possível ao grupo de teste, exceto pela exposição ao programa — e isso se obtém com atribuição aleatória (ou, em estudos observacionais, com técnicas de pareamento), não deixando que as empresas se autosselecionem para participar ou não. A afirmação de que é aconselhável que o controle seja composto por empresas que escolheram não participar é exatamente o oposto do ideal: essa escolha gera viés de seleção, pois as empresas que optam por não participar podem diferir sistematicamente das que participam (em motivação, recursos, cultura organizacional etc.), contaminando a comparação.

O enunciado já antecipa o critério decisivo: "um aspecto importante na avaliação de políticas públicas é a verificação de que os resultados observados tenham sido efetivamente causados pela intervenção avaliada". Para atribuir causalidade, o desenho ideal é o experimento aleatorizado (randomizado), em que a participação no programa é decidida por sorteio — assim, os grupos de teste e controle são estatisticamente equivalentes em média, e qualquer diferença posterior pode ser atribuída ao programa. Quando a aleatorização não é possível (como no caso de empresas que já participaram ou não), o pesquisador deve buscar grupos comparáveis por meio de técnicas como pareamento, escore de propensão ou diferenças-em-diferenças — nunca simplesmente aceitar a autosseleção.

A pegadinha da questão está em inverter o critério: o que parece "natural" (usar quem não quis participar como controle) é justamente o que vicia a análise. O grupo de controle ideal é aquele que teria participado do programa se tivesse sido sorteado — ou seja, que é semelhante ao grupo de teste em tudo, menos na intervenção. Empresas que escolheram não participar podem ter características diferentes (por exemplo, já terem programas internos de combate ao assédio, ou serem menos engajadas), o que confunde o efeito do programa com essas diferenças pré-existentes.

Grupo de controle ideal
  • 1Semelhante ao grupo de teste
    • Exceto pela exposição ao programa
  • 2Formação
    • Atribuição aleatória (experimento)
    • Pareamento / escore de propensão
  • 3Autosseleção (escolher não participar)
    • gera viés de seleção
    • grupos diferem sistematicamente
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Item — ❌ ERRADO

A afirmativa está errada porque recomenda exatamente o que compromete a validade da análise contrafactual: usar como controle empresas que escolheram não participar. A autosseleção introduz viés de seleção, pois a decisão de participar ou não está correlacionada com características que afetam o desfecho (efetividade do programa). O correto é que os grupos sejam formados por atribuição aleatória (experimento) ou, na impossibilidade, por pareamento de características observáveis — garantindo que o controle seja comparável ao teste, e não que seja composto por quem "não quis".

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o critério de formação do grupo de controle. O candidato pode achar que "quem não participou" é o controle natural — mas o que importa é a comparabilidade, não a escolha. Empresas que optam por não participar tendem a ser diferentes das que participam (viés de autosseleção), o que invalida a atribuição causal. O ideal é a aleatorização; sem ela, usa-se pareamento ou outras técnicas para tornar os grupos semelhantes.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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