Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce175630
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Instituto Rio Branco
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Terceiro Secretário - manhã
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
❌ ERRADO. O item afirma que a estrutura "Criou-se a carne" explicitaria, da mesma forma, a estratégia de indeterminação de sujeito observada em "Criaram-me a carne". Isso é falso: os dois mecanismos são distintos — o primeiro é voz passiva sintética, com sujeito expresso; o segundo é sujeito indeterminado (verbo na 3ª pessoa do plural sem referente).
No trecho original:
"Criaram-me a carne, mais carne, ainda carne, sempre carne."
O verbo "criaram" está na 3ª pessoa do plural, sem sujeito explícito, caracterizando indeterminação do sujeito (quem criou? não se sabe/não se quer dizer). Já na reescrita proposta:
"Criou-se a carne"
Temos a partícula apassivadora "se", que transforma o objeto direto "a carne" em sujeito paciente. O verbo concorda com esse sujeito (singular: Criou-se). Não há indeterminação; há uma construção passiva, em que o agente é omitido (pode ser recuperado por um complemento agente, como "por alguém"), mas o sujeito gramatical está explícito.
A banca confunde duas estratégias sintáticas distintas:
Sujeito indeterminado (3ª pessoa do plural sem sujeito): Ex.: Falaram mal de você. (quem falou? indeterminado)
Voz passiva sintética (SE apassivador + verbo concordando com o paciente): Ex.: Vendem-se casas. ("casas" é sujeito paciente; o agente é indeterminado, mas a oração tem sujeito)
Portanto, a equivalência proposta é incorreta.
Troca de conceito: o candidato pode achar que ambos indeterminam o sujeito, mas na voz passiva sintética o sujeito é explícito (o paciente) — a indeterminação é apenas do agente, não do sujeito gramatical.
Gabarito: E (Errado)
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