Questão de História — História Geral — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce175784
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Instituto Rio Branco
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Terceiro Secretário - tarde
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: Certo (C). O item está correto: o protecionismo tarifário do final do século XIX intensificou a rivalidade entre as economias nacionais europeias e, ao mesmo tempo, evidenciou a aliança entre Estado e economia — o que impulsionou a corrida neocolonial, na qual as potências buscaram novos mercados e fontes de matéria-prima. Essa leitura é amplamente aceita pela historiografia sobre o imperialismo.
O período entre 1870 e 1914 é marcado pela chamada Segunda Revolução Industrial, que transformou a estrutura produtiva e comercial das potências europeias. Com o aumento da concorrência internacional, os Estados passaram a adotar tarifas protecionistas para defender suas indústrias nascentes e seus mercados internos. Essa política, no entanto, não isolou as economias; ao contrário, acirrou a disputa por áreas de influência, pois cada nação buscava garantir mercados cativos para seus produtos e acesso a matérias-primas baratas.
A convergência entre política e economia é um traço central do imperialismo: o Estado não apenas regulava a economia, mas também a utilizava como instrumento de poder. A ação estatal se manifestava na concessão de subsídios, na construção de infraestrutura (ferrovias, portos) e, sobretudo, na expansão colonial — a ocupação de territórios na África, na Ásia e na Oceania, que serviam como mercados consumidores e fornecedores de recursos. Essa corrida neocolonial foi legitimada por discursos civilizatórios, mas sua lógica era essencialmente econômica e estratégica.
A banca explora aqui a relação de causa e consequência entre protecionismo, rivalidade econômica e neocolonialismo. O candidato pode ser tentado a separar esses fenômenos, mas o item os articula corretamente: o protecionismo não foi apenas uma medida comercial; foi um fator que estimulou a expansão imperialista, pois as potências precisavam de novos espaços para escoar sua produção e obter recursos.
O item afirma que o incremento de tarifas protecionistas na Europa ao final do século XIX transformou economias nacionais em rivais, explicitou a convergência entre política e economia por meio da ação do Estado e estimulou a corrida neocolonial. Todos esses elementos são historicamente corretos:
Tarifas protecionistas: a partir da década de 1870, países como Alemanha, França e Itália elevaram tarifas de importação para proteger suas indústrias, em contraste com o livre-cambismo britânico. Isso criou blocos econômicos rivais.
Convergência política-economia: o Estado passou a intervir ativamente na economia, financiando indústrias, construindo ferrovias e promovendo políticas de expansão comercial. Essa aliança é característica do imperialismo.
Corrida neocolonial: a necessidade de mercados e matérias-primas levou as potências a partilhar a África (Conferência de Berlim, 1884-1885) e a expandir sua influência na Ásia, como na Índia, na China (Guerras do Ópio) e no Sudeste Asiático.
Portanto, o item está correto.
A banca pode tentar confundir o aluno ao apresentar o protecionismo como uma medida isolada, sem conexão com o imperialismo. Aqui, o item estabelece corretamente o vínculo: o protecionismo não foi apenas uma política comercial, mas um motor da expansão neocolonial. Fique atento a itens que separam esses fenômenos ou que invertem a relação de causa e efeito.
Para questões sobre imperialismo, lembre-se do tripé: protecionismo → rivalidade econômica → neocolonialismo. Na prova, identifique se o item articula esses três elementos; se sim, tende a estar correto. Estude também as diferenças entre o colonialismo do Antigo Regime (mercantilista) e o neocolonialismo do século XIX (industrial e financeiro).
Gabarito: Certo (C).
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