Sujeitos processuais – Ministério Público e jurisdição penal
Gabarito: letra C. A alternativa C está correta, pois o membro do Ministério Público goza de independência funcional, podendo formar livremente sua convicção, ainda que em substituição eventual ao colega titular da ação, e, portanto, pode pedir a absolvição do réu, mesmo que o denunciante originário tenha opinado pela condenação. Não há vinculação à opinião de outro promotor.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A jurisdição penal no primeiro grau não é invariavelmente monocrática. Exceções como o Tribunal do Júri (órgão colegiado composto por juiz togado e jurados) demonstram que há hipóteses de exercício colegiado. Além disso, nos juizados especiais criminais, embora monocráticos, não se pode afirmar que seja invariavelmente monocrático.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O Ministério Público não está limitado a impulsionar a persecução penal exclusivamente em desfavor do réu. Cabe-lhe recorrer também em favor do réu, inclusive para pleitear sua absolvição, na qualidade de fiscal da ordem jurídica (custos legis). A afirmação de que "não cabe a ele recorrer em favor do réu" é equivocada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme fundamentado na abertura, a independência funcional do MP permite que o promotor substituto forme sua própria convicção, não estando adstrito ao entendimento do colega que ofereceu a denúncia. Assim, pode pedir a absolvição, desde que, no exercício de sua análise dos autos, conclua pela inexistência de provas suficientes para a condenação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A autocomposição no processo penal não é vedada de forma absoluta. Há instrumentos como a transação penal (Lei 9.099/95), a suspensão condicional do processo e o acordo de não persecução penal (Lei 13.964/19), que permitem a composição entre as partes, com a participação do juiz e do MP. Ademais, o juiz não declara a norma aplicável "acerca do conteúdo da imputação" em todas as ações, especialmente naquelas em que há autocomposição.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diante da ausência de promotor natural na comarca, o juiz deve, primeiramente, solicitar ao Procurador-Geral de Justiça a designação de um substituto. Todavia, a nomeação de um promotor ad hoc não é a medida subsequente obrigatória; na prática, o próprio juiz pode nomear um advogado para atuar como promotor ad hoc, sem necessidade de autorização do PGJ, desde que caracterizada urgência. A alternativa sugere uma sequência hierárquica que não corresponde ao procedimento legal e jurisprudencial, sendo, portanto, incorreta.
Gabarito: letra C.