Questão de Direito Administrativo — Responsabilidade civil do estado — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce193754
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- ANM
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Administrativo - Especialidade: Direito
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: Certo (C). A responsabilidade civil do Estado é objetiva com base no art. 37, §6º, da CF, e o fato de a perícia ter sido inconclusiva quanto à origem do projétil não exclui o nexo causal, pois a operação policial é uma ação estatal que criou o risco do dano. O STF, em casos análogos, já reconheceu a responsabilidade do Estado por disparos de arma de fogo de policiais, mesmo quando não é possível identificar o autor exato do disparo (RE 291.035/SP).
O Estado responde objetivamente pelos danos causados por seus agentes no exercício de funções públicas (CF, art. 37, §6º). No caso narrado, a morte do morador ocorreu durante operação policial, atividade estatal. A perícia inconclusiva quanto à origem do projétil não rompe o nexo causal entre a ação policial e o dano, pois a situação de risco foi criada pelo próprio Estado. A doutrina do risco administrativo impõe ao Estado o dever de indenizar sempre que o dano decorrer de sua atuação, salvo excludentes (culpa exclusiva da vítima, caso fortuito externo, etc.), que não estão configuradas no caso. A ausência de prova da autoria exata do disparo não é excludente e, na dúvida, o ônus recai sobre o Estado, que deve se eximir demonstrando causa excludente. O STF, no RE 291.035/SP, consolidou esse entendimento ao condenar o Estado por disparo efetuado por policial em folga, com arma da corporação, evidenciando que o risco criado pela atividade estatal atrai a responsabilidade.
A banca explora a falsa ideia de que, sem a certeza da origem do disparo, não há nexo causal. Contudo, em operações policiais, o risco é do Estado, e a inconclusão pericial milita contra a Administração, que não conseguiu demonstrar excludente de responsabilidade. O candidato que exige prova absoluta da origem do projétil erra, pois o nexo causal é presumido a partir da atuação estatal criadora do risco.
Afirmar que a situação não configura responsabilidade civil do Estado é incorrer em erro. Os elementos da responsabilidade objetiva (dano, nexo causal e ação estatal) estão presentes. A perícia inconclusiva não é capaz de afastar o nexo causal, uma vez que o dano ocorreu em contexto de atuação policial. O Estado não demonstrou qualquer excludente (culpa exclusiva da vítima, força maior, etc.). Portanto, a responsabilidade civil do Estado é configurada, tornando errada a assertiva que nega tal configuração.
Gabarito: Certo (C).
Link permanente: /questoes/ce193754