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Questão de Direito Administrativo — Responsabilidade civil do estado — CESPE / CEBRASPE 2025

Direito AdministrativoResponsabilidade civil do estado
Código
ce214575
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEFAZ-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Estadual (3ª Categoria) - Conhecimentos Específicos I
No que diz respeito à responsabilidade civil do Estado, assinale a opção correta.
  1. ACabe ao particular o ônus probatório para afastar excludentes de responsabilidade civil do Estado.
  2. BA culpa concorrente é causa excludente da responsabilidade civil do Estado, uma vez que rompe o nexo de causalidade.
  3. CA teoria adotada no Brasil em relação ao nexo de causalidade para a responsabilidade civil do Estado é a da equivalência dos antecedentes causais.
  4. DPara a caracterização da responsabilidade civil estatal, a existência de um dano, a ação ou omissão administrativa e a ocorrência de nexo causal entre o dano e a ação ou omissão são os três requisitos mínimos para a aplicação da responsabilidade objetiva, inexistindo causa excludente da responsabilidade estatal.
  5. EApesar de a responsabilidade civil do Estado ser objetiva, o direito de regresso da administração pública somente ocorrerá quando houver dolo ou culpa do agente.
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GabaritoE — Apesar de a responsabilidade civil do Estado ser objetiva, o direito de regresso da administração pública somente ocorrerá quando houver dolo ou culpa do agente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Responsabilidade Civil do Estado

Gabarito: letra E. A alternativa E está correta ao afirmar que, embora a responsabilidade civil do Estado seja objetiva (independe de culpa do agente), o direito de regresso da Administração contra o agente só existe quando este agir com dolo ou culpa, nos termos do art. 37, §6º da Constituição Federal. As demais alternativas incorrem em erros comuns: inversão do ônus probatório, confusão entre excludentes e atenuantes, adoção equivocada da teoria da causalidade e negação da existência de excludentes.

A banca examina os elementos da responsabilidade objetiva, as excludentes e a teoria do nexo causal adotada pelo STF. Vejamos cada alternativa.

Elemento / Característica

Responsabilidade Objetiva do Estado (art. 37, §6º, CF)

Direito de Regresso contra o Agente

Natureza da responsabilidade

Objetiva (independe de dolo ou culpa do agente)

Subjetiva (depende de dolo ou culpa do agente)

Requisitos para configuração

Dano, conduta administrativa e nexo causal

Dolo ou culpa do agente + pagamento da indenização pelo Estado

Fundamento constitucional

Art. 37, §6º, CF (primeira parte)

Art. 37, §6º, CF (segunda parte)

Ônus probatório

Do particular: conduta, dano e nexo causal (excludentes são ônus do Estado)

Do Estado: dolo ou culpa do agente

Excludentes aplicáveis

Culpa exclusiva da vítima, força maior, caso fortuito, fato de terceiro (em certos casos)

Inexistência de dolo ou culpa (exclui o dever de regresso)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o particular tem o ônus de provar a ausência de excludentes. Na responsabilidade objetiva do Estado, o particular deve demonstrar a conduta estatal, o dano e o nexo causal. As excludentes (culpa exclusiva da vítima, força maior, etc.) são fatos impeditivos do direito do autor, cujo ônus probatório é do Estado, conforme princípio geral de direito processual (art. 373, II, CPC). Logo, a alternativa inverte o ônus.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A culpa concorrente (ou concausalidade) não exclui a responsabilidade, apenas atenua a indenização, com base na proporção de contribuição. Ela não rompe totalmente o nexo causal; o Estado permanece responsável pela parte que lhe cabe. Excludentes verdadeiras são culpa exclusiva da vítima, caso fortuito ou força maior, fato de terceiro (em certas situações). Portanto, a assertiva confunde atenuante com excludente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A teoria do nexo causal adotada pelo STF para a responsabilidade civil do Estado é a teoria do dano direto e imediato (ou teoria da interrupção do nexo causal), conforme firmado no RE 130.764. Essa teoria considera apenas os danos que são efeito necessário e imediato da conduta estatal, afastando concausas remotas. A teoria da equivalência dos antecedentes causais (conditio sine qua non) foi rechaçada por ser excessivamente ampla.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Correta ao listar os três requisitos da responsabilidade objetiva (dano, conduta, nexo causal), mas erra ao afirmar que não existem causas excludentes. São excludentes: culpa exclusiva da vítima, caso fortuito/força maior, fato exclusivo de terceiro (em regra), e a excludente de ilicitude (legítima defesa, estado de necessidade) quando praticada pelo agente, embora nesse caso o Estado possa não responder. A responsabilidade objetiva do Estado no Brasil não é absoluta (risco integral), admite excludentes.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A assertiva reproduz a literalidade do art. 37, §6º da CF: "As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa". Assim, o direito de regresso exige a comprovação de dolo ou culpa do agente, ainda que a responsabilidade primária do Estado seja objetiva.

Gabarito: letra E.

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