Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce218037
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TJ-PA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário - Especialidade: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. Na emergência hipertensiva de gestante com risco iminente de eclâmpsia, a terapia inicial indicada é com sulfato de magnésio para profilaxia de convulsão, associada a anti-hipertensivos de primeira linha como hidralazina EV ou nifedipino VO — e não nitroprussiato de sódio, que é contraindicado na gestação (Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde).
A emergência hipertensiva na gestação, especialmente na pré-eclâmpsia grave e na iminência de eclâmpsia, exige conduta rápida e específica. O objetivo imediato é duplo: controlar a pressão arterial e prevenir a ocorrência de convulsões. Para o controle pressórico, os fármacos de escolha são o cloridrato de hidralazina por via intravenosa (dose inicial de 5 mg, podendo repetir 5 mg a cada 20 minutos, com dose máxima de 30 mg) e o nifedipino por via oral (dose inicial de 10 mg, repetindo 10 mg a cada 20 a 30 minutos, com dose máxima de 30 mg). Já para a profilaxia de crises convulsivas, o sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha, indicado quando há risco de convulsão, situação inerente aos quadros de pré-eclâmpsia com sinais de deterioração clínica ou laboratorial, iminência de eclâmpsia, eclâmpsia e síndrome HELLP.
O nitroprussiato de sódio, embora seja um potente vasodilatador arterial e venoso utilizado em diversas emergências hipertensivas, é formalmente contraindicado na gestação. A contraindicação se deve ao risco de toxicidade fetal, incluindo o acúmulo de cianeto, que pode levar a acidose metabólica e hipóxia fetal. Por isso, na gestante, a droga não é opção de primeira linha — e a banca explora exatamente essa pegadinha: o candidato que conhece o nitroprussiato como "droga universal" das emergências hipertensivas pode marcá-lo como correto, sem lembrar da exceção obstétrica.
A distinção crucial é entre o manejo da emergência hipertensiva no paciente não gestante e na gestante. No paciente geral, o nitroprussiato é amplamente utilizado. Na gestante, a escolha recai sobre drogas com perfil de segurança fetal estabelecido, como hidralazina e nifedipino. Além disso, o controle da PA não previne a ocorrência de eclâmpsia — daí a necessidade do sulfato de magnésio, que atua na profilaxia e tratamento das convulsões. O parto, se possível, deve ser realizado com urgência.
A banca troca o anti-hipertensivo de escolha na gestante pelo nitroprussiato de sódio, que é contraindicado na gravidez. O candidato que memoriza o nitroprussiato como droga de amplo uso nas emergências hipertensivas pode cair na armadilha. Lembre-se: na gestante, a tríade é hidralazina EV, nifedipino VO e sulfato de magnésio para profilaxia de convulsão.
A afirmativa está incorreta porque indica nitroprussiato de sódio como terapia inicial na emergência hipertensiva de gestante com risco iminente de eclâmpsia. O nitroprussiato é contraindicado na gestação. A conduta correta envolve o uso de hidralazina EV ou nifedipino VO para controle pressórico, associado ao sulfato de magnésio para profilaxia de convulsão.
Gabarito: ERRADO.
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