Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce218040
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TJ-PA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário - Especialidade: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: para o início do tratamento empírico da endocardite infecciosa de valva nativa com apresentação subaguda, é razoável e aceitável utilizar a combinação de vancomicina e ceftriaxona, conforme as diretrizes de infectologia. A vancomicina é adicionada ao esquema para cobertura de estafilococos resistentes à meticilina (MRSA), enquanto a ceftriaxona cobre estreptococos e enterococos, os agentes mais comuns nesse cenário.
A endocardite infecciosa (EI) é uma infecção das valvas cardíacas ou do endocárdio, classicamente classificada pela rapidez de instalação em aguda e subaguda. Essa distinção reflete a virulência do agente etiológico: a forma aguda é tipicamente causada por Staphylococcus aureus, enquanto a subaguda está associada a microrganismos de baixa virulência, como os estreptococos do grupo viridans e os enterococos. O tratamento empírico é iniciado antes da identificação do agente e deve cobrir os patógenos mais prováveis para cada apresentação clínica.
Na endocardite subaguda de valva nativa, os agentes mais comuns são os estreptococos orais e os enterococos, ambos sensíveis a betalactâmicos. Por isso, o esquema empírico de primeira linha é a combinação de ceftriaxona (2 g IV 1x/dia) com gentamicina (1 mg/kg/dose de 8/8h), por 4 a 6 semanas. A vancomicina é reservada para situações específicas, como alergia a betalactâmicos ou suspeita de MRSA. No entanto, a combinação de vancomicina e ceftriaxona é uma alternativa aceitável, especialmente quando há preocupação com a cobertura de estafilococos resistentes, sendo uma opção razoável no contexto empírico.
A escolha do esquema empírico deve considerar a gravidade do quadro, a valva envolvida (nativa ou protética) e a apresentação clínica (aguda ou subaguda). Na apresentação subaguda, o paciente geralmente tem um curso mais indolente, com febre baixa e sintomas inespecíficos, permitindo uma abordagem mais direcionada. A combinação de vancomicina e ceftriaxona oferece ampla cobertura, incluindo MRSA e estreptococos, sendo uma opção válida quando a gentamicina não é desejada (ex.: risco de nefrotoxicidade) ou quando há suspeita de resistência.
A pegadinha da banca está em associar a vancomicina apenas à endocardite aguda ou à valva protética, mas a diretriz permite seu uso na subaguda de valva nativa como parte de um esquema combinado. O candidato deve lembrar que a terapia empírica é flexível e baseada nos agentes mais prováveis, e que a vancomicina pode ser adicionada para ampliar a cobertura, especialmente em cenários de resistência ou alergia.
A banca tenta fazer o candidato acreditar que a vancomicina é exclusiva para endocardite aguda ou valva protética, mas na subaguda de valva nativa ela pode ser combinada com ceftriaxona para cobertura de MRSA. Fique atento: a terapia empírica é flexível e baseada nos agentes mais prováveis, não em regras rígidas.
A afirmativa está correta. A combinação de vancomicina e ceftriaxona é uma opção razoável e aceitável para o tratamento empírico da endocardite infecciosa de valva nativa com apresentação subaguda. A vancomicina cobre estafilococos resistentes à meticilina (MRSA), enquanto a ceftriaxona cobre estreptococos e enterococos, os principais agentes nesse cenário. As diretrizes de infectologia permitem essa combinação, especialmente quando há preocupação com resistência ou alergia a betalactâmicos.
Gabarito: CERTO
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