Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce218041
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TJ-PA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário - Especialidade: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). A afirmação está correta: o herpes-zóster recorrente é de fato muito raro na população geral, mas sua incidência aumenta significativamente em pacientes imunocomprometidos, nos quais a reativação do vírus varicela-zóster (VZV) é mais frequente e pode se manifestar de formas atípicas, como as formas recidivantes. Essa relação é amplamente descrita na literatura médica e nos manuais de infectologia.
O herpes-zóster é causado pela reativação do vírus varicela-zóster (VZV), o mesmo agente da catapora (varicela). Após a primoinfecção, o vírus permanece latente nos gânglios sensoriais dorsais e nos gânglios dos nervos cranianos, podendo reativar-se décadas depois. A reativação ocorre quando há queda da imunidade celular específica para o VZV, sendo a imunodepressão o principal fator de risco. Em indivíduos imunocompetentes, o sistema imunológico mantém o vírus sob controle, e a recorrência é um evento raro — estima-se que a maioria das pessoas tenha apenas um episódio ao longo da vida. Já em pacientes imunocomprometidos — como pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHIV), transplantados, portadores de neoplasias hematológicas, pacientes em quimioterapia ou corticoterapia prolongada —, a vigilância imunológica está comprometida, o que favorece reativações mais frequentes e, por vezes, recorrentes.
A literatura médica confirma essa associação. Em pacientes com HIV, por exemplo, a probabilidade de recorrência do herpes-zóster em um ano é de cerca de 10%, um número expressivamente maior do que o observado na população geral. Além disso, em imunossuprimidos, o herpes-zóster pode apresentar formas atípicas e mais graves, como as formas hemorrágicas, necróticas, disseminadas, persistentes ou recidivantes — exatamente o que o enunciado aponta ao mencionar a recorrência. A imunossupressão também está associada a maior risco de complicações, como a neuralgia pós-herpética, principal sequela da doença.
A banca explora aqui um conhecimento clássico da infectologia: a relação entre imunidade celular e controle da latência viral. O candidato que domina a fisiopatologia do VZV — latência nos gânglios, reativação por queda da imunidade celular e maior frequência de recorrência em imunossuprimidos — reconhece a afirmação como correta sem hesitação. A pegadinha, se houvesse, seria inverter essa lógica, afirmando que a recorrência é comum em imunocompetentes ou que a imunossupressão não influencia a recorrência — o que contraria frontalmente a evidência clínica.
Guarde o critério decisivo: a recorrência do herpes-zóster é um marcador de imunocomprometimento. É exatamente essa fronteira — imunocompetente (recorrência rara) versus imunocomprometido (recorrência mais frequente) — que a questão testa.
A afirmação está correta. O herpes-zóster recorrente é muito raro em indivíduos imunocompetentes, pois a imunidade celular específica para o VZV, adquirida após a primoinfecção, mantém o vírus latente sob controle na maioria das pessoas. A recorrência torna-se significativamente mais comum em pacientes imunocomprometidos, nos quais a queda da imunidade celular permite reativações mais frequentes do vírus. Essa é uma informação consolidada na literatura médica: a imunodepressão é o principal fator de risco para o herpes-zóster, e as formas recidivantes são descritas como uma das apresentações atípicas da doença em imunossuprimidos. O enunciado, portanto, reproduz fielmente o conhecimento científico sobre o tema.
Gabarito: letra C (CERTO).
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