Questão de Medicina — Endocrinologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce218052
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TJ-PA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário - Especialidade: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque a metformina não deve ser descontinuada em todos os pacientes com TFG inferior a 60 mL/min/1,73 m²; a contraindicação absoluta ocorre apenas quando a TFG é inferior a 30 mL/min/1,73 m², conforme as diretrizes da American Diabetes Association e os protocolos do Ministério da Saúde. Entre 30 e 60 mL/min/1,73 m², a metformina pode ser mantida, com ajuste de dose e monitoramento da função renal.
A metformina é a primeira escolha no tratamento do diabetes mellitus tipo 2, sendo uma biguanida que reduz a produção hepática de glicose e aumenta a sensibilidade periférica à insulina. Sua principal preocupação em pacientes com doença renal crônica (DRC) é o risco teórico de acidose láctica, uma complicação rara, mas potencialmente grave, que ocorre quando o fármaco se acumula no organismo devido à redução da excreção renal. Por isso, a avaliação da taxa de filtração glomerular (TFG) é essencial antes de iniciar e durante o acompanhamento do tratamento.
A regra prática, baseada nas diretrizes da American Diabetes Association e nos protocolos do Ministério da Saúde, estabelece três faixas de função renal para o uso da metformina:
TFG (mL/min/1,73 m²) | Conduta com a metformina |
|---|---|
≥ 60 | Uso normal, sem ajuste |
30–59 | Uso com ajuste de dose e monitoramento da função renal |
< 30 | Contraindicada — descontinuar |
A contraindicação absoluta da metformina ocorre quando a TFG é inferior a 30 mL/min/1,73 m², conforme explicitado no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde. Nessa faixa, o risco de acúmulo do fármaco e de acidose láctica supera os benefícios do controle glicêmico. Já na faixa entre 30 e 59 mL/min/1,73 m², a metformina pode ser mantida, mas com redução da dose e monitoramento mais frequente da função renal, pois a excreção do fármaco está comprometida em grau moderado.
A pegadinha da questão está em generalizar a contraindicação para todos os pacientes com TFG inferior a 60 mL/min/1,73 m², quando, na verdade, o corte para contraindicação absoluta é de 30 mL/min/1,73 m². O candidato que memoriza apenas o valor de 60 mL/min/1,73 m² como limite acaba errando, pois esse valor é o ponto de partida para o ajuste de dose, não para a descontinuação. A banca explora exatamente essa confusão entre o limiar de ajuste e o limiar de contraindicação.
A banca troca o limiar de contraindicação absoluta (TFG < 30 mL/min/1,73 m²) pelo limiar de ajuste de dose (TFG < 60 mL/min/1,73 m²). O candidato que decora apenas o número 60 cai na armadilha. Lembre-se: entre 30 e 59, ajusta-se a dose; abaixo de 30, descontinua-se.
A afirmativa de que a metformina deve ser descontinuada em todos os pacientes com TFG inferior a 60 mL/min/1,73 m² está errada. O erro está na generalização: a contraindicação absoluta ocorre apenas quando a TFG é inferior a 30 mL/min/1,73 m². Na faixa entre 30 e 59 mL/min/1,73 m², a metformina pode ser mantida com ajuste de dose e monitoramento da função renal, conforme as diretrizes da American Diabetes Association e os protocolos do Ministério da Saúde. O valor de 60 mL/min/1,73 m² é o limiar para iniciar o ajuste de dose, não para descontinuar o fármaco.
A afirmativa está correta ao negar a descontinuação universal da metformina em pacientes com TFG inferior a 60 mL/min/1,73 m². A regra correta é: contraindicação absoluta apenas com TFG < 30 mL/min/1,73 m²; entre 30 e 59 mL/min/1,73 m², mantém-se o fármaco com ajuste de dose e monitoramento. Portanto, a afirmativa do enunciado é falsa, e a alternativa E (Errado) é o gabarito.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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