Questão de Medicina — Nefrologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce218056
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TJ-PA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário - Especialidade: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). Na insuficiência renal aguda (IRA), a fração de excreção de sódio (FENa) menor que 1% é um marcador clássico de causa pré-renal, pois reflete a resposta tubular intacta à hipoperfusão, com reabsorção aumentada de sódio e água. Esse conceito é amplamente consolidado na nefrologia e aparece nas tabelas de índices urinários que diferenciam azotemia pré-renal de necrose tubular aguda (NTA).
A IRA é uma síndrome caracterizada pela queda abrupta da taxa de filtração glomerular (TFG), resultando em acúmulo de escórias nitrogenadas (azotemia) e distúrbios hidroeletrolíticos. Suas causas são classicamente divididas em três grandes grupos: pré-renal (hipoperfusão renal), intrínseca ou renal (lesão parenquimatosa, sendo a NTA a mais comum) e pós-renal (obstrução do trato urinário). A distinção entre essas etiologias é crucial, pois o manejo e o prognóstico diferem substancialmente: a IRA pré-renal é potencialmente reversível com a correção da causa de base, enquanto a NTA já representa lesão estrutural.
A FENa é um dos índices urinários mais utilizados nessa diferenciação. Sua fórmula é: FENa = ([Na+] urinário × creatinina sérica) / ([Na+] sérico × creatinina urinária) × 100. Na IRA pré-renal, o rim íntegro responde à hipoperfusão aumentando a reabsorção tubular de sódio, resultando em FENa < 1% (e sódio urinário < 20 mEq/L). Já na NTA, a lesão tubular compromete essa capacidade de reabsorção, levando a FENa ≥ 1% (frequentemente > 2%) e sódio urinário > 40 mEq/L. Essa diferença fisiopatológica é a base do raciocínio diagnóstico.
É importante ressaltar que a FENa não é um marcador infalível. Em situações como uso prévio de diuréticos, doença renal crônica, sepse ou IRA não oligúrica, a FENa pode estar elevada mesmo em causas pré-renais, ou baixa em algumas formas de NTA (como na nefropatia por contraste ou na rabdomiólise). Por isso, a interpretação deve ser sempre contextualizada com a clínica, o sedimento urinário e outros índices, como a fração de excreção de ureia (FEUreia), que pode ser mais fidedigna em pacientes em uso de diuréticos.
A banca explora exatamente esse ponto: a associação direta entre FENa < 1% e causa pré-renal, que é o conhecimento clássico e amplamente cobrado. A pegadinha não está na inversão do valor, mas na possibilidade de o candidato duvidar da assertividade do marcador, esquecendo que a questão pede o que a FENa sugere, e não um diagnóstico definitivo. O termo "sugere" é a chave: a FENa baixa é um forte indicativo de pré-renal, mas não exclui outras possibilidades em contextos específicos.
A afirmativa está correta. A FENa < 1% é um dos critérios laboratoriais clássicos que sugerem IRA pré-renal, conforme demonstrado nas tabelas de índices urinários. Na pré-renal, o túbulo renal está íntegro e responde à hipoperfusão com reabsorção aumentada de sódio, resultando em baixa excreção fracionada. Esse é um conceito fundamental na abordagem diagnóstica da IRA e é exatamente o que a questão cobra.
A afirmativa está incorreta, pois contradiz o conhecimento estabelecido. A FENa < 1% é característica de causa pré-renal, e não o contrário. Se a FENa fosse ≥ 1% (ou > 2%), isso sugeriria lesão tubular (NTA) ou causa pós-renal. A banca poderia tentar confundir o candidato invertendo os valores, mas aqui a afirmação está correta, tornando a alternativa E falsa.
Gabarito: letra C (CERTO).
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