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Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2025

MedicinaNeurologia
Código
ce219771
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TRF - 6ª REGIÃO
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário – Área: Apoio Especializado – Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Geral)
Acerca de acidente vascular encefálico e alterações do estado de consciência, julgue o item a seguir.A Escala de Coma de Glasgow deve ser aplicada em pacientes com lesões cerebrais traumáticas, sendo pouco útil na avaliação de pacientes com distúrbios metabólicos ou neurológicos agudos.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Escala de Coma de Glasgow: aplicação e utilidade clínica

Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque a Escala de Coma de Glasgow (ECG) não é "pouco útil" na avaliação de pacientes com distúrbios metabólicos ou neurológicos agudos — pelo contrário, ela é amplamente utilizada e recomendada para padronizar a avaliação do nível de consciência em qualquer paciente com rebaixamento, independentemente da causa, seja ela traumática ou não. O próprio material de referência afirma que a escala, embora tenha sido desenvolvida para traumatismo craniano, "atualmente é aplicada também em pacientes que apresentam alteração do nível de consciência por causas não traumáticas".

A Escala de Coma de Glasgow é um instrumento de avaliação neurológica que mensura o nível de consciência por meio de três componentes: abertura ocular, melhor resposta verbal e melhor resposta motora. Cada componente recebe uma pontuação, e a soma total varia de 3 (coma profundo, com completa perda da reatividade) a 15 (nível de consciência normal). Ela foi originalmente desenvolvida para pacientes com traumatismo cranioencefálico, mas sua utilidade se estendeu a todas as causas de alteração do nível de consciência, incluindo as de origem metabólica (como hipoglicemia, encefalopatia hepática ou urêmica), tóxica (intoxicações exógenas) e neurológica aguda (como acidente vascular encefálico, meningite, encefalite e estado pós-ictal).

A razão dessa ampliação de uso é prática e clínica: a ECG fornece uma medida objetiva, rápida e reprodutível do nível de consciência, permitindo que equipes multiprofissionais acompanhem a evolução do paciente ao longo do tempo, identifiquem deterioração neurológica precoce e tomem decisões terapêuticas. Em pacientes com distúrbios metabólicos, por exemplo, a escala ajuda a monitorar a resposta ao tratamento — um paciente em coma por hipoglicemia que melhora após a reposição de glicose terá sua melhora refletida no aumento do escore. Da mesma forma, em pacientes com AVC, a ECG é utilizada para avaliar a gravidade do rebaixamento e orientar condutas, como a indicação de intubação ou de intervenção neurocirúrgica.

É importante destacar que a ECG avalia o nível de consciência (o estado de alerta), não o conteúdo da consciência (funções corticais superiores como memória, linguagem e orientação). Para o conteúdo, utiliza-se o Miniexame do Estado Mental (MEEM). Essa distinção é fundamental: a ECG é a ferramenta padrão para quantificar o rebaixamento do nível de consciência, qualquer que seja a etiologia, enquanto o MEEM avalia funções cognitivas específicas. A afirmativa da questão tenta restringir a ECG ao contexto traumático, o que contraria a prática clínica atual e a recomendação expressa na literatura médica.

A pegadinha da banca está em explorar a origem histórica da escala: como ela foi criada para o trauma, o candidato pode ser induzido a acreditar que sua utilidade se limita a esse contexto. No entanto, a evolução do conhecimento médico consolidou a ECG como instrumento universal de avaliação do nível de consciência, sendo inclusive citada em protocolos de atendimento a diversas emergências clínicas, como acidentes por animais peçonhentos e sepse, conforme mencionado no material de apoio. Portanto, a afirmação de que a escala é "pouco útil" para distúrbios metabólicos ou neurológicos agudos é falsa.

Guarde o critério decisivo: a ECG é útil para qualquer causa de rebaixamento do nível de consciência — trauma, metabólica, tóxica ou neurológica aguda. É exatamente essa generalidade que a afirmativa nega, e é nela que a questão se resolve.

Escala de Coma de Glasgow
  • 1Avalia
    • Nível de consciência (alerta)
    • 3 componentes
      • Abertura ocular
      • Resposta verbal
      • Resposta motora
  • 2Pontuação
    • 3 (coma profundo)
    • 15 (normal)
  • 3Aplicação
    • Trauma cranioencefálico
    • Causas não traumáticas
      • Metabólicas (hipoglicemia, encefalopatia)
      • Tóxicas (intoxicações)
      • Neurológicas agudas (AVC, meningite)
  • 4Não avalia
    • Conteúdo da consciência (memória, linguagem)
      • Usa-se MEEM
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Item — ❌ ERRADO

A afirmativa está errada por dois motivos complementares. Primeiro, a Escala de Coma de Glasgow é amplamente utilizada e recomendada na avaliação de pacientes com distúrbios metabólicos e neurológicos agudos, não sendo "pouco útil" nesses contextos. O material de referência é explícito ao afirmar que a escala, embora desenvolvida para traumatismo craniano, "atualmente é aplicada também em pacientes que apresentam alteração do nível de consciência por causas não traumáticas". Segundo, a própria literatura médica citada no apoio reforça que a ECG é o instrumento padrão para mensurar o nível de consciência em qualquer paciente com rebaixamento, independentemente da etiologia — seja estrutural (como AVC isquêmico) ou funcional (como causas tóxico-metabólicas, farmacológicas ou convulsões). A banca explora a origem histórica da escala para tentar limitar sua aplicação ao trauma, mas a prática clínica consolidada a universalizou.

Gabarito: ERRADO.

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