Acerca das emergências clínicas, julgue o item a seguir.Pode-se descartar como hipótese diagnóstica, sem exames laboratoriais adicionais, infarto agudo do miocárdio em pacientes com dor torácica atípica.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Errado
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Dor torácica e infarto agudo do miocárdio
❌ ERRADO. Não se pode descartar infarto agudo do miocárdio (IAM) apenas com base na presença de dor torácica atípica, sem exames laboratoriais adicionais. A apresentação clínica do IAM é extremamente variável — a dor pode ser atípica, ausente ou manifestar-se como equivalente isquêmico (dispneia, náuseas, síncope), especialmente em idosos, mulheres e diabéticos. A conduta correta exige investigação complementar com eletrocardiograma (ECG) e dosagem de marcadores de necrose miocárdica (troponina), pois a ausência de dor típica não exclui o diagnóstico e está associada a maior mortalidade por atraso diagnóstico.
A dor torácica é um sintoma de alta complexidade diagnóstica, e a síndrome coronariana aguda (SCA) — que engloba angina instável e IAM — é uma das causas mais temidas, dada sua elevada morbimortalidade. A caracterização da dor é fundamental, mas a presença de dor atípica não é suficiente para afastar o diagnóstico. O material de apoio destaca que a dor isquêmica é visceral, frequentemente mal localizada, difícil de descrever e nem sempre referida como "dor", podendo ser um desconforto ou angústia. Além disso, a dor torácica pode não estar presente em até cerca de um terço dos casos de SCA, manifestando-se por equivalentes isquêmicos como dispneia isolada, náuseas, vômitos, palpitações, síncope ou mesmo parada cardíaca.
A avaliação inicial de todo paciente com suspeita de SCA deve incluir ECG em até 10 minutos e dosagem de biomarcadores de necrose miocárdica, como a troponina. O ECG permite classificar o paciente em IAM com supradesnivelamento de ST (IAMCST) ou SCA sem supradesnivelamento de ST (SCASST), orientando a terapia de reperfusão. A troponina é o marcador de escolha, mas sua elevação pode ocorrer em diversas outras condições (miocardite, embolia pulmonar, sepse, insuficiência renal, Takotsubo), exigindo correlação clínica. O diagnóstico de IAM é definido pela detecção de elevação e/ou queda de biomarcadores cardíacos, com pelo menos um valor acima do percentil 99, associado a sintomas de isquemia, alterações eletrocardiográficas ou de imagem.
A banca explora a falsa segurança de que uma dor atípica exclui IAM. Na prática, a apresentação atípica é comum e perigosa: idosos, mulheres e diabéticos frequentemente não referem dor torácica clássica, apresentando apenas dispneia, dor epigástrica, mal-estar ou confusão mental. A ausência de dor típica está associada a maior mortalidade intra-hospitalar, justamente pela falha ou atraso no diagnóstico e tratamento. Portanto, a suspeita clínica de IAM deve ser mantida mesmo diante de dor atípica, e a investigação com ECG seriado e troponina é obrigatória antes de qualquer descarte.
O escore de Rouan, citado no material, é uma ferramenta que estima a probabilidade de IAM com base em dados clínicos (idade > 60 anos, sudorese, história prévia, sexo masculino, dor em opressão, irradiação para braços/ombro/pescoço/mandíbula), mas não é um instrumento de exclusão — mesmo com escore baixo, a probabilidade não é zero, e a conduta exige confirmação laboratorial. A regra de ouro é: dor torácica, típica ou atípica, em paciente com fatores de risco ou idade > 30 anos, deve ser investigada como potencial SCA até prova em contrário.
Dor torácica e IAM: Apresentação clínica (Dor típica, Dor atípica, Ausente (equivalente isquêmico)); Grupos de risco (Idosos, Mulheres, Diabéticos); Investigação obrigatória (ECG em até 10 min, Troponina (marcador de necrose)); Não se descarta sem exames
Item — ❌ ERRADO ⟵ GABARITO
A afirmativa está errada porque propõe descartar IAM sem exames laboratoriais adicionais com base apenas na dor atípica. Isso contraria a prática clínica e as diretrizes: a apresentação atípica não exclui IAM, e a investigação com ECG e troponina é indispensável. O material de apoio reforça que a dor torácica pode estar ausente em até um terço dos casos de SCA, e que a ausência de dor típica está associada a maior mortalidade por atraso diagnóstico. Portanto, a hipótese de IAM não pode ser descartada sem exames complementares, independentemente das características da dor.