Questão de Estatística — Estatística descritiva (análise exploratória de dados) — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce222723
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- CAU-MG
- Ano
- 2025
- Nível
- Médio
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A mediana é o valor que ocupa a posição central de um conjunto de dados ordenados — não é a média, nem pode ser inferida a partir da média ou de percentuais isolados. Com apenas as informações de que 55% cobram R$ 2 mil, o valor máximo é R$ 10 mil e a média é R$ 3 mil, não há como determinar a mediana; afirmar que ela é R$ 6 mil é um chute sem fundamento estatístico.
A questão explora a diferença entre medidas de tendência central. A média aritmética é o somatório dos valores dividido pelo número de observações; a mediana é o valor que divide a amostra ordenada em duas partes de igual tamanho (50% abaixo, 50% acima). Para calcular a mediana, é necessário conhecer a distribuição ordenada dos dados — ou, no mínimo, a posição central. O enunciado fornece apenas:
55% dos profissionais cobram R$ 2 mil (moda, não mediana);
o valor máximo é R$ 10 mil;
a média dos 100 profissionais é R$ 3 mil.
Nenhuma dessas informações permite localizar a posição 50ª e 51ª (para n = 100, a mediana é a média entre o 50º e o 51º valor ordenado). Por exemplo, se 55 profissionais cobram R$ 2 mil e os demais 45 cobram valores que resultam em média R$ 3 mil, a mediana seria R$ 2 mil (pois o 50º e o 51º valores seriam R$ 2 mil). Mas se a distribuição fosse outra — por exemplo, 49 profissionais cobrando R$ 2 mil e os demais valores mais altos — a mediana poderia ser diferente. O valor R$ 6 mil não é sustentado por nenhum dado.
A banca tenta induzir o candidato a confundir mediana com média ou com o ponto médio entre o mínimo e o máximo (que seria (2 + 10)/2 = 6). Mas o ponto médio (midrange) não é a mediana, e a média (R$ 3 mil) também não é a mediana. A mediana só pode ser calculada com os dados ordenados.
A afirmativa "A mediana dos valores cobrados é igual a R$ 6 mil" está errada porque:
Não há dados suficientes para calcular a mediana. O enunciado não fornece a lista ordenada dos 100 valores, nem a frequência acumulada, nem os valores individuais.
R$ 6 mil é o ponto médio entre o mínimo (R$ 2 mil) e o máximo (R$ 10 mil), mas isso é uma medida de posição diferente (midrange), não a mediana.
A mediana seria, na verdade, R$ 2 mil se considerarmos que 55% (mais da metade) dos profissionais cobram exatamente R$ 2 mil — pois, em uma amostra de 100, a posição central (50º e 51º) cairia dentro desse grupo de 55%. Mas mesmo essa conclusão depende da suposição de que os 55% são os menores valores; o enunciado não afirma isso explicitamente, embora seja a leitura mais natural. De qualquer forma, R$ 6 mil não é defensável.
A banca troca a mediana pelo ponto médio entre o mínimo e o máximo (R$ 2 mil + R$ 10 mil = R$ 12 mil ÷ 2 = R$ 6 mil). Essa é uma armadilha clássica: o candidato que não domina o conceito de mediana acaba calculando a média entre os extremos. Lembre-se: mediana é o valor central da distribuição ordenada, não a média dos extremos.
Para resolver questões de mediana, ordene os dados e localize a posição central. Se n for par, a mediana é a média dos dois valores centrais. Se o enunciado não fornecer os dados ordenados, verifique se há informação suficiente (como frequências acumuladas). Desconfie de valores que parecem "médios" entre o mínimo e o máximo — isso é midrange, não mediana.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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